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Instinto Materno: veja o caso real que inspirou documentário da Netflix

O documentário Instinto Materno está entre os filmes mais vistos na Netflix e levanta dúvidas sobre o caso real em que é inspirado. Dirigido por Jessica Dimmock (Cena do Crime - O Campo da Morte do Texas), longa traz todos os detalhes sobre um acontecimento chocante ocorrido em 2020 no estado do Texas (EUA), onde uma jovem grávida de 21 anos teve o bebê arrancado do ventre pela melhor amiga. O caso é tão chocante que diversos espectadores se perguntam se Taylor Parker, que cometeu o crime, ainda está viva após o final do filme.

Antes do lançamento do documentário, o caso já havia obtido ampla repercussão nos Estados Unidos e fora do país, alcançado impacto também no Brasil. Se você ainda não conferiu o documentário e quer saber mais sobre o caso, confira a seguir um guia completo do TechTudo com informações sobre o enredo do documentário, repercussão e o desfecho do caso. Essa matéria contém conteúdo sensível sobre violência.

 Reprodução/The Movie Database A acusada do crime, Taylor Parker, foi acusada de homicídio culposo e sequestro após a morte da amiga Reagan Simmons-Hancock — Foto: Reprodução/The Movie Database

Acompanhe a seguir todo os detalhes do documentário Instinto Materno:

  • Sinopse de Instinto Materno?
  • Onde assistir o documentário dublado
  • Quem é Taylor Parker?
  • Quem foi Reagan Simmons-Hancock?
  • Como Reagan foi morta?
  • Como Taylor manteve a farsa da sua gravidez?
  • Taylor Parker ainda está viva? O que aconteceu com ela?
  • Vale a pena assistir o documentário?
  • Veja outros documentários similares
  • Confira o trailer

Sinopse de Instinto Materno

O documentário da Netflix acompanha todos os detalhes sobre um crime chocante ocorrido em outubro de 2020 na cidade de New Boston, no Texas (EUA). Reagan Simmons-Hancock, uma mãe de 21 anos, foi encontrada morta em casa por sua mãe. Além do assassinato, Reagan, que estava grávida de nove meses, ainda teve seu feto retirado da barriga. As suspeitas recaem sob Taylor Parker, uma amiga de Reagan que foi parada pela polícia após dirigir em alta velocidade. Parker foi encontrada com um bebê natimorto no colo, do qual ela jurava ser seu.

Por meio de entrevistas de parentes, amigos e conhecidos de ambas as personagens, além de registros policiais inéditos, o documentário traça um perfil psicológico de Taylor Parker, tentando encontrar respostas que justifiquem um dos crimes mais macabros presenciados na região norte do Texas.

 Divulgação/Netflix Taylor ao lado do namorado Wade Griffin — Foto: Divulgação/Netflix

Onde assistir o documentário dublado?

Instinto Materno é uma produção original da Netflix, exibida apenas nesta plataforma. O documentário pode ser assistido com dublagem e legendas em português.

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Taylor Rene Parker era uma fotógrafa amadora de casamentos que era namorada de Wade Griffin, um criador de porcos de New Boston. Anos antes do crime, Taylor já tinha engravidado duas vezes, entre os 17 e 21 anos. Ela é mãe de uma menina mais velha e um menino caçula. Embora esse fato não tenha sido mencionado no documentário, Taylor chegou a se casar duas vezes antes de conhecer seu último namorado.

Os dois se conheceram em 2019, durante um rodeio onde Wade estava competindo. Rapidamente, os dois engataram um romance. Com poucos meses de relacionamento, Taylor espalhou histórias sobre uma fortuna milionária da qual era herdeira e que estava disposta a investir no trabalho agrícola do namorado, gastando cerca de US$ 20 milhões em veículos e imóveis. Ela também alegou estar grávida, se aproveitando do desconhecimento de Wade e de seus parentes sobre o seu passado.

