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Há 35 anos, Israel fez voo recorde em resgate de judeus etíopes de guerra

A deterioração da situação vinha sendo monitorada havia meses por autoridades israelenses e por organizações judaicas envolvidas com a imigração etíope, que já vinha ocorrendo nos anos anteriores, mas em outro ritmo. Na época da operação, já havia o alerta para a necessidade de um plano de emergência para proteger e evacuar a comunidade do país africano.

O gatilho final veio quando ficou claro que não haveria tempo para uma saída gradual. O plano original previa que a evacuação ocorreria entre dez e 15 dias, mas o plano foi comprimido primeiro para 48 horas e acabou concluído em 36.

Como a ponte aérea foi montada

Oficial israelense auxilia judeus etíopes repatriados na Operação Salomão após saírem do avião C-130 Hercules
Oficial israelense auxilia judeus etíopes repatriados na Operação Salomão após saírem do avião C-130 Hercules Imagem: Israeli Tsvika/Governo israelense

Diante do risco iminente devido ao avanço do conflito no país, os judeus etíopes precisaram ser evacuados. Militares israelenses atuaram sem uniforme, enquanto comboios levavam os resgatados até o aeroporto, de onde partiam para Israel.

O total de voos e aeronaves empregadas varia, sendo as fontes mais confiáveis trazendo números entre 34 e 35 aviões usados para realizar 40 voos contínuos. Independentemente do número exato, não havia margem para erros.

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A frota reuniu aviões militares, como os C-130 Hercules e Boeing 707 usados pela Força Aérea israelense, e aeronaves da El Al adaptadas para transportar mais pessoas do que em uma configuração comercial comum. Para ampliar a capacidade, assentos foram retirados do interior de alguns aviões. Mesmo com o risco de os passageiros se machucarem, o perigo era maior se fossem deixadas para trás ou demorassem a sair da Etiópia.

Voo recordista

Foi nesse contexto que um dos Boeing 747 da El Al se tornou o retrato mais conhecido da Operação Salomão. O avião decolou com mais de mil pessoas a bordo e se consolidou como o voo mais lembrado da missão, tanto pelo ineditismo operacional quanto pela dimensão simbólica de concentrar em uma única decolagem parte do drama e da urgência daquele fim de semana.

Os números ligados a esse voo também variam de acordo com a fonte. O Guinness World Records, o livro dos recordes, registra 1.088 pessoas a bordo.

Esse número pode ser maior, já que crianças não registradas poderiam estar a bordo, estimando que esse total chegaria a 1.122. Curiosamente, o voo decolou com um número de passageiros a bordo e pousou com dois bebês a mais, já que eles nasceram dentro do avião em pleno ar.

Resgate nada improvisado

Judeus etíopes durante repatriação na Operação Salomão
Judeus etíopes durante repatriação na Operação Salomão Imagem: Reprodução/El Al
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Embora a operação tenha sido executada sob enorme pressão, ela não nasceu do improviso absoluto. Ela foi uma verdadeira máquina para resgatar os milhares de etíopes, pousar com eles em Israel, recebê-los e acomodá-los na sequência.

Quando a guerra civil se agravou em 1991, uma relação diplomática prévia (mas recente) ajudou a transformar uma intenção política em uma retirada aérea em massa.

Outro ponto decisivo foi o financiamento acelerado da operação. As Forças de Defesa de Israel dizem que tiveram de ser levantados US$ 35 milhões quase da noite para o dia para pagar as autoridades da Etiópia pela autorização de saída dos judeus resgatados do país.

Como avião aguentou?

O Boeing 747 pode levar cerca de 600 passageiros. Esse limite é estipulado como padrão de segurança, e é definido como a quantidade de pessoas que podem sair do avião em até 90 segundos. Entretanto, para a missão humanitária, esse "detalhe" foi deixado de lado.

Para todos caberem, os assentos foram removidos, e os passageiros viajaram sentados no chão ou apoiados uns nos outros, e, também, não levavam bagagens.

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Para o avião ficar mais leve, menos combustível foi utilizado. O Boeing 747 usado na missão pode voar quase 13 mil km com os tanques cheios, mas a distância entre a Adis Abeba e Israel é de cerca de 2.600 km. Como não voaria tanto tempo, poderia levar mais peso do que o habitual a bordo.

Pessoas mais magras que a média usada para estipular a quantidade padrão de passageiros favoreceram a maior quantidade a bordo. Era esperado que o avião levasse até 760 repatriados a bordo, mas, segundo as Forças de Defesa de Israel, muitos dos judeus etíopes estavam abaixo do peso, o que permitiu que mais deles fossem transportados naquele voo.

Judeus etíopes a bordo do C-130 Hercules durante voo de repatriação na Operação Salomão
Judeus etíopes a bordo do C-130 Hercules durante voo de repatriação na Operação Salomão Imagem: Forças de defesa de Israel

Contexto histórico

Em 1991, a Etiópia caminhava para o fim de uma guerra civil. O confronto teve início em 1974, com a deposição do imperador Haile Selassie, também chamado de Rás Tafari.

Nesse contexto, os judeus do país estavam em perigo. O risco era que rebeldes pudessem causar o extermínio dessa comunidade judaica no país, também chamada de Beta Israel.

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Em março daquele ano, um diplomata israelense falou da necessidade de retirar os judeus do país. Uri Lubrani recomendou a elaboração de um plano de emergência para a evacuação da comunidade judaica na Etiópia.

O destino seria Israel devido à Lei do Retorno, uma legislação que permite a residência e a cidadania a qualquer judeu de qualquer parte do mundo que queira se estabelecer naquele país.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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