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Reunião nuclear decisiva entre EUA e Irã é pausada após 3h

Um carro em que se acredita estarem os negociadores norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner foi visto deixando o local, segundo a agência Associated Press.

Nenhum dos dois países se pronunciou de forma oficial sobre o resultado das negociações desta quinta até a última atualização desta reportagem.

Antes do encontro, o porta-voz do Ministério das Relações Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que o país negociaria "com seriedade e flexibilidade" e que apenas trataria a questão nuclear e a remoção de sanções. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, que mediou as conversas entre os dois países, disse que “os negociadores demonstraram uma abertura sem precedentes a ideias e soluções novas e criativas”.

A reunião desta quinta é encarada como decisiva, porque o presidente dos EUA, Donald Trump, deve decidir sobre um possível ataque ao país com base no resultado do encontro, segundo o jornal britânico "The Guardian".

O chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU que regula a energia nuclear mundialmente, Rafael Grossi, também esteve presente, segundo a agência de notícias AFP.

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta semana ver chances de um bom resultado e que o país busca um acordo justo com os EUA "o mais rápido possível". Já o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na quarta-feira esperar uma reunião produtiva e alertou que o governo iraniano terá “um grande problema” se resistir a discutir o alcance de seus mísseis balísticos.

A reunião desta quinta, ocorrida em Genebra, na Suíça, foi a terceira em menos de um mês na tentativa de fechar um acordo que limite ou encerre o programa nuclear iraniano. As negociações foram motivadas por uma pressão militar de Trump contra o regime do aiatolá Ali Khamenei. O presidente norte-americano ameaça atacar o Irã caso as negociações fracassem (leia mais abaixo).

  • Os EUA querem que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio, por temerem que o país busque construir uma bomba nuclear.
  • O governo iraniano, por sua vez, afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados à produção de energia.
  • O governo Trump também quer restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio a grupos armados no Oriente Médio.
  • O Irã defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e diz estar disposto a reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim de sanções.

A última reunião entre os dois países ocorreu em 17 de fevereiro, também em Genebra. Na ocasião, a delegação iraniana afirmou que houve progresso. A Casa Branca disse que o encontro representou “certo avanço”.

Nesta reportagem, você vai entender:

Donald Trump e aiatolá Ali Khamenei — Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / VARIOUS SOURCES / AFP

O jornal The Guardian publicou na segunda-feira (23) que Trump deve tomar uma decisão final sobre um ataque ao Irã com base na avaliação dos enviados Steve Witkoff e Jared Kushner após a reunião desta quinta com autoridades iranianas.

Já a CBS News informou que Trump tem demonstrado frustração com a limitação das opções militares disponíveis neste momento. Segundo a imprensa americana, o general Daniel Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, alertou o presidente para uma série de riscos.

  • Fontes ouvidas pelo The Washington Post disseram que os EUA podem enfrentar dificuldades devido ao estoque limitado de munição.
  • O arsenal estaria reduzido por causa do apoio americano aos conflitos envolvendo Israel e Ucrânia, segundo a reportagem.
  • O jornal afirmou ainda que Caine está preocupado com o risco de mortes de americanos, além de uma guerra generalizada.
  • Trump nega as informações.

O The New York Times informou que Trump considera um ataque mais limitado já nos próximos dias, caso avalie que as negociações não avançaram. Um bombardeio mais amplo, com o objetivo de derrubar Khamenei, ocorreria apenas nos próximos meses, se a pressão inicial não surtir efeito.

O Irã prometeu uma resposta “feroz” a qualquer tipo de ataque dos EUA, mesmo que seja limitado. O governo já indicou que pode atingir bases militares americanas no Oriente Médio.

“Não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, na segunda-feira.

O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o discurso do Estado da União no plenário da Câmara do Capitólio dos Estados Unidos — Foto: Kevin Lamarque/Reuters

Na terça-feira, Trump voltou a adotar um tom de ameaça contra o Irã durante o discurso do Estado da União no Congresso dos EUA. Ele relembrou os ataques realizados em junho de 2025 e afirmou que, na ocasião, as forças americanas destruíram um programa de armas nucleares iraniano.

