Várias marcas icônicas de celular já fizeram parte da vida dos brasileiros antes da consolidação dos smartphones modernos. Em uma época de teclados físicos, toques polifônicos, SMS, capinhas removíveis e baterias que duravam vários dias, nomes como LG, Nokia, Sony Ericsson, BlackBerry, Siemens, Ericsson e HTC disputavam espaço nas vitrines e ajudavam a definir o que era um bom aparelho. Com o tempo, porém, o mercado mudou.
A chegada do iPhone, o crescimento do Android, o fim de sistemas como Windows Phone e BlackBerry OS, a força das lojas de aplicativos e a pressão de gigantes como Samsung, Apple, Motorola e fabricantes chinesas tornaram a disputa muito mais difícil. Algumas marcas encerraram suas divisões mobile, outras venderam operações, licenciaram seus nomes ou simplesmente perderam relevância no Brasil. A seguir, o TechTudo relembra sete marcas de celular que já fizeram sucesso no país, os modelos que marcaram época e os motivos que fizeram cada uma sair de cena ou perder espaço no mercado.
Celulares antigos de marcas que fizeram sucesso no Brasil — Foto: Arte/TechTudo Lembra delas? 7 marcas de celular que já fizeram sucesso no Brasil e sumiram
Nesta matéria, o TechTudo relembra marcas de celular que marcaram época no Brasil, os modelos mais famosos e os motivos que fizeram cada uma perder espaço no mercado. Confira os tópicos:
- LG: celulares ousados, linha Chocolate e fim da divisão mobile
- Nokia: dos “indestrutíveis” ao Lumia com Windows Phone
- Sony: celulares Walkman, Cyber-shot e a era Xperia
- BlackBerry: teclado físico, BBM e domínio no mundo corporativo
- Siemens: celulares populares que marcaram os anos 2000
- Ericsson: antes da Sony, a marca sueca já tinha fãs no Brasil
- HTC: pioneira em Android premium que perdeu espaço no país
- Por que tantas marcas deixaram o mercado de celulares?
LG: celulares ousados, linha Chocolate e fim da divisão mobile
A LG foi uma das marcas mais criativas do mercado de celulares. No Brasil, a fabricante sul-coreana ficou conhecida por apostar em modelos com design diferente, câmeras chamativas, recursos multimídia e propostas que fugiam do básico. Antes dos smartphones se tornarem parecidos entre si, a marca já testava formatos, acabamentos e funções que ajudavam seus aparelhos a se destacar nas vitrines.
Um dos exemplos mais lembrados é o LG Chocolate, da linha Black Label. Lançado internacionalmente em 2006, o modelo chamava atenção pelo corpo deslizante, acabamento brilhante e teclas sensíveis ao toque com iluminação vermelha. Em uma época dominada por celulares com visual mais simples, o Chocolate parecia quase um acessório de moda. A própria linha ainda rendeu outros aparelhos marcantes, como o LG Shine, que apostava em acabamento metálico e visual mais sofisticado.
LG Chocolate, de 2006, tinha câmera com gravação de vídeo — Foto: Divulgação/LG A marca também teve presença forte em celulares populares e intermediários no Brasil. Linhas como LG Cookie, Optimus, G, K e Velvet apareceram em diferentes momentos do mercado, atendendo desde quem queria um aparelho simples para ligações e mensagens até usuários que buscavam smartphones Android com telas maiores, câmeras melhores e mais recursos de entretenimento. A LG também ficou conhecida por experimentar ideias ousadas em modelos como G Flex, com tela curva, G5, com proposta modular, e Wing, com tela giratória.
Esse espírito experimental, porém, não foi suficiente para manter a divisão de celulares competitiva. Com o avanço de Samsung, Apple e fabricantes chinesas, além da pressão por preços mais agressivos, a LG perdeu espaço em vários mercados. Em abril de 2021, a empresa anunciou oficialmente o encerramento da sua divisão mobile em todo o mundo, decisão aprovada pelo conselho da companhia. Segundo a LG, a saída do setor permitiria concentrar recursos em áreas como veículos elétricos, dispositivos conectados, casas inteligentes, robótica, inteligência artificial e soluções corporativas.
