
Crédito, Hakon Rimmereid via Reuters
Há 17 minutos
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Os Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira (7/1) a apreensão de um navio petroleiro no Atlântico Norte com bandeira da Rússia que no passado teria sido usado para transportar petróleo venezuelano.
A BBC está acompanhando a jornada do petroleiro com dados de monitoramento remoto. A embarcação estava a cerca de 200 km ao sul da Islândia.
O navio Marinera — cujo nome anterior era Bella 1 — é acusado de violar sanções americanas e transportar petróleo iraniano. No passado, ele já foi usado para carregar petróleo bruto venezuelano, mas há relatos de que ele estaria vazio no momento.
O Comando Europeu dos EUA afirma que o Departamento de Justiça e o Departamento de Segurança Interna dos EUA "anunciaram hoje a apreensão do navio M/V Bella 1 por violações das sanções americanas".
Em uma publicação no X, o comando disse: "A embarcação foi apreendida no Atlântico Norte em cumprimento a um mandado expedido por um tribunal federal dos EUA, após ter sido rastreada pelo (navio de patrulha) USCGC Munro."
A Guarda Costeira dos EUA tentou abordar o Bella 1 no mês passado no Caribe, quando se acreditava que ele estivesse se dirigindo para a Venezuela. Havia um mandado para apreender o navio.
Em seguida, o navio mudou drasticamente de rumo — e também seu nome, para Marinera. Acredita-se que a bandeira do navio também mudou de Guiana para Rússia.
Segundo a rede americana CBS News, a Rússia havia mobilizado nesta semana recursos navais para escoltar o petroleiro. A Rússia afirmou estar "monitorando com preocupação" a situação em torno do navio.
Duas imagens divulgadas pela emissora estatal russa RT mostravam um helicóptero próximo a um navio que parece ser o Marinera.
Características visíveis nas imagens da embarcação, incluindo a posição da janela e a cor branca e verde da estrutura metálica, são consistentes com imagens de satélite e de domínio público do Marinera, segundo verificação da BBC junto a especialistas.
Acredita-se que o Marinera estivesse entre a Escócia e a Islândia na noite de terça-feira, com a distância e o clima dificultando uma abordagem.
Os dados de rastreamento do petroleiro sugerem que ele estava no Atlântico Norte, aproximadamente 2 mil km a oeste da Europa continental na terça-feira. Na quarta-feira, o navio estava a 200 km ao sul da Islândia.
De acordo com o direito internacional, os navios que carregam a bandeira de um país estão sob a proteção dessa nação, mas Dimitris Ampatzidis, analista sênior de risco da empresa de inteligência marítima Kpler, disse à BBC que mudar o nome e a bandeira do navio pode não mudar muita coisa.
"A ação dos EUA é motivada pela identidade subjacente do navio [número IMO], redes de propriedade/controle e histórico de sanções, não por suas marcas pintadas ou bandeira", disse ele.
Ampatzisdis acrescentou que a mudança para o registro russo pode causar "atrito diplomático", mas não impediria qualquer ação de fiscalização dos EUA.
Antes da abordagem americana ao navio, o ministério das Relações Exteriores da Rússia havia dito que "nosso navio está navegando nas águas internacionais do Atlântico Norte sob a bandeira estatal da Federação Russa e em total conformidade com as normas do direito marítimo internacional".
"Por razões que nos são obscuras, o navio russo está recebendo atenção crescente e claramente desproporcional por parte de militares dos EUA e da Otan, apesar de seu status pacífico", afirmou o ministério.
"Esperamos que os países ocidentais, que declaram seu compromisso com a liberdade de navegação em alto-mar, comecem a aderir a esse princípio também."
O potencial impasse em relação ao petroleiro ocorre dias depois de os EUA terem surpreendido o mundo com a prisão de Nicolás Maduro em Caracas. Os EUA bombardearam alvos na cidade durante a operação para extrair Maduro e sua esposa sob suspeita de crimes relacionados a armas e drogas.

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