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Há 19 minutos
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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, fez sua primeira visita oficial ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, nesta terça-feira (3/2).
O encontro, muito aguardado após meses de tensões diplomáticas entre os dois líderes, aconteceu a portas fechadas, sem a presença da imprensa — algo incomum, mas não inédito — e declarações conjuntas ao final.
Nesta tarde, os dois se falaram por cerca de duas horas na Casa Branca e discutiram temas centrais como o combate ao tráfico de drogas, sanções e a situação da Venezuela.
Após a reunião, eles trocaram elogios e disseram que a conversa foi cordial.
"Nos demos muito bem. Ele e eu não éramos exatamente melhores amigos. Mas não me senti insultado, porque não o conhecia", disse Trump em conversa com a imprensa no Salão Oval.
Petro, por sua vez, disse que foi uma honra estar nos Estados Unidos e afirmou gostar de "gringos francos" ao ser questionado se Trump lhe havia causado boa impresssão.
Ele também defendeu a possibilidade de fazer "um pacto entre forças opostas" e destacou o simbolismo do encontro.
"O presidente dos Estados Unidos recebeu um presidente latino-americano em sua residência, e discutimos problemas específicos e caminhos conjuntos para resolvê-los", afirmou.

Crédito, Gustavo Petro/X
Após a reunião, Petro ainda usou as redes sociais para divulgar imagens de presentes recebidos de Trump.
Em uma publicação no X, compartilhou a foto de um exemplar do livro Trump: A Arte da Negociação, com uma dedicatória escrita pelo presidente americano. "Você é ótimo", escreveu Trump em inglês, acompanhado de sua assinatura.
O presidente colombiano também divulgou uma segunda foto com uma mensagem enviada por Trump junto a uma foto dos dois no Salão Oval. No texto, o presidente dos Estados Unidos escreveu: "Gustavo, uma grande honra. Amo a Colômbia".

Crédito, Gustavo Petro/X
Lista de chefões do narcotráfico
Em coletiva de imprensa na Embaixada da Colômbia em Washington, Gustavo Petro afirmou ter entregado a Donald Trump uma lista com os nomes das pessoas que considera "os chefões dos chefões" do narcotráfico internacional.
O presidente colombiano declarou que esses chefes do crime organizado não operam em áreas rurais nem portam fuzis, mas "vivem em Dubai, Madri, Miami" e administram seus bens fora da Colômbia.
Embora não tenha dado detalhes sobre a quem se referia, ele afirmou que seus nomes "são conhecidos pelas agências americanas" e que devem ser perseguidos por meio da colaboração internacional de inteligência.
O narcotráfico foi um dos principais temas discutidos no encontro. Petro afirmou ter notado uma "confusão" do presidente americano sobre o assunto.
"Diferentes perspectivas sobre o problema, algumas agressivas, outras talvez mais construtivas", disse.
Nesse contexto, Petro defendeu uma estratégia antidrogas centrada em atacar as estruturas financeiras e logísticas do narcotráfico, e não apenas os elos armados.
Como exemplo do que chamou de abordagem estratégica, ele mencionou que, em coordenação com a inteligência naval colombiana e a DEA, foram apreendidas recentemente 15 toneladas de cocaína em dois dias, incluindo a interceptação de um submarino próximo às Açores, ressaltando que "ninguém morreu" nessas operações.
No âmbito econômico, Petro defendeu a reabertura e revitalização das fronteiras como instrumento para combater o narcotráfico.
Ele lembrou que o comércio legal entre Colômbia e Venezuela aumentou significativamente após a reabertura da fronteira, e que "quando a fronteira estava fechada, a mercadoria mais comercializada entre os dois países era a cocaína"
A Venezuela também foi um dos assuntos do encontro.
Petro afirmou ter percebido sinais de "otimismo" mesmo em um contexto que ele classificou como de "profunda tensão" entre os EUA e a América Latina.
"Analisamos como a Venezuela poderia ser reativada com a ajuda da Colômbia, ao longo de sua fronteira, em sua vizinhança... E qual o papel dos EUA."
A relação conflituosa entre Trump e Petro
O presidente Gustavo Petro conseguiu viajar para os EUA graças a um visto especial de cinco dias concedido pelo Departamento de Estado.
Durante o discurso, Petro criticou Israel e os EUA por seu papel na guerra em Gaza.
Na época, o Departamento de Estado descreveu as palavras de Petro como "uma ação imprudente e inflamatória".
Semanas depois, Petro, juntamente com sua esposa, Verónica Alcocer, seu filho mais velho, Nicolás Petro, e o Ministro do Interior, Armando Benedetti, foram sancionados e adicionados à chamada "Lista Clinton" pelo Departamento do Tesouro dos EUA.
Essa lista inclui indivíduos designados por Washington como suspeitos de envolvimento com o narcotráfico.
Em entrevista após o encontro, Petro negou que tenha falado com Trump sobre as sanções.

Crédito, Reuters
Desde que Trump retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, sua relação com Petro tem sido turbulenta.
Em pouco mais de um ano, eles entraram em conflito público sobre políticas de imigração, o combate às drogas e a situação na Venezuela.
Em setembro do ano passado, Washington retirou a certificação de aliado antidrogas da Colômbia pela primeira vez em três décadas e retirou subsídios e pagamentos ao país.
Na ocasião, Trump acusou Petro de não fazer o suficiente para impedir que a cocaína colombiana chegue às ruas dos Estados Unidos e o chamou de "traficante de drogas" em uma publicação na rede social Truth Social.
Petro respondeu, em um post no X, afirmando que o presidente americano estaria sendo "enganado por seus assessores".
"Recomendo que Trump observe a Colômbia com atenção e determine de que lado estão os narcotraficantes e de que lado estão os democratas."
A troca de farpas aconteceu após Petro acusar Washington de violar a soberania colombiana e supostamente matar um pescador colombiano durante um ataque realizado contra uma embarcação em águas territoriais colombianas.
No início janeiro, após a captura de Nicolás Maduro durante uma operação militar em Caracas, Trump voltou a atacar e disse que uma ação semelhante na Colômbia "seria uma boa ideia".
Petro respondeu insinuando uma disposição para pegar em armas novamente, se referindo ao seu passado como guerrilheiro, e convocou grandes marchas pela soberania colombiana.
Foi durante a marcha em Bogotá que ele anunciou ter conversado com Trump e que se encontrariam na Casa Branca.
Com informações de José Carlos Cueto, correspondente da BBC Mundo na Colômbia.

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