Nokia: dos “indestrutíveis” ao Lumia com Windows Phone
Poucas marcas despertam tanta nostalgia quanto a Nokia. A fabricante finlandesa foi uma das grandes protagonistas da era pré-smartphone e marcou gerações no Brasil com celulares simples, resistentes e fáceis de usar. Modelos como Nokia 3310, Nokia 1100, Nokia 2280, Nokia 6101 e Nokia 5200 fizeram parte da rotina de muita gente em uma época em que o celular era usado principalmente para ligações, SMS, jogos simples e toques personalizados.
O Nokia 3310 é, até hoje, o símbolo máximo dessa fase. Lançado originalmente em 2000, o aparelho ficou conhecido pela construção robusta, bateria duradoura, teclado físico e jogos como Snake II. A fama de “indestrutível” transformou o modelo em meme anos depois, mas também resume bem a imagem que a Nokia construiu no período: celulares confiáveis, simples e feitos para durar.
Outro nome marcante foi o Nokia 1100, lançado em 2003. Ainda mais básico, o modelo apostava em preço acessível, lanterna, bateria removível e resistência para o uso diário. Ele se tornou um dos celulares mais vendidos da história e ajudou a consolidar a presença da Nokia em mercados emergentes, onde durabilidade e preço eram fatores decisivos.
Nokia Lumia 800, o primeiro Windows Phone da Nokia — Foto: Reprodução/Nokia Com a chegada dos smartphones, porém, a situação mudou. Enquanto Apple e fabricantes Android avançavam com telas sensíveis ao toque, lojas de aplicativos e sistemas mais modernos, a Nokia demorou a reagir. A empresa tentou se reposicionar com a linha Lumia, baseada em Windows Phone, em parceria com a Microsoft. Modelos como Lumia 800, Lumia 920, Lumia 520 e Lumia 1020 chamaram atenção pelo design colorido, pela interface de blocos dinâmicos e, em alguns casos, pelas câmeras PureView.
O problema é que o Windows Phone nunca conseguiu formar um ecossistema de aplicativos tão forte quanto Android e iOS. Mesmo com aparelhos elogiados, a linha Lumia sofreu com a falta de apps populares, menor adesão de desenvolvedores e dificuldade para competir com Samsung, Apple e marcas chinesas. Em 2013, a Microsoft anunciou a compra da divisão de dispositivos e serviços da Nokia, concluída em 2014, numa tentativa de fortalecer sua presença no mercado mobile.
Depois disso, a Nokia original se afastou da fabricação direta de celulares e passou a concentrar seus negócios em redes, infraestrutura e tecnologia. O nome Nokia voltou ao mercado de smartphones por meio da HMD Global, que fechou acordo para usar a marca em celulares e tablets. Em 2024, porém, a HMD descontinuou os celulares Nokia.
Sony: celulares Walkman, Cyber-shot e a era Xperia
A Sony também marcou época no mercado brasileiro de celulares, especialmente durante a fase Sony Ericsson. A parceria entre a japonesa Sony e a sueca Ericsson unia duas forças importantes: a experiência da Sony em música, câmeras e eletrônicos de consumo, e o conhecimento da Ericsson em telecomunicações. O resultado foi uma geração de celulares com apelo forte em entretenimento, fotografia e design.
A linha Walkman foi uma das mais lembradas. Modelos como Sony Ericsson W800, W810, W380 e W580 apostavam em música como grande diferencial, com botões dedicados, visual chamativo, fones de ouvido na caixa e interface voltada para reprodução de faixas. O W800, lançado em 2005, foi o primeiro celular da Sony Ericsson a usar a marca Walkman, segundo relatório da própria Sony. Em uma época anterior ao streaming, carregar músicas no celular já era um atrativo enorme para quem queria deixar o MP3 player em casa.
Outra família marcante foi a Cyber-shot, voltada para fotografia. O Sony Ericsson K800, apresentado em 2006, foi o primeiro celular da marca com selo Cyber-shot e trazia câmera de 3,2 MP, autofoco e flash de xenônio, recursos avançados para o período. A linha ajudou a consolidar a ideia de que o celular poderia substituir uma câmera compacta em situações do dia a dia, muito antes de os smartphones atuais transformarem fotografia em um dos principais critérios de compra.
Sony Xperia Z3 tinha tela de alta resolução — Foto: Paulo Alves/TechTudo Com a virada para os smartphones, a Sony Ericsson também tentou se reposicionar. A marca lançou modelos com Android e iniciou a família Xperia, que depois passou a ser conduzida apenas pela Sony. Em 2012, a empresa japonesa concluiu a compra da participação da Ericsson na joint venture, tornando a Sony Ericsson uma subsidiária integral da Sony e abrindo caminho para a marca Sony Mobile.
