A decisão sobre a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) da Itália para o Brasil foi novamente adiada após audiência realizada nesta terça-feira (20) em Roma.
Depois de pedidos apresentados pela defesa, os juízes da Corte de Apelação suspenderam a sessão e vão marcar uma nova data para decidir sobre o pedido apresentado pela Justiça brasileira para que a ex-congressista seja enviada para o Brasil.
Segundo apurou a Folha, os advogados de Zambelli fizeram uma série de solicitações aos três juízes, como incluir uma testemunha no processo, e mais informações sobre as condições carcerárias no Brasil. Também anunciaram a intenção de pedir que os juízes sejam substituídos por outros da mesma corte, o que deve ser feito por escrito nos próximos dias.
Os juízes tiveram que dedicar tempo para avaliar esses pedidos e, por volta das 18h (14h no Brasil), decidiram adiar a sessão, que havia começado com cerca de duas horas de atraso.
Uma nova audiência será anunciada, possivelmente nesta quarta (21), para daqui a 10 a 15 dias. Será uma sessão extraordinária, em que será analisado somente o caso de Zambelli, sem outros processos antes, para evitar novos atrasos.
Zambelli participou pessoalmente da audiência e foi ela quem pronunciou a intenção de pedir que seu processo tenha novos juízes. Ela está detida desde o fim de julho no complexo penitenciário de Rebibbia, na capital italiana, depois de ficar dois meses foragida. A ex-deputada se diz vítima de perseguição política pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Se for extraditada para o Brasil, o tempo de detenção na Itália será descontado da pena restante que deve ser cumprida. Em dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, indicou que Zambelli deverá cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, de segurança média.
A Corte de Apelação de Roma atua como primeira instância nesse caso. Após a decisão do tribunal, as partes podem recorrer. A expectativa é que todo o processo de extradição seja concluído no primeiro semestre deste ano.
O julgamento desta terça aconteceu depois de três adiamentos desde o fim de novembro. Pouco antes do Natal, a Corte de Apelação atendeu a pedido da defesa de mais tempo para analisar documentação enviada pelo Brasil sobre as condições carcerárias da Colmeia. Antes, a defesa havia aderido a uma greve de advogados e, em outra ocasião, o tribunal pediu tempo para analisar novos documentos apresentados pelos advogados de Zambelli.
Depois de ter sido poupada da cassação pelo plenário da Câmara, decisão que depois foi derrubada pelo STF, Zambelli renunciou em dezembro ao mandato.
Ela fugiu do país em junho para escapar da pena de dez anos de prisão referente à invasão do sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e à emissão de um mandado falso de prisão contra Moraes. Quando já estava na Itália, foi condenada a outros cinco anos por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Os dois casos compõem um único processo de extradição.
Antes de chegar à Itália, após passagem por Argentina e Estados Unidos, Zambelli, que tem dupla cidadania, disse que o passaporte italiano a tornaria "intocável" e impediria que ela fosse mandada de volta ao país.

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