3 horas atrás 3

Irã não pode liberar tráfego em todo o Estreito de Ormuz porque não sabe onde estão as minas que colocou, dizem membros do governo Trump

A demora do Irã em liberar o tráfego no estreito, que é essencial para o comércio global de petróleo e gás, tem irritado o governo Trump. A retomada do fluxo marítimo foi uma das condições para o cessar-fogo acordado na última terça (7).

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, disse que o Estreito de Ormuz estava aberto, mas com restrições de passagem. O Irã alertou para o risco de minas navais na região, e disse que a Guarda Revolucionária estaria coordenando o tráfego marítimo no local.

Na prática, poucos navios têm recebido autorização para proceder com a travessia.

Petroleiros são vistos na costa de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, acessível do oceano apenas via estreito de Ormuz — Foto: REUTERS/Amr Alfiky/Foto de Arquivo

Teerã indicou que pretende cobrar pedágio para a passagem para cobrir os custos da guerra.

O acordo de cessar-fogo firmado na terça-feira (7) envolvia a reabertura de Ormuz para o tráfego marítimo, por parte do Irã. Ambas as partes se comprometeram a pausar os combates por duas semanas.

Na quarta-feira (8), porém, Teerã voltou a fechar o estreito em resposta aos pesados bombardeios executados por Israel sobre o Líbano. Israel alegou que nem o Líbano, nem o grupo extremista Hezbollah, que atua no país, faziam parte do cessar-fogo — o que contradiz a declaração do Paquistão, que mediou a pausa nos combates.

Na prática, o Estreito de Ormuz está praticamente fechado pelo Irã, que . Nesta quinta, apenas seis navios passaram pela rota, contra cerca de 140 normalmente, mostraram dados de rastreamento de navios divulgados pela Reuters.

▶️ O Estreito de Ormuz é uma rota marítima por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo. A região é considerada estratégica e o controle do seu funcionamento tem sido usado pelo Irã na guerra contra os EUA e Israel.

A Guarda Revolucionária do Irã quer que as embarcações naveguem pelas águas iranianas ao redor da Ilha de Larak para evitar o risco de minas navais nas rotas habituais pelo estreito.

As embarcações devem entrar no estreito ao norte da Ilha de Larak e sair ao sul dela até segunda ordem, em coordenação com a Marinha da Guarda Revolucionária, segundo a Tasnim.

"Há uma possibilidade real de risco contínuo para trânsitos não autorizados pelo Estreito de Ormuz, bem como para embarcações ligadas a Israel e aos EUA que tentam transitar", disse a empresa britânica de segurança marítima Ambrey em um comunicado divulgado pela Reuters.

"Mesmo embarcações com autorização aparente foram impedidas de passar nas últimas semanas durante o trânsito", acrescentou.

Minas navais, instaladas pelo Irã no Estreito de Ormuz, são explosivos que ficam submersos ou à deriva e podem ser acionados automaticamente por contato ou quando detectam a passagem da embarcação.

Mina naval da Alemanha instalada na Segunda Guerra Mundial sendo detonada em maio de 2014 — Foto: David Krigbaum/US Navy

💥 Poder do Irã: Estimativas apontam que o governo iraniano pode ter um estoque entre 2 mil e 6 mil minas navais. As armas são explosivos posicionados no mar para atingir embarcações.

  • Existem diferentes modelos de minas navais. Algumas ficam presas ao fundo do mar, enquanto outras permanecem ancoradas a certa profundidade ou, em alguns casos, podem ficar à deriva.
  • Modelos mais simples explodem a partir do impacto com o casco do navio.
  • Versões mais modernas utilizam sensores que detectam alterações no campo magnético, na pressão da água ou no ruído dos motores.

Ainda de acordo com o Strauss Center for International Security and Law, da Universidade do Texas, mesmo que o Irã consiga atingir navios no Estreito de Ormuz, dificilmente uma única mina seria capaz de afundar uma embarcação de grande porte, como um petroleiro. O navio, no entanto, poderia sofrer danos.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro