➡️Na segunda-feira (13), os EUA iniciaram um bloqueio naval perto da entrada do estreito, no Golfo de Omã, para barrar a passagem de qualquer navio vindo ou indo a portos iranianos ou com ligações com o Irã. A medida foi anunciada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, no fim de semana, como retaliação à resistência de Teerã de rebarir o Estreito de Ormuz.
Em comunicado nesta manhã, as Forças Armadas dos EUA afirmaram que o bloqueio está sendo monitorado por 10 mil marinheiros, furizileiros navais e aviadores norte-americanos, distrubuídos por 12 navios de guerra e "dezenas" de aeronaves.
Ao menos quatro navios petroleiros sancionados pelos Estados Unidos navegaram pelo Estreito de Ormuz entre segunda e terça-feira (14) em meio a um bloqueio do Exército norte-americano na região, segundo agências de monitoramento marítimo.
Um deles, o petroleiro chinês Rich Starry, regrediu em sua rota durante a manhã desta terça após entrar no Golfo de Omã, onde navios de guerra dos EUA estão estacionados, segundo análise do g1 no site MarineTraffic.
Segundo de acordo com dados das plataformas Kpler, LSEG e MarineTraffic, os quatro petroleiros têm ligação com o Irã e são os seguintes:
- Rich Starry;
- Elpis;
- Peace Gulf;
- Murlikishan.
Segundo dados das companhias de monitoramento, o navio-tanque Rich Starry foi o primeiro navio a atravessar o estreito e a sair do Golfo desde o início do bloqueio. A embarcação e sua proprietária, a empresa chinesa Shanghai Xuanrun Shipping Co Ltd, são alvos de sanções dos Estados Unidos por negociarem com o Irã.
Segundo o MarineTraffic, o Rich Starry atravessou Ormuz vindo do Golfo Pérsico em direção ao Golfo de Omã, mas pareceu dar meia-volta por volta das 8h da manhã, no horário de Brasília, desta terça e desde então ruma de volta em direção ao estreito. (Veja na imagem abaixo)
Rota do navio petroleiro chinês Rich Starry ao redor do Estreito de Ormuz entre 13 e 14 de abril de 2026. — Foto: Reprodução/MarineTraffic
Ainda não se sabe o que havia causado a movimentação até a última atualização desta reportagem.
O bloqueio dos EUA tem como objetivo limitar o trânsito marítimo Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã desde o início da guerra e que desde então tem registrado travessia de navios ligados ao regime iraniano ou que pagam "pedágio".
Outro petroleiro sancionado pelos EUA, o Murlikishan, também entrou no Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz na terça-feira, segundo dados da LSEG. O petroleiro estava vazio e deve carregar óleo combustível no Iraque, de acordo com a Kpler. A embarcação, anteriormente conhecida como MKA, já transportou petróleo russo e iraniano.
Já o Elpis saiu do porto em Bushehr, no Irã, e cruzou o Estreito de Ormuz na madrugada entre segunda e terça-feira, porém está parada no norte do Golfo do Omã desde então, segundo o MarineTraffic.
O Peace Gulf, de bandeira panamenha, saiu do Omã e atravessou o Estreito rumo a um porto nos Emirados Árabes, segundo dados de monitoramento.
A crise no Estreito de Ormuz

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Desde o início da guerra no Irã, uma das principais consequências foi o fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Desde então, Donald Trump tem atuado incessantemente para reabrir a passagem e aliviar a pressão sobre a economia global. Agora, no entanto, é o próprio presidente norte-americano quem bloqueia o fluxo na região — mas por quê?
O estreito nunca esteve completamente fechado. Os iranianos permitem a passagem de alguns petroleiros de parceiros estratégicos, porém, mediante o pagamento de um 'pedágio' que pode chegar a até US$ 2 milhões por navio.
Além disso, as próprias embarcações iranianas também tinham livre passagem, mantendo em funcionamento a principal fonte de receita do país. Segundo a empresa de dados e análise Kpler, o Irã exportou, em média, 1,85 milhão de barris de petróleo por dia.
A estratégia do presidente norte-americano é semelhante à adotada em janeiro deste ano na Venezuela: o estrangulamento financeiro.
Ao fechar a via para embarcações, Donald Trump corta uma importante fonte de receita do governo iraniano, já que o petróleo representa cerca de 10% a 15% do PIB do país.
Trump disse à emissora Fox News que "não vamos deixar o Irã lucrar vendendo petróleo para quem eles gostam e não para quem eles não gostam", afirmando que o objetivo do bloqueio naval americano era permitir a passagem de "tudo ou nada" pelo estreito de Ormuz.
Analistas sugerem que as declarações de Trump e o bloqueio naval visam pressionar o Irã a fechar um acordo de paz nos termos americanos, algo que não ocorreu nos últimos dias.
No programa "Face the Nation" ("Encarando a Nação", em tradução livre), da emissora americana CBS, o congressista republicano Mike Turner, de Ohio, afirmou que o bloqueio naval norte-americano era uma forma de forçar uma resolução para o fechamento do estreito de Ormuz.
Bloqueio ao Estreito de Ormuz — Foto: Editoria de Arte/g1
As consequências do bloqueio
A estratégia de Trump, porém, pode ser uma faca de dois gumes.
Enquanto a principal fonte de renda do governo iraniano é interrompida, por outro lado, com o bloqueio do pouco petróleo que ainda passava pelo Estreito de Ormuz, o preço da commodity pode voltar às alturas, o que pressiona ainda mais a inflação global e a norte-americana.
Para além do preço, alguns analistas também apontam que o bloqueio pode pressionar países com forte dependência do petróleo do Golfo, especialmente a China, a adotar uma postura mais ativa para influenciar o Irã. Principal compradora de petróleo da região, Pequim teria interesse direto na estabilização do fluxo energético.
Por fim, o bloqueio também pode colocar em risco o frágil cessar-fogo de duas semanas estabelecido entre EUA e Irã.
No domingo, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou que qualquer embarcação militar que tente se aproximar do Estreito de Ormuz será considerada uma violação do cessar-fogo e será tratada de forma severa e decisiva.
O regime iraniano chamou a ação dos EUA de "ilegal e um exemplo de pirataria".
Embarcação no Estreito de Ormuz, ao largo da costa da província de Musandam, Omã, 12 de abril de 2026. — Foto: Reuters

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