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Instituto vê riscos socioeconômicos e ambientais em acordo UE-Mercosul

O Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) manifestou preocupação com o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, aprovado depois de 25 anos de negociações, por ver riscos socioeconômicos e ambientais e por receio de que acabe aprofundando uma divisão desigual do comércio internacional.

O acordo foi aprovado nesta sexta-feira (9) por países do bloco europeu e será o maior do tipo no mundo, com um mercado estimado de 722 milhões de consumidores.

Na avaliação do Inesc, a negociação foi marcada por falta de transparência e pela exclusão dos setores diretamente afetados.

"O acordo vinha sendo negociado há mais de 25 anos pelos blocos, com diversos setores da economia dos países dos dois lados do Atlântico e organizações da sociedade civil expressando suas preocupações em relação ao texto", afirma Carolina Alves, assessora política do instituto.

"A começar pela ausência de transparência das negociações que foram feitas a portas fechadas, sem o envolvimento amplo dos setores afetados ou o entendimento sobre os termos uma vez que o texto só foi traduzido após a finalização das negociações em dezembro de 2024", complementa.

O Inesc avalia também que acordo do tipo UE-Mercosul tendem a aprofundar uma divisão desigual do comércio internacional, reforçando a exploração da capacidade produtiva do Mercosul em produtos primários, enquanto os europeus concentrariam a produção de bens manufaturados e a prestação de serviços de maior valor agregado.

Segundo Alves, isso compromete o desenvolvimento dos países sul-americanos e impacta negativamente bas condições de vida da população.

Outro ponto considerando preocupante é o incentivo à expansão da atividade agropecuária para exportação, o que, afirma, estimula a desindustrialização, a perda de empregos no setor industrial e a reprimarização da economia.

"A expansão da atividade agropecuária no Brasil vai contribuir com o aumento da emissão de gases de efeito estufa, uma vez que a atividade vai estimular a expansão da fronteira agrícola e o aumento de áreas para a pecuária, que são alguns dos maiores vetores de desmatamento", diz. A assessora política do instituto também prevê "ampliação da devastação ambiental e do uso de agrotóxicos, o que afeta a saúde dos trabalhadores e a qualidade do alimento e do solo."

O Inesc manifestou receio ainda com a redução e a eliminação de tarifas de importação para minerais, o que tende a ampliar a atividade mineradora no Brasil e em outros países do Mercosul, "gerando impactos ambientais significativos no solo e na água , além de afetar diretamente comunidades tradicionais e povos indígenas que vivem em territórios ricos em minério ou em suas proximidades".

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