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Irã diz que chanceler brasileiro chamou ataque de Trump de violação da Carta da ONU

Vieira, segundo o Ministério das Relações Exteriores, falou ao telefone com o chanceler do Irã, Seyed Abbas Araghchi, nesta terça-feira (6). Os dois discutiram a ofensiva norte-americana em Caracas, na qual o ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado.

"O ministro das Relações Exteriores do Brasil elogiou a posição de princípio da República Islâmica do Irã a esse respeito, descrevendo a ação dos EUA de sequestrar o presidente de um país independente como uma clara violação da Carta da ONU", afirmou o Ministério das Relações Exteriores do Irã.

O governo brasileiro ainda não havia se manifestado sobre o telefonema até a última atualização desta reportagem.

 'Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios'

Brasil condena intervenção armada na Venezuela: 'Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios'

Segundo o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, não é possível "aceitar o argumento de que os fins justificam os meios".

Danese afirmou que esse raciocínio "carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos."

"O mundo multipolar do século XXI, que promova a paz e a prosperidade, não se confunde com áreas de influência", pontou.
"O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional", afirmou o embaixador.

Para ele, o ataque e captura de Maduro "ultrapassam uma linha inaceitável".

Esses atos constituem uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", prosseguiu.

De acordo com o embaixador, a Carta das Nações Unidas estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas nela.

Nesse sentido, Sérgio Danese ponderou que a aceitação de ações dessa natureza poderiam conduzir a um "cenário marcado pela violência, pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo".

A Venezuela pediu que o Conselho de Segurança garanta que o governo Trump não se apodere de seus recursos naturais.

No discurso inicial, a vice-secretária-geral da ONU disse que a instituição está "preocupada que a operação não respeitou as regras do direito internacional".

Conselho de Segurança da ONU — Foto: Eduardo Munoz/Reuters

Sérgio Danese, embaixador do Brasil na ONU, ainda ressaltou em sua fala que a América Latina e o Caribe fizeram a escolha pela paz e lembrou que as intervenções armadas do passado tiveram consequências profundamente negativas, pois produziram regimes autoritários e violações de direitos.

"O recurso à força em nossa região evoca capítulos da história que acreditávamos superados e coloca em risco o esforço coletivo para preservar a região como uma zona de paz e cooperação, livre de conflitos armados, respeitosa do direito internacional e do princípio da não ingerência", argumentou.

O embaixador do Brasil na ONU ainda frisou que o Brasil acredita numa solução que respeite a autodeterminação do povo venezuelano com foco na Constituição do país, e que a ação americana afeita a comunidade internacional.

"Este e outros casos de intervenção armada contra a soberania de um país, sua integridade territorial ou suas instituições devem ser condenados com veemência. Cabe a este Conselho assumir sua responsabilidade e reagir com determinação, clareza e obediência ao direito internacional, a fim de evitar que a lei da força prevaleça sobre a força da lei", afirmou.

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