A mensagem, enviada a supervisores da divisão de Operações de Execução e Remoção do ICE na segunda-feira (23), diz que o “grande volume de novas contratações” e a demora nas verificações de antecedentes poderiam gerar incerteza para os escritórios de campo quando surgissem alegações relacionadas a ações anteriores à entrada no ICE, e que as alegações deveriam ser encaminhadas à Unidade Interna de Investigações de Integridade.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA, que inclui o ICE, afirmou em janeiro que contratou 12 mil novos agentes para se somar aos 10 mil já existentes.
O ritmo acelerado de recrutamento e contratações levantou questões sobre a seleção e a qualidade dos recrutas. Em carta enviada à Secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, no ano passado, o senador americano Dick Durbin afirmou que o aumento no número de agentes do ICE “provavelmente resultaria em um aumento da má conduta dos agentes”.
De acordo com um funcionário atual e um ex-funcionário do governo americano, ouvidos em condição de anonimato pela Reuters, alguns recrutas já em treinamento foram dispensados depois que tiveram seu passado criminal descoberto.
Em um caso ocorrido no ano passado, dois recrutas teriam sido identificados como suspeitos de pertencerem à gangue MS-13, com base em suas tatuagens, enquanto frequentavam a academia de treinamento na Geórgia. Pelo menos outros cinco recrutas teriam sido demitidos quando o ICE descobriu que havia mandados de prisão em aberto contra eles.
Segundo o funcionário do governo, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, pressionou fortemente, em teleconferências, para que o ICE atingisse metas ambiciosas de contratação antes do final do ano.
A postura truculenta dos agentes do ICE durante operações vem fazendo diminuir o apoio público à política de imigração de Trump nos últimos meses.
Departamento que comanda ICE é alvo de impasse no Congresso
Agente do ICE durante operação em Mineápolis, em 18 de janeiro de 2026 — Foto: REUTERS/Seth Herald
O impasse gira em torno de propostas da oposição para impor novas restrições em operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) e da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). Ambos atuam na fiscalização de imigrantes e na segurança das fronteiras.
Parte dos funcionários considerados “não essenciais” foi colocada em licença automaticamente.
Democratas, que fazem oposição ao governo de Donald Trump, querem que agentes federais de imigração sigam regras semelhantes às aplicadas a policiais locais nas operações. Isso traria limites mais claros para abordagens, prisões e operações.
Já os republicanos, de Trump, afirmam que as mudanças colocariam os agentes em risco. O presidente criticou os democratas e disse que é preciso “proteger as forças de segurança”, incluindo o ICE.

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