A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado (18) que embarcações e seus proprietários devem seguir as notícias divulgadas pela própria Marinha, e que as declarações do presidente dos EUA, Trump, sobre o Estreito de Ormuz "não têm validade"
O Irã reverteu neste sábado (18) a decisão de reabrir o Estreito de Ormuz e mais uma vez reimpôs restrições à via navegável. A decisão foi comunicada pela primeira vez por um porta-voz militar à agência estatal iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária do país.
De acordo com a agência de notícias Reuters, embarcações mercantes foram avisadas pela marinha iraniana, via rádio, que o Estreito de Ormuz está fechado novamente e que nenhum navio está autorizado a passar.
O porta-voz do Quartel-General Central Khatam al-Anbia afirmou que a passagem segue sob controle rigoroso das Forças Armadas iranianas e que continuará bloqueando o trânsito pelo estreito enquanto o bloqueio americano aos portos iranianos permanecer em vigor.
Em um post na rede Truth Social, Trump afirmou que só retirará suas tropas da rota depois que as negociações com o Irã estiverem "100% concluídas", mas que o estreito "está completamente aberto e pronto para negócios e livre tráfego".
🔎 Contexto: o estreito é uma das principais vias marítimas para o comércio global de petróleo. A interrupção do transporte pelo canal nas últimas semanas fez os preços da commodity dispararem no mercado mundial.
Mais cedo, dados do site de monitoramento do transporte marítimo Kpler já mostravam que a circulação pelo estreito havia sido retomada. Três petroleiros iranianos deixaram o Golfo do Irã , transportando 5 milhões de barris de petróleo bruto, os primeiros carregamentos desse tipo desde o bloqueio dos EUA aos portos iranianos, na segunda.
Bloqueio ao Estreito de Ormuz — Foto: Editoria de Arte/g1
Relembre o impasse em Ormuz
Desde o início da atual guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o Irã fechou a passagem pelo Estreito de Ormuz, a única via de saída pelo mar do Golfo Pérsico, onde ficam grandes produtores de petróleo. Pelo estreito, costumam circular navios transportando cerca de 20% de todo o petróleo e gás consumidos no mundo.
A via marítima fica entre os territórios do Omã e do Irã, e sua largura não ultrapassa os 35 quilômetros em alguns trechos, o que facilita o controle por parte dos dois países.
O Irã detém a maior parte do território que margeia o estreito, e, em retaliação aos ataques dos Estados Unidos e de Israel, ameaçou atacar qualquer navio que cruzasse o estreito, disparando contra alguns deles e implementando minas navais.

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