A deterioração da situação vinha sendo monitorada havia meses por autoridades israelenses e por organizações judaicas envolvidas com a imigração etíope, que já vinha ocorrendo nos anos anteriores, mas em outro ritmo. Na época da operação, já havia o alerta para a necessidade de um plano de emergência para proteger e evacuar a comunidade do país africano.
O gatilho final veio quando ficou claro que não haveria tempo para uma saída gradual. O plano original previa que a evacuação ocorreria entre dez e 15 dias, mas o plano foi comprimido primeiro para 48 horas e acabou concluído em 36.
Como a ponte aérea foi montada

Diante do risco iminente devido ao avanço do conflito no país, os judeus etíopes precisaram ser evacuados. Militares israelenses atuaram sem uniforme, enquanto comboios levavam os resgatados até o aeroporto, de onde partiam para Israel.
O total de voos e aeronaves empregadas varia, sendo as fontes mais confiáveis trazendo números entre 34 e 35 aviões usados para realizar 40 voos contínuos. Independentemente do número exato, não havia margem para erros.
A frota reuniu aviões militares, como os C-130 Hercules e Boeing 707 usados pela Força Aérea israelense, e aeronaves da El Al adaptadas para transportar mais pessoas do que em uma configuração comercial comum. Para ampliar a capacidade, assentos foram retirados do interior de alguns aviões. Mesmo com o risco de os passageiros se machucarem, o perigo era maior se fossem deixadas para trás ou demorassem a sair da Etiópia.
Voo recordista
Foi nesse contexto que um dos Boeing 747 da El Al se tornou o retrato mais conhecido da Operação Salomão. O avião decolou com mais de mil pessoas a bordo e se consolidou como o voo mais lembrado da missão, tanto pelo ineditismo operacional quanto pela dimensão simbólica de concentrar em uma única decolagem parte do drama e da urgência daquele fim de semana.
Os números ligados a esse voo também variam de acordo com a fonte. O Guinness World Records, o livro dos recordes, registra 1.088 pessoas a bordo.
Esse número pode ser maior, já que crianças não registradas poderiam estar a bordo, estimando que esse total chegaria a 1.122. Curiosamente, o voo decolou com um número de passageiros a bordo e pousou com dois bebês a mais, já que eles nasceram dentro do avião em pleno ar.
Resgate nada improvisado

Embora a operação tenha sido executada sob enorme pressão, ela não nasceu do improviso absoluto. Ela foi uma verdadeira máquina para resgatar os milhares de etíopes, pousar com eles em Israel, recebê-los e acomodá-los na sequência.
Quando a guerra civil se agravou em 1991, uma relação diplomática prévia (mas recente) ajudou a transformar uma intenção política em uma retirada aérea em massa.
Outro ponto decisivo foi o financiamento acelerado da operação. As Forças de Defesa de Israel dizem que tiveram de ser levantados US$ 35 milhões quase da noite para o dia para pagar as autoridades da Etiópia pela autorização de saída dos judeus resgatados do país.
Como avião aguentou?
O Boeing 747 pode levar cerca de 600 passageiros. Esse limite é estipulado como padrão de segurança, e é definido como a quantidade de pessoas que podem sair do avião em até 90 segundos. Entretanto, para a missão humanitária, esse "detalhe" foi deixado de lado.
Para todos caberem, os assentos foram removidos, e os passageiros viajaram sentados no chão ou apoiados uns nos outros, e, também, não levavam bagagens.
Para o avião ficar mais leve, menos combustível foi utilizado. O Boeing 747 usado na missão pode voar quase 13 mil km com os tanques cheios, mas a distância entre a Adis Abeba e Israel é de cerca de 2.600 km. Como não voaria tanto tempo, poderia levar mais peso do que o habitual a bordo.
Pessoas mais magras que a média usada para estipular a quantidade padrão de passageiros favoreceram a maior quantidade a bordo. Era esperado que o avião levasse até 760 repatriados a bordo, mas, segundo as Forças de Defesa de Israel, muitos dos judeus etíopes estavam abaixo do peso, o que permitiu que mais deles fossem transportados naquele voo.

Contexto histórico
Em 1991, a Etiópia caminhava para o fim de uma guerra civil. O confronto teve início em 1974, com a deposição do imperador Haile Selassie, também chamado de Rás Tafari.
Nesse contexto, os judeus do país estavam em perigo. O risco era que rebeldes pudessem causar o extermínio dessa comunidade judaica no país, também chamada de Beta Israel.
Em março daquele ano, um diplomata israelense falou da necessidade de retirar os judeus do país. Uri Lubrani recomendou a elaboração de um plano de emergência para a evacuação da comunidade judaica na Etiópia.
O destino seria Israel devido à Lei do Retorno, uma legislação que permite a residência e a cidadania a qualquer judeu de qualquer parte do mundo que queira se estabelecer naquele país.
Reportagem
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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6 dias atrás
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