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Fim da escala 6x1 levanta dúvidas sobre preços, salários e empregos

Os supermercados podem continuar abrindo [todos os dias da semana], desde que reorganizem escalas, contratações e folgas para cumprir os dois dias de descanso semanal ou as regras específicas aplicáveis.
Diogo Carneiro, professor na Fipecafi

Redução das escalas vai afetar a produtividade do Brasil?

Produção dependerá da capacidade de adaptação das empresas. Carneiro estima que o impacto inicial pode ser sentido em empresas com a operação dependente de turnos contínuos. Ele, entretanto, ressalta que a redução do fluxo não é uma realidade. "Empresas podem reorganizar turnos, reduzir ociosidade, melhorar processos, contratar pontualmente ou elevar a produtividade por hora", diz o professor ao citar um estudo da OIT (Organização Internacional do Trabalho) que associa jornadas longas a menores ritmos de produção.

O impacto dependerá muito da capacidade de cada empresa de aumentar a produtividade por hora trabalhada e reorganizar suas operações. Indústrias mais automatizadas tendem a sentir menos os efeitos da mudança. Outros setores podem precisar ampliar equipes, reorganizar escalas, absorver custos adicionais e enfrentar quedas temporárias de produção até a adaptação.
Antonio Carlos Santos, presidente do Sescon-SP

No médio prazo, a redução da exaustão tende a favorecer produtividade, engajamento e retenção de talentos. [...] Trabalhadores mais descansados apresentam maior capacidade de concentração, menor propensão a erros, melhor regulação emocional e mais disposição para cumprir metas. Isso reduz afastamentos, turnover e custos invisíveis associados ao adoecimento, à baixa produtividade e à rotatividade.
Soraia Pena, psicóloga organizacional de relações do trabalho

Competitividade internacional do Brasil será prejudicada?

Especialistas descartam efeito da escala 5x2 com pares internacionais. Eles apontam que a alteração prevista alinha o mercado brasileiro com práticas globais. "Não existe risco de perder competitividade internacional, porque esse é o caminho que os países estão adotando", afirma Beni. "Vários países concorrentes já operam com jornadas de 40 horas ou menos, o que reduz a força do argumento de que a mudança, isoladamente, tornaria o Brasil menos competitivo", reforça Carneiro.

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