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EUA x Irã: quem mais perdeu e ganhou na guerra até agora? Negociação de paz começa hoje no Paquistão

Apesar das narrativas de vitória, no entanto, os dois lados contabilizam perdas e ganhos assimétricos em áreas estratégicas, políticas, econômicas e, principalmente, militares.

Confira abaixo ganhos e perdas de EUA e Irã no conflito:

  1. Âmbito militar
  2. Economia
  3. Âmbito político
  4. Campo estratégico

Destroços em Isfahan, no Irã, do que Teerã afirma serem de aeronaves militares dos EUA. — Foto: Divulgação/Guarda Revolucionária do Irã

Numericamente, o Irã, alvo do maior número de bombardeios desde o início da guerra, sofreu mais baixas militares. Segundo o Pentágono, os ataques dos EUA e de Israel ao Irã

  • Mataram mais de 1.165 militares iranianos;
  • Atingiram mais de 2.000 alvos, entre eles 450 instalações de armazenamento de mísseis balísticos e 800 instalações de armazenamento de drones de ataque;
  • Destruíram 51 aeronaves e 27 navios militares;
  • Destruíram cerca de 80% dos sistemas de defesa aérea do Irã.

As Forças Armadas dos EUA, no entanto, não saíram ilesas da guerra. O balanço de baixas militares norte-americanas inclui:

  • 13 militares mortos;
  • Mais de 300 feridos;
  • Dez aeronaves destruídas ou derrubadas.

Embora significativas, as baixas não inviabilizaram a capacidade de retaliação do Irã, na avaliação do professor da Escola Superior de Guerra, Ronaldo Carmona.

"Por certo há uma degradação das capacidades militares do Irã. Contudo, a capacidade de retaliação do Irã segue elevada, como Teerã seguiu demonstrando na fase final da guerra, antes do cessar fogo", disse.

➡️ Contexto: além das perdas de militares, a guerra traz um enorme custo humano. Há registros de mortes de civis no Irã, em Israel, no Líbano (arrastado para o conflito entre Israel e o Hezbollah) e em alguns países do Golfo Persico.

Em termos econômicos, as perdas imediatas foram bem maiores que os ganhos em ambos os lados.

Só nos 12 primeiros dias de guerra, os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 16,5 bilhões (cerca de R$ 82,5 bilhões) em mísseis, drones e bombas, segundo projeções do Centro de Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS), de Washington.

O país também contabiliza perdas de cerca de US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 7 bilhões) em danos iniciais.

Para o Irã, no entanto, as consequências na economia devem pesar mais no pós-guerra. O país, que já vinha de anos de uma economia cambaleante, deve encarar um período de cerca de 15 anos de reconstrução ao custo estimado de US$ 600 bilhões (cerca de R$ 3 trilhões), segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O gasto, segundo as projeções, seria necessário para cobrir a reconstrução de usinas e infraestruturas destruídas.

Donald Trump e aiatolá Ali Khamenei. — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / VARIOUS SOURCES / AFP

Do lado iraniano, a baixa também foi a mais visível: já no primeiro dia de ataques, o aiatolá Ali Khamenei, então líder supremo do país e autoridade máxima iraniana por quase 40 anos, foi morto em uma das ofensivas.

Além de Khamenei, outros 15 integrantes do regime iraniano também foram alvejados e mortos.

Em uma transição improvisada, o conselho dos aiatolás elegeu o filho de Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, para substituí-lo. Mas o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o novo líder supremo foi fortemente atingindo em um ataque que matou também toda a sua família. Desde que assumiu o poder, Khamenei ainda não apareceu em público.

Mas a guerra deixou também um rastro de desgaste político para Trump, que terá um enorme trabalho para tentar reconquistar apoio dos norte-americanos.

Uma pesquisa publicada no fim de março apontou que a guerra no Irã derrubou a aprovação do presidente dos EUA ao menor nível desde o início de seu 2º mandato na Casa Branca.

A própria base de Trump também vem se mostrando descontente. A ex-deputada Marjorie Taylor Greene, que apoiava Trump, pediu a destituição do presidente com base na 25ª Emenda da Constituição, após ele ter dito, no início da semana, que “toda uma civilização morrerá esta noite” a menos que o Irã fizesse um acordo.

➡️ Contexto: a 25ª Emenda da Constituição dos EUA é um o instrumento legislativo que pode ser invocado quando o presidente se mostra incapaz de desempenhar suas funções por uma doença física ou mental. A remoção do mandatário necessita da aprovação da maioria de dois terços do Congresso -- 67 senadores e 290 representantes.

Megyn Kelly, ex-apresentadora da Fox News, também criticou duramente Trump com palavrões e questionou, em seu programa de podcast: "Ele não pode simplesmente se comportar como um ser humano normal?".

"Trump conseguiu fazer o planeta girar em torno de seu eixo, mas a manobra terá um preço alto: o de recuperar a credibilidade dos EUA e a sua própria. Seus ultimatos e prenúncios do apocalipse passarão a ter valor reduzido no mercado da barganha", escreveu a colunista de Mundo do g1, Sandra Cohen.

Para capitalizar a guerra, Trump também vem apostando na narrativa de que houve troca de regime no Irã após seus ataques. Mas, embora, enfraquecido, o regime dos aiatolás permanece controlando o país.

“Não houve uma mudança completa de regime no Irã. Para todos os efeitos, o regime dos aiatolás continua existindo e não foi derrubado nem ao ser atacado pela maior potência militar do mundo e pela maior potência militar do Oriente Médio, que é Israel”, declarou Marcelo Lins, comentarista de notícias internacionais da Globonews em entrevista ao podcast O Assunto.

Irã acusa Israel de violar acordo de cessar-fogo e decide bloquear novamente o Estreito de Ormuz — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

No campo estratégico, o Irã contabiliza ganhos mais vantajosos, diz o professor da Escola Superior de Guerra Ronaldo Carmona. O país ganhou força ao perceber o ativo geopolítico do Estreito de Ormuz, que controla. E conseguiu sobreviver e até revidar intensos ataques das poderosas Forças Armadas dos EUA e de Israel.

“Vale observar que o Irã tira proveito de sua geografia, constituindo instalações militares e fábricas de mísseis e drones encravadas nas montanhas”, disse Carmona ao g1.

Do lado dos Estados Unidos, os analistas avaliam que Donald Trump não só luta agora para achar meios de deixar a guerra como não alcançou o principal objetivo que ele mesmo afirmou buscar ao atacar o Irã: destruir o programa nuclear iraniano.

O governo iraniano já afirmou diversas vezes que não abrirá mão de seu programa de enriquecimento de urânio.

"Objetivamente, as metas traçadas pelo governo americano para justificar a ofensiva militar não parecem ter sido alcançadas. Embora combalido com a morte de figuras proeminentes, o regime foi preservado sob uma liderança ainda mais intransigente, diferentemente do que Trump faz crer, de que negocia com atores 'mais razoáveis'", analisa Sandra Cohen.

Para o professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas e da FAAP Vinícius Rodrigues, a perda estratégica dos Estados Unidos pode até definir o "declínio da potência americana e de modo irreversível".

"As consequências de longo prazo desse conflito parecem que vão continuar. [...] Temos um momento definidor de declínio americano", afirmou Vinícius Rodrigues, em entrevista ao GloboNews Em Ponto.

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