 Reprodução/The Movie Database Taylor coletava uma série de mentiras que a afastavam de amigos e parentes próximos — Foto: Reprodução/The Movie Database

Anos antes, após ser diagnosticada com cistos, Taylor havia realizado uma histerectomia, um procedimento clínico para retirada dos ovários (um procedimento irreversível e que impossibilitaria a gravidez). Ela também não possuía nenhuma fortuna milionária. Diferente do que dizia em conversas com os familiares do namorado, sobre seus pais serem empresários do ramo do petróleo, eles na verdade eram de origem humilde e não tinham deixado para a moça valores suntuosos de herança.

No documentário, ex-amigas relataram que Taylor nutria uma obsessão por gravidez, chegando a ser invasiva e obsessiva no período de gestação de uma de suas colegas. Durante seu trabalho freelancer como fotógrafa de casamentos, a criminosa conheceu Reagan Simmons-Hancock, uma cliente que acabou se tornando sua amiga pessoal e vítima de um dos crimes mais brutais já registrados no Texas.

 Divulgação/Netflix Taylor ao lado de Reagan. As duas haviam se tornado melhores amigas antes do crime — Foto: Divulgação/Netflix

Quem foi Reagan Simmons-Hancock?

Reagan Simmons-Hancock era uma jovem de 21 anos que morava na mesma cidade que Taylor. As duas se conheceram após Reagan contratar Taylor para ser sua fotógrafa na festa de seu casamento com Homer. Assim como a nova amiga, a vítima também havia engravidado na adolescência aos 17 anos. De acordo com familiares de Reagan, Taylor rapidamente fez amizade com todos os convidados, criando vínculos de convívio e amizade após a festa. Assim como foi feito em outras vezes, Taylor passou a observar minuciosamente a segunda gravidez de Reagan.

 Divulgação/Netflix Reagan (esq.) ao lado da irmã em sua festa de casamento. Taylor atuou como fotógrafa contratada na cerimônia — Foto: Divulgação/Netflix

Aviso: os parágrafos a seguir contém descrições fortes de violência

No dia 9 de outubro de 2020, Taylor se dirigiu até a casa de Reagan, que estava sozinha junto com sua filha de três anos. De acordo com evidências forenses, a assassina desferiu golpes de faca contra a vítima em diversos locais da residência, um indício de que Reagan tentou fugir ensanguentada do ataque da ex-amiga. Minutos após matar a vítima com dezenas de golpes de faca e objetos contundentes, Taylor aproveitou a situação para realizar uma cesárea rudimentar e, assim, retirar o bebê de Reagan de seu ventre. A criminosa utilizou apenas um bisturi e se orientou por meio de vídeos na Internet, fugindo da casa de Reagan sem se preocupar em esconder o corpo.

Horas depois do crime, Taylor foi encontrada dirigindo um carro do namorado em alta velocidade pelas ruas de New Boston. Ao ser parada por uma viatura, ela alegou ter tido um parto em casa antes de se dirigir para um hospital, onde seu namorado estaria esperando. Quando médicos e policiais desconfiaram que Taylor não parecia ter entrado em trabalho de parto, uma breve investigação foi feita ainda dentro do hospital. Foi esclarecido que o bebê pertencia a Reagan, morta horas antes, e que a criança chegou a ser retirada com vida, mas não resistiu e faleceu durante o trajeto de carro.

 Reprodução/Netflix Taylor foi parada pela polícia horas após assassinar Reagan; na parte borrada da imagem está a criança que ela retirou do ventre da vítima — Foto: Reprodução/Netflix

Como Taylor manteve a farsa da sua gravidez?

Em menos de um ano de relacionamento com Wade Griffin, Taylor montou toda uma farsa para atrair atenções para si. Ela primeiro dizia para o namorado e pessoas próximas da família dele que suspeitava estar grávida. Posteriormente, a criminosa chegou a compartilhar um exame de gravidez que, posteriormente, mostrou-se falso. Taylor usou um documento seu de 2016, quando estava grávida de sua filha.

Quando os parentes e amigos de Wade passaram a suspeitar da gravidez, Taylor tomou medidas mais radicais. Ela passou a criar ultrassonografias falsas em sites na Internet e comprou uma barriga falsa feita de silicone. Taylor fazia truques para simular contrações do bebê e evitava aparecer seminua ou sem roupa na frente do marido, dizendo que se sentia insegura com o aumento de peso e o surgimento de estrias.

