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Profissionais do mercado financeiro são volúveis, tanto se apaixonam por condutores da política econômica como os repelem sem base em fatos. Essa é uma das conclusões que se pode tirar da rodada mais recente de uma pesquisa que, desde março, periodicamente, procura medir o sentimento de gestores financeiros em relação aos rumos da economia e ao desempenho do governo.
A pequena amplitude da pesquisa impõe cautela na análise de seus resultados. Em sua terceira edição em 2023, realizada entre os dias 6 e 10 de julho, a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (12), colheu apenas 94 respostas a um questionário enviado online a profissionais do mercado financeiro de São Paulo e Rio de Janeiro. Mas, apesar do número restrito de respostas, a pesquisa, uma amostra estruturada e periódica, permite medir o pulso de uma parcela influente de formadores de opinião.
Virada na avaliação do governo
Foi uma virada radical na opinião da Faria Lima, a região de escritórios em São Paulo, que reúne as gestores de investimentos financeiros, e que se tornou símbolo de um pensamento econômico ortodoxo e mais à direita do espectro político.
Em março, quando a primeira pesquisa Genial/Quaest foi realizada, ninguém, zero, no estrato pesquisado, avaliava positivamente o recém-instalado governo Lula. Ainda em maio, apenas 2% avaliavam o governo como positiv
No levantamento de julho, realizado entre os dias 6 e 10, divulgado nesta quarta-feira (12), contudo, os que consideravam o governo como positivo já somavam 20%. E menos da metade — 44% — mantinha impressão negativa.
Haddad sustenta avaliação positiva
Os números do levantamento permitem observar, por exemplo, que a mudança para melhor na avaliação do desempenho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é o que sustenta o crescimento da avaliação positiva do do governo Lula. Haddad, que só tinha 10% de avaliações positivas em março, hoje é bem avaliado por 65% dos consultados, ou seja, dois em cada três dos pesquisados consideram positiva a atuação do ministro. O número mais do que dobrou em relação a maio.
Também mudou para melhor a avaliação das perspectivas da economia. Se ainda metade acha que a política econômica está indo na direção errada, em março havia praticamente unanimidade nessa avaliação negativa. Também cresceu — e muito — o otimismo em relação às expectativas para os próximos 12 meses. Eram só 6% os que achavam que a economia melhoraria, agora já é a maioria — 53% dos que responderam à pesquisa
No mais, o levantamento confirma o que se sabe sobre como o pessoal da Faria Lima avalia as políticas econômicas e seus executores. Os gestores financeiros acharam correto manter a taxa básica de juros (taxa Selic) em 13,75% em junho, mas há unanimidade de que cairá em 2023 e 98% dos pesquisados acha que o ciclo de cortes começa em agosto, com uma redução de 0,25 ponto.
Bolsonarismo sem Bolsonaro
Chama a atenção a entrada de Haddad no grupo dos políticos em que a Faria Lima mais confia. Os heróis do pessoal do mercado financeiro são o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e os governadores Tarcisio de Freitas, de São Paulo, e Romeu Zema, de Minas Gerais, expoentes da direita política e do bolsonarismo às vezes envergonhado.
Já Lula e Bolsonaro formam dupla no grupo em que os gestores financeiros menos confiam, do qual também fazem parte o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, e o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates.
Interessante notar a aparente contradição entre aceitação de Haddad e a rejeição de Lula, a quem, afinal, o ministro da Fazenda, tem de prestar obediência. Mas é nessa divergência que se pode encontrar elementos para entender a virada de posição do mercado financeiro.
A chave da resposta pode estar no antipetismo e no antilulismo encruado na Faria Lima — assim como parece aflorar um bolsonarismo sem Bolsonaro. Somado a uma visão econômica rasa e preconceituosa, foi esse sentimento que fez os gestores do mercado financeiro abraçarem, na inauguração do governo Lula, um pessimismo exagerado sem base na realidade e uma rejeição sem motivos a Haddad. Com perspectivas concretas de um menor ritmo de crescimento na atividade econômica, nos próximos trimestres, depois da surpresa positiva do primeiro trimestre, o otimismo que agora aparece também carece de sustentação mais robusta.

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4 dias atrás
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