O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) selou neste domingo (3) a reaproximação com o pastor Silas Malafaia, que indicou apoio à sua candidatura à Presidência durante culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), na Penha, zona norte do Rio.
Antes do início da cerimônia, Flávio e aliados se reuniram com Malafaia em uma sala reservada por um período prolongado. Ao deixar o local, o senador afirmou que estava ali para receber uma oração do pastor.
O culto reuniu nomes do entorno político do pré-candidato, como o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ), o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, o deputado estadual Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj, e o ex-prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).
Durante a cerimônia, eles se sentaram juntos na primeira fileira, participaram da ceia e acompanharam os momentos de louvor, em um culto com igreja lotada. O grupo também foi chamado ao altar por Malafaia para uma oração conjunta, de joelhos, acompanhada por aplausos dos fiéis.
O ambiente foi de alinhamento político, mas sem demonstrações intensas de emoção entre os presentes. Uma exceção foi o próprio Malafaia, que demonstrou emoção ao mandar um recado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que não pode manter contato com ele por decisão judicial.
Entre os políticos, Castro destoou do restante do grupo. Católico e ligado à igreja de sua tradição, ele participou da cerimônia com postura mais discreta.
Ao longo do culto, Malafaia fez críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes, afirmando ser alvo de perseguição política após se tornar réu na corte. Também defendeu a atuação política das igrejas. "Faça a sua escolha. Paixão política ou seus princípios baseados em Deus?", disse, sendo aplaudido.
Ao final, o pastor disse abençoar a trajetória de Flávio, em um gesto interpretado por aliados como sinal de apoio à sua pré-candidatura.
O encontro marca uma reaproximação entre Malafaia e Flávio, após meses de declarações públicas em que o pastor demonstrou reservas ao nome do senador para a disputa presidencial, chegando a dizer que ele não tinha musculatura para a disputa.
Na saída do evento, Flávio afirmou que a relação entre os dois "sempre foi respeitosa, de amizade" e disse ter saído fortalecido. "É um líder nosso, uma pessoa que eu ouço bastante. Saio daqui ainda mais forte para continuar minha caminhada junto com ele", declarou.
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"Está claro que o pastor vai caminhar e ajudar no momento certo. Essa união fortalece ainda mais a candidatura", disse Sóstenes.
A movimentação ocorre em meio à estratégia do PL de consolidar sua base no Rio de Janeiro, um dos principais redutos do bolsonarismo. O partido aposta na articulação com lideranças religiosas e políticas para ampliar o alcance da candidatura de Flávio.
Levantamento do Datafolha realizado em abril mostra que o senador tem desempenho mais forte entre evangélicos, embora o apoio no segmento ainda não seja unânime.

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