Também em junho, no acumulado em 12 meses, de acordo com a maioria das estimativas, a alta de preços permanecerá acima do teto do intervalo de tolerância, terreno em que deverá se manter até o fim de 2026. De 4,72% em maio, subirá para 4,8% em junho, e, mesmo com novos e até fortes recuos na inflação mensal em julho e agosto, seguirá em alta e acima do teto, fechando o ano acima de 5% e abaixo de 5,5%.
Alimentos e habitação — esta concentrada em energia elétrica — foram os grupos que mais pressionaram o IPCA-15 in junho, respondendo por dois terços de toda a alta. Ambos, porém, estão em fase de arrefecimento, o que já poderá ser observado na inflação cheia de junho.
Conforme as projeções de Romão, preços de alimentos, que subiram 0,74% no IPCA-15 de junho, devem recuar para alta de 0,3% no IPCA cheio de junho. Alimentos no domicílio devem ter recuo ainda mais acentuado, saindo de alta de quase 0,9% para 0,3%.
Outros grupos de preços também devem recuar entre o IPCA-15 e o IPCA cheio de junho. São os casos da própria Habitação, de Vestuário, Saúde/Cuidados Pessoais e Comunicação.
Alimentos caem, mas voltam a subir
Há previsões de que os preços dos alimentos no domicílio registrarão deflações em julho e agosto. Ainda assim, as perspectivas para a marcha dos preços neste sensível subgrupo do IPCA não são das mais animadoras.
Com o esperado reforço desfavorável do fenômeno El Niño, previsto para o segundo semestre, condições climáticas adversas tendem a reduzir a oferta de produtos e pressionar a inflação de alimentos no domicílio, que, no acumulado em 12 meses, escalará de menos de 4% em junho para mais de 7% no fechamento do ano.
Efeitos da guerra em dissipação
Ao findar o primeiro semestre de 2026, os fatores que promoveram uma virada negativa na marcha dos preços estão bastante evidentes. A guerra no Oriente Médio, com o fechamento do estreito de Ormuz, bagunçou os mercados de petróleo e derivados. Com isso, pressionou custos na longa e disseminada cadeia de produtos dependentes — dos transportes e logística diretamente impactados a insumos, como fertilizantes, que afetaram, indiretamente, a produção de alimentos.
A dissipação dos primeiros e mais fortes impactos nos preços e custos de produção, reforçados pela perspectiva de fim da guerra e da normalização do fluxo de combustíveis, contribui para o alívio nas altas de preços que pode vir com o tempo.
Na base, porém, das pressões inflacionárias, permanecem e até se aprofundaram, em ano eleitoral, os conflitos resultantes de uma política fiscal e de crédito expansionista em confronto com uma política monetária fortemente restritiva.
"Puxa-e-estica"
Esse "puxa-e-estica" faz com que, enquanto a política de juros procura conter a demanda, os programas de transferência de renda e de crédito subsidiado impulsionam o consumo. A atividade e o emprego se beneficiam, mas em ritmo cada vez mais lento, ao passo que a política de juros precisa recorrer a doses cada vez maiores para impedir que a inflação saia dos tetos. O RPM (Relatório de Política Monetária) de junho, a revisão trimestral sobre o estado e as projeções para a economia, publicada também nesta quinta-feira (25), traz um detalhado retrato dessa situação vigente na economia brasileira.
Ao mesmo tempo em que revisa o crescimento econômico de 1,6%, do RPM de abril, para 2% agora em junho, o documento alonga o prazo para conseguir levar a inflação para o centro da meta, de 3%, sem provocar recessão. De acordo com as conclusões do relatório, isso só deve ocorrer no primeiro semestre de 2028, quando a economia já estiver exigindo alguma capacidade de produção ociosa — e crescendo cada vez menos.
Reportagem
Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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