Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, cumprimento o presidente Lula

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    • Author, Iara Diniz
    • Role, Da BBC News Brasil em São Paulo
  • Há 22 minutos

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O tratado, que deve criar a maior área de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 700 milhões de pessoas, foi considerado um marco econômico e geopolítico, embora já tenha gerado tensões e protestos em diversos países.

O jornal The New York Times, um dos principais veículos americanos, destacou o "forte contraste" entre o acordo e a agressividade intensificada do governo de Donald Trump na última semana — quando atacou a Venezuela e prendeu o então presidente Nicolás Maduro, além de fazer ameaças à Colômbia, a Cuba e à Groenlândia.

"Enquanto a Europa trabalhava para estender uma era de colaboração econômica, os Estados Unidos, seu antigo aliado próximo, demonstraram que preferiam a coerção à cooperação", afirmou.

"Em certa medida, a abordagem agressiva de Trump e sua adoção de guerras comerciais ajudaram a selar um acordo entre a União Europeia."

O site Politico.eu tratou o acordo como "uma grande vitória geopolítica", diante do crescimento da influência da China na América Latina e a intensificação de tarifas americanas.

"O tratado surge em um momento em que tanto a Europa quanto países como o Brasil buscam maior previsibilidade", destacou.

Reportagem do New York Times sobre Mercosul com foto de Lula e presidente da Comissão Europeia

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Legenda da foto, New York Times destacou que acordo representa um "impulso para uma cooperação global mais profunda", em contraste com a política dos Estados Unidos

O tratado foi definido pelo espanhol El País como "joia da coroa" da política europeia, devido a sua importância para reforçar a credibilidade da União Europeia como ator internacional.

"A UE está em jogo por algo mais do que um acordo de livre comércio; está sobre a mesa a sua credibilidade como ator internacional com o qual é possível chegar a acordos, bem como a ampliação do leque de alianças geoeconômicas em meio ao terremoto no cenário internacional provocado pela captura à força de Nicolás Maduro há apenas seis dias."

O também espanhol El Mundo pontuou que o tratado Mercosul–União Europeia é um "importante impulso" para alguns líderes europeus, incluindo a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen.

"O pacto representa um importante impulso para Von der Leyen, que nos últimos meses não fez outra coisa senão enfrentar contratempos e fracassos. E também para o chanceler alemão, Friedrich Merz, e para o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez. Esses três são os líderes que mais apostaram neste acordo."

Ao mesmo tempo, o tratado não é isento de controvérsias dentro da própria Europa. O Irish Times destacou que o acordo abrirá um mercado amplo para produtores europeus, mas já enfrenta resistência significativa de agricultores, especialmente no setor de carnes.

"O temor é que produtores locais sejam prejudicados por carne mais barata, proveniente principalmente do Brasil e da Argentina, que pode não seguir os rigorosos padrões ambientais exigido."

Enquanto o britânio The Guardian destacou o "aumento de tensões" com agricultores e ambientalistas de algumas regiões, como França, Polônia, Grécia e Bélgica.

Reportagem do The Guardian

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Legenda da foto, Reportagem do The Guardian chamou acordo de controverso, destacou protestos em países da Europa

Na América Latina, o acordo também teve repercussão.

O jornal argentino Clarín considerou o acordo como "um sinal positivo para a Argentina em termos estratégicos". Segundo o veículo, o tratado com a União Europeia "permitirá que a Argentina expanda seus mercados e posicione seus produtos globalmente".

"Haverá eliminação de tarifas para muitos setores produtivos, regras mais claras e uma plataforma para integração no mercado global."

Já uruguaio El Observador afirmou que a aprovação do acordo é "histórica", ressaltando as reações positivas de políticos uruguaios nas redes sociais, que chamaram a oportunidade de "extraordinária" e "fabulosa" nas redes sociais.