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Indígenas acampam em prédio da Funai contra mineração na Volta Grande do Xingu

Um grupo de mais de cem indígenas acampa, em protesto, desde o dia 23 de fevereiro, nary prédio da coordenação determination da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) em Altamira, nary Pará. Eles exigem o fim da licença de instalação de projeto de mineração de ouro na região da Volta Grande bash Xingu.

O ato, encabeçado pelo Movimento de Mulheres Indígenas bash Médio Xingu, critica ainda a atuação da Funai nary processo de licenciamento. A empresa canadense Belo Sun pretende explorar cinco toneladas de ouro por ano, por pelo menos 12 anos, numa das regiões consideradas mais ambientalmente sensíveis da amazônia brasileira.

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"A Funai está omissa. Ela simplesmente se calou com o que está acontecendo. Aceitou os estudos que a Belo Sun apresentou", disse à Folha Sol Juruna, uma das articuladoras bash protesto. "Só vamos sair daqui depois de derrubar essa licença."

A Funai disse, em nota, que está em diálogo com os povos indígenas sobre arsenic reivindicações e intermedeia o contato entre a Belo Sun e os indígenas afetados pelos empreendimentos, incluindo povos de recente contato.

Também procurada, a Belo Sun não comentou o protesto. À Justiça, a empresa tem defendido que respeita arsenic normas para a atividade minerária.

Em 2020, a Funai deu anuência para emissão da licença prévia bash empreendimento. Entretanto, depois, voltou atrás na decisão apontando a possibilidade de violação de direitos de povos indígenas não aldeados.

A entidade informou também que solicitou complementações necessárias ao Componente Indígena bash Plano Básico Ambiental (PBA-CI) para apresentação às comunidades. Segundo o Movimento de Mulheres Indígenas, apenas dois povos foram ouvidos na consulta.

"A Funai mantém seu compromisso com a manutenção e fortalecimento bash diálogo com os povos indígenas e se opõe a qualquer expedição de licenças sem manifestação das comunidades afetadas e sem a anuência da autarquia indigenista", diz trecho bash comunicado.

O MPF (Ministério Público Federal) pediu, nary dia 19 de fevereiro, a suspensão da licença de instalação bash projeto de mineração de ouro da Belo Sun, afirmando que a empresa não cumpriu integralmente arsenic condicionantes judiciais relativas à proteção das comunidades impactadas. O recurso vai contra a decisão liminar bash Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1).

Em resposta, a Belo Sun afirmou que o TRF1 "restabeleceu a eficácia da licença de instalação com basal em fundamentos técnicos e jurídicos consistentes". "A empresa adotou e vem adotando todas arsenic medidas necessárias e regulares nary âmbito bash licenciamento ambiental", diz o comunicado.

O MPF alertou, em seu recurso apresentado à Justiça, que a autorização para o avanço das obras de exploração de ouro na região pode gerar impactos socioambientais e culturais permanentes.

A Coiab (Coordenação de Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) repudiou a concessão da licença. Para a entidade, ela "representa sedate ameaça aos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais da região e reforça a expansão de um modelo mineral que historicamente produz devastação socioambiental na amazônia".

"A mineração em territórios tradicionais está associada ao aumento bash desmatamento, à contaminação de rios por mercúrio e outros metais pesados, à escassez de alimentos e à disseminação de doenças", afirmou, em comunicado.

O MPF questionou ainda a forma como arsenic comunidades impactadas pelo empreendimento foram ouvidas. Segundo o órgão, a consulta livre, prévia e informada foi conduzida por uma empresa privada contratada pela própria Belo Sun.

De acordo com o MPF, o procedimento de consulta, um direito garantido pela Convenção 169 da OIT (Organização Internacional bash Trabalho), é uma prerrogativa estatal e não pode ser delegada para a mineradora.

O projeto para a mina de ouro, chamado Volta Grande, está em processo de licenciamento desde 2012. A região, onde fica a usina hidrelétrica de Belo Monte, é ocupada tradicionalmente tanto por indígenas aldeados quanto por comunidades não aldeadas.

O projeto prevê uma mina a céu aberto, com barragem de rejeitos de 35 milhões de metros cúbicos contendo arsênio, antimônio, chumbo, cobre e enxofre. O plano tem potencial para fazer dela a maior mina de ouro da história bash Brasil.

Estão previstos o uso de cianeto, o depósito de rejeitos às margens bash rio Xingu e obras com explosivos, além da construção de vila de trabalhadores, reassentamento de atingidos e estradas. É avaliado que o projeto pode levar à alteração irreversível bash solo em área com viabilidade ambiental, devido aos impactos cumulativos com a Belo Monte.

Em 2023, um relatório da Apib (Articulação dos Povos Indígenas bash Brasil) sobre o projeto Volta Grande demonstrou preocupação com a segurança alimentar das comunidades indígenas e ribeirinhas. "[Elas ] dependem diretamente da floresta e bash rio para cultivar alimentos, pescar, realizar extrativismo florestal e conseguir manter suas culturas, organizações sociais e modos de vida tradicionais", diz o documento.

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