A decisão teve um voto contrário
Redação
18/03/2026 15:50
| Atualizado
18/03/2026 15:51
Assim como fez na sua última reunião no fim de janeiro, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) decidiu manter os juros inalterados nos Estados Unidos na faixa de 3,5% e 3,75%. Porém, desta vez o colegiado obteve apenas um voto dissonante dos demais, ao invés dos dois do encontro passado. Stephen Miran votou contrariamente por preferia reduzir a meta em 0,25 ponto percentual. Os onze restantes, incluindo o presidente Jerome Powell, foram favoráveis. De acordo com o comunicado emitido pelo Fed, os indicadores disponíveis sugerem que a atividade econômica tem se expandido a um ritmo sólido. "A criação de empregos tem permanecido baixa e a taxa de desemprego apresentou pouca variação nos últimos meses. A inflação permanece um tanto elevada. A incerteza quanto às perspectivas econômicas permanece elevada. As implicações dos acontecimentos no Oriente Médio para a economia dos Estados Unidos são incertas", lista a nota emitida depois da reunião.
Para Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos, o que realmente chama atenção agora no comunicado é o cenário de pressões inflacionárias que voltaram a ganhar força com a alta do petróleo, impulsionada pela guerra com o Irã. Para o especialista, a decisão não unânime revela que há divergências internas relevantes. "O próprio comunicado reforça esse cenário de incerteza ao mencionar que os desdobramentos no Oriente Médio ainda são imprevisíveis para a economia americana, e que o comitê segue atento aos riscos relacionados ao seu duplo mandato como inflação e emprego. Além disso, o texto aponta que a criação de vagas tem sido fraca e que a taxa de desemprego pouco se alterou", aponta Correia.
"Esse ponto é crucial. Em teoria, um mercado de trabalho mais fraco deveria aliviar a inflação, mas não é isso que estamos vendo nos Estados Unidos. Pelo contrário, o cenário se torna ainda mais preocupante quando somado à pressão do petróleo. Ou seja, há um claro descompasso entre atividade e inflação, o que complica e muito a condução da política monetária", opina. No mercado, a reação ao posicionamento do Fed foi praticamente nula. "Bolsa e dólar seguiram exatamente na mesma dinâmica de antes da decisão, o que reforça o quanto esse movimento já estava precificado. Nada mudou no curto prazo", destaca Correia.

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