A partir das 11h, o tribunal de Los Angeles irá ouvir o chefe do Instagram, Adam Mosseri, que deve prestar depoimentos sobre se o design do aplicativo traz prejuízos para a saúde mental de crianças e adolescentes.
A ação foi movida por uma jovem de 20 anos, identificada nos documentos do processo pelas iniciais K.G.M. Ela é chamada de Kaley no tribunal.
A jovem afirma que começou a usar redes sociais aos 6 anos e que foi exposta a conteúdos prejudiciais e a filtros que contribuíram para que ela desenvolvesse depressão, ansiedade, pensamentos suicidas e distorções na forma como se enxerga.
O júri deve se estender por oito semanas. O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, deve depor a partir do dia 18 deste mês.
Na primeira audiência, na segunda-feira (9), o advogado de Kaley argumentou que ela teve acesso a conteúdos perigosos e deprimentes, e que os filtros do Instagram a levaram a desenvolver uma distorção de imagem.
O TikTok e o Snapchat também eram alvos da ação, mas fecharam acordos confidenciais antes do início do julgamento.
Defesa do Google: 'Ela não é viciada'
No segundo dia de julgamento, na terça (10), a defesa do Google buscou afastar a ideia de que o YouTube tenha sido projetado para causar dependência.
O advogado Luis Li afirmou aos jurados que a plataforma “não quer deixar as pessoas viciadas [em seu site] mais do que elas ficariam em bons livros ou em aprender coisas novas”. Ele também declarou que o YouTube não tenta “entrar no seu cérebro e reconfigurá-lo”.
Li reforçou a linha de que a própria autora não se considera dependente.
“Ela diz que não é viciada, o pai dela disse que ela não é viciada, o médico dela diz que ela não é viciada”, afirmou o advogado, segundo a Bloomberg.
“Os prontuários médicos dela, em 10 mil páginas, não dizem que ela é viciada. O comportamento dela não parece o de alguém viciado. Então, por que estamos aqui?”
O advogado também disse que a jovem usou o YouTube por uma média de apenas 29 minutos por dia ao longo dos últimos cinco anos.
Sobre o funcionamento da plataforma, a defesa argumentou que o sucesso de vídeos se deve às recomendações dos próprios usuários, e não a um mecanismo deliberado para estimular consumo compulsivo.
Segundo a Bloomberg, Li negou que o YouTube use ferramentas como “rolagem infinita” e “reprodução automática” para “fisgar” jovens e afirmou que muitos recursos podem ser desativados.
“Todas essas coisas podem ser desativadas. Se você não gosta, desligue. É simples assim. A única ferramenta que funciona é aquela que você usa.”
Do outro lado, o advogado da jovem, Mark Lanier, sustenta que as plataformas foram desenhadas para explorar a vulnerabilidade de cérebros em desenvolvimento.
Ele acusou as empresas de terem “construído máquinas projetadas para viciar o cérebro de crianças”.
“Para uma criança como Kaley, esse movimento é a alavanca de uma caça-níquel. Toda vez que ela desliza o dedo, ela está apostando. Não por dinheiro, mas por estimulação mental.”
Na abertura do julgamento, a defesa da Meta também argumentou que os problemas de saúde mental da jovem estariam ligados a abusos e conflitos familiares, e não apenas ao uso das plataformas, como mostrou o g1.
Rolagem infinita e saúde mental
Adam Mosseri, chefe do Instagram, presta depoimento nesta quarta-feira (11) sobre se design de aplicativo é viciante. Imagem de 8 de dezembro de 2021, tirada em Washington, D.C., Estados Unidos. — Foto: REUTERS/Elizabeth Frantz
Kaley, autora do processo, disse que o recurso de rolagem infinita a mantinha presa ao aplicativo e aumentava sua ansiedade, de acordo trechos processo citados pela agência Reuters.
A agência lembra que a Academia Americana de Pediatria declarou em janeiro que esse tipo de recurso pode tornar mais difícil para crianças “se desligarem de dispositivos digitais”.
O chefe do Instagram, Adam Mosseri, irá depor nesta quarta, mas antes de ir ao júri, um porta-voz da Meta disse a companhia discorda "fortemente dessas alegações".
"Estamos confiantes de que as evidências mostrarão nosso compromisso de longa data em apoiar os jovens", afirmou.
Ainda segundo a Reuters, advogados da empresa afirmaram no tribunal que discussões internas tinham como objetivo “resolver problemas e adicionar recursos para dar aos usuários mais controle”.
Já o advogado da jovem sustenta que registros internos mostram que a empresa estava ciente de danos a crianças e adolescentes.
Possível efeito em cascata
O resultado desse caso pode ter impacto muito além da história individual da autora.
Os processos não se concentram apenas em conteúdos específicos, mas no próprio modelo das plataformas: algoritmos, sistemas de recomendação e mecanismos de personalização que, segundo os autores, incentivam o uso compulsivo.
Com depoimentos de executivos de alto escalão e possíveis revelações de documentos internos, o terceiro dia de julgamento marca o início de uma fase considerada central para definir como a Justiça americana vai tratar a responsabilidade das redes sociais sobre a saúde mental de crianças e adolescentes.

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1 mês atrás
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