  • Segundo o presidente, o Irã foi avisado para não retomar o programa. Ainda assim, declarou que o país “voltou a perseguir ambições nucleares”.
  • Trump também disse que o governo iraniano busca desenvolver mísseis capazes de atingir os Estados Unidos.
  • O norte-americano afirmou ainda que não permitirá que “o maior patrocinador do terrorismo no mundo” tenha uma arma nuclear.
  • Em resposta, o Irã classificou as acusações como “grandes mentiras” e acusou o governo Trump de promover uma “campanha de desinformação”.

Essa não foi a primeira vez que Trump ameaçou o Irã. Desde janeiro, o presidente afirma que pode optar por uma saída militar caso a diplomacia fracasse.

Na semana passada, o presidente sugeriu ter dado até 15 dias ao governo iraniano para avançar em um acordo. O prazo termina na primeira semana de março.

“Talvez tenhamos que dar um passo além. Ou talvez consigamos fechar um acordo. Vocês vão descobrir”, afirmou em 19 de fevereiro.

O porta-aviões USS Abraham Lincoln transitando pelo Estreito de Ormuz em 2019 — Foto: Zachary Pearson/U.S. Navy via AP

Diante da crise, em janeiro, Trump ordenou o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln para o Oriente Médio. Segundo o presidente, o objetivo era monitorar Teerã “de perto”. Antes, o navio participava de manobras no Mar do Sul da China.

  • As forças enviadas se somaram a navios de guerra e às bases militares já mantidas pelos EUA na região.
  • Ao todo, os norte-americanos controlam ao menos 10 bases em países vizinhos ao Irã e mantêm tropas em outras nove.

Imagens de satélite também registraram movimentações em bases militares dos EUA no Oriente Médio, com reforço aéreo e posicionamento de mísseis. Há ainda relatos do envio de aeronaves para a Europa e Israel.

Infográfico mostra cerco militar dos EUA ao Irã — Foto: Editoria de Arte/g1

Não é de hoje que Irã e Estados Unidos vivem relações tensas. Os países acumulam desavenças desde 1979, quando a Revolução Islâmica implantou o regime dos aiatolás, que dura até hoje.

De lá para cá, os dois países trocaram uma série de hostilidades, com os EUA apostando em sanções econômicas e embargos comerciais para pressionar o Irã, principalmente para evitar que o país desenvolva armas e apoie grupos armados no Oriente Médio.

  • Durante o governo de Barack Obama, as relações tiveram certa estabilização, o que contribuiu para o acordo histórico de 2015, que limitava o programa nuclear iraniano.
  • Dois anos depois, no entanto, Trump retirou os EUA do tratado, ao afirmar que o Irã continuava em uma corrida armamentista e retomou sanções econômicas.
  • No início de 2020, os dois países viveram uma grande crise após o governo Trump lançar uma operação que resultou na morte do general Qassem Soleimani, principal figura da estratégia militar iraniana e muito próximo do líder supremo.
  • No ano passado, os EUA lançaram um ataque ao Irã em apoio a Israel para destruir instalações nucleares iranianas. O bombardeio resultou em um contra-ataque limitado contra uma base americana na região e em um acordo de cessar-fogo.

As tensões voltaram a crescer no início de janeiro deste ano, quando o Irã enfrentou com violência uma onda de protestos contra o governo Khamenei. Milhares de pessoas morreram durante a repressão. À época, Trump ameaçou uma nova ação militar.

Com o enfraquecimento dos atos, motivado pela repressão do governo, o presidente norte-americano passou a focar no programa nuclear iraniano para manter as ameaças. Mesmo com os dois países voltando à mesa de negociações, a troca de declarações hostis continuou.

Iranianos queimam bandeira dos EUA em manifestação em apoio a ataque do Irã a Israel — Foto: Majid Asgaripour/WANA via REUTERS

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