Durante as investigações da polícia sobre os crimes de Taylor, a polícia também descobriu pesquisas feitas em seu celular sobre realização amadora de cesárea e como era a aparência de mulheres grávidas de nove meses. Haviam também pesquisas em redes sociais sobre grávidas da região que estavam dentro do período alardeado falsamente por Taylor.

 Divulgação/Netflix Wade Griffin não suspeitava da farsa de gravidez. Hoje, ele se mostra arrependido de não ter acreditado em familiares descrentes da história de Taylor — Foto: Divulgação/Netflix

Taylor Parker ainda está viva? O que aconteceu com ela?

Após ser detida pela polícia no dia do assassinato de Reagan e seu bebê recém-nascido, Taylor Parker recebeu a acusação de homicídio qualificado, homicídio doloso e sequestro. Um julgamento foi realizado em 11 de dezembro de 2020, onde a acusada foi indiciada por homicídio qualificado e sequestro.

No dia 9 de novembro de 2022, Parker recebeu a condenação de pena de morte pelo tribunal de primeira instância, em uma decisão unânime do júri. Foram levadas em consideração a gravidade do assassinato e o plano para acobertar o crime. Entre 6 de novembro de 2025 a 29 de maio de 2026, Taylor Parker teve três pedidos de revogação de sua sentença negados pelo tribunal local e pela Suprema Corte dos Estados Unidos. A criminosa é a sétima mulher a receber a pena capital no Texas, tendo o último caso ocorrido em junho de 2012. Hoje, ela ainda está viva, mas aguarda a execução.

 Reprodução/Netflix Taylor Parker se tornou a sétima mulher da história do Texas a ser condenada à morte — Foto: Reprodução/Netflix

Vale a pena assistir o documentário?

O lançamento de Instinto Materno rendeu notas acima da média entre o público no IMDb, que cataloga as opiniões de espectadores ao redor do mundo. Até o momento, o longa recebeu nota 7,3, baseado na votação de 3.2 mil usuários. Já no Rotten Tomatoes, que registra as notas vindas por parte da crítica, o filme não gerou índice de aprovação, por conter apenas cinco resenhas na imprensa.

Em sua análise para o site Heaven of Horror, a jornalista Karina Aldergaard deu nota 4 de 5 ao documentário. Segundo Aldergaard, o filme contém histórias difíceis de assistir, mas apresenta uma importante lição. “Instinto Materno é um documentário bem feito sobre um crime hediondo e devastador. É difícil de assistir, mas não deixa de ser importante, pois a obra tenta, quase que desesperadamente, passar uma importante mensagem: confie na sua intuição”.

Instinto Materno tem todos os elementos de um documentário de true crime capaz de prender o público na frente da tela: um storytelling que desmembra não só histórias, mas também personalidades, além de imagens exclusivas que mostram os detalhes de crimes perturbadores. É de se pensar, por um breve momento, se é ético ou moral considerar conteúdos como esse como um “entretenimento” a ser maratonado. Por outro lado, o gênero do true crime nunca se afastou do propósito secular do jornalismo policial em tratar a segurança pública como uma pauta a ser discutida entre diversas camadas da sociedade.

No meu ponto de vista, o trabalho da diretora Jessica Dimmock soa bem formulaico no que se propõe a fazer. A narrativa está bem amarrada e com poucos percursos fora da linearidade. As entrevistas são diretas, quase como numa reportagem televisiva. O resultado final não soa tão diferente de tantas outras obras documentais já feitas pela plataforma vermelha.

O que se sobressai é a história por trás do crime. Vejo que Dimmock soube entrelaçar bem os depoimentos para dar ao público uma possibilidade de tentar entender o perfil psicológico de Taylor. Inicialmente intrigante e um pouco suave, o horror de Instinto Materno está concentrado em seu final, quando nos deparamos com detalhes chocantes sobre o crime que podem estragar o “entretenimento” dos fãs de true crime mais sensíveis.

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 Divulgação/Netflix O casal Denise e Aaron de Um Pesadelo Americano — Foto: Divulgação/Netflix

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