A era Xperia trouxe aparelhos com telas de alta resolução, câmeras avançadas, design mais sóbrio e integração com outras áreas da Sony, como fotografia, áudio, TV e PlayStation. Modelos como Xperia Z, Xperia ZQ, Xperia XZ e Xperia 1 ficaram conhecidos por recursos premium, resistência à água em algumas gerações e foco em imagem.
No Brasil, porém, a linha perdeu espaço diante da concorrência de Samsung, Motorola, Apple e, mais tarde, das fabricantes chinesas. Diferentemente da LG, a Sony não encerrou oficialmente sua divisão mobile. A linha Xperia ainda existe em alguns mercados, mas ficou muito mais restrita e distante do consumidor brasileiro.
BlackBerry: teclado físico, BBM e domínio no mundo corporativo
A BlackBerry foi uma das marcas mais desejadas antes da consolidação dos smartphones com tela totalmente sensível ao toque. No Brasil, os aparelhos ficaram conhecidos principalmente pelo teclado físico QWERTY, pelo visual executivo e pelo foco em e-mails, mensagens e produtividade. Em uma época em que muitos celulares ainda dependiam de SMS e menus simples, os BlackBerry pareciam feitos para quem precisava responder tudo rapidamente.
O grande diferencial era a combinação entre teclado físico e serviços próprios. Modelos como BlackBerry Curve, Bold, Pearl e Torch fizeram sucesso entre executivos, profissionais de comunicação e usuários que queriam digitar com mais precisão. O teclado QWERTY integrado permitia escrever e-mails e mensagens longas com mais conforto do que nos teclados numéricos tradicionais, enquanto o design passava uma imagem de aparelho sério, corporativo e conectado.
Outro recurso marcante foi o BlackBerry Messenger, mais conhecido como BBM. O serviço permitia trocar mensagens entre usuários da marca por meio do PIN, antes de WhatsApp, Telegram e iMessage se tornarem populares. Para muita gente, ter um BlackBerry também significava fazer parte de uma rede própria de comunicação, com status, praticidade e sensação de exclusividade.
BlackBerry Bold 9700, um dos modelos mais populares e o primeiro com conectividade 3G — Foto: Reprodução/BlackBerry A marca, porém, teve dificuldade para acompanhar a virada do mercado. A chegada do iPhone e o avanço dos smartphones Android mudaram a forma como as pessoas usavam o celular. Telas grandes, lojas de aplicativos, câmeras melhores e interfaces mais simples passaram a pesar mais do que o teclado físico. A BlackBerry tentou reagir com aparelhos touchscreen, modelos híbridos e o sistema BlackBerry 10, mas já enfrentava um mercado dominado por Android e iOS.
Mais tarde, a empresa também apostou em celulares com Android e teclado físico, como o BlackBerry Priv e o KeyOne, este último fabricado pela TCL sob licença. A estratégia agradou fãs da marca, mas não foi suficiente para recuperar o espaço perdido. Em 2020, a TCL encerrou a venda de aparelhos com a marca BlackBerry, e, em 2022, a própria BlackBerry desligou os serviços legados do BlackBerry OS, BlackBerry 10 e PlayBook OS. Com isso, a empresa mudou o foco para software, comunicações seguras, cibersegurança e soluções embarcadas, como a plataforma QNX.
Siemens: celulares populares que marcaram os anos 2000
A Siemens foi uma das marcas que participaram da primeira fase de popularização dos celulares no Brasil. Antes de os smartphones dominarem o mercado, a fabricante alemã disputava espaço com Nokia, Motorola, Samsung, LG e Sony Ericsson em uma época marcada por aparelhos compactos, telas pequenas, teclados físicos e funções simples. Seus modelos chamavam atenção pelo preço mais acessível, pelo visual colorido e pelo foco no uso cotidiano.
Entre os aparelhos mais lembrados estão o Siemens A40, A50, C45, A52, A55, C60, M55 e SL45. Eles não tinham câmera avançada, loja de aplicativos ou tela grande, mas entregavam o que muita gente procurava naquele período: ligações, SMS, agenda, bateria duradoura, jogos simples e algum nível de personalização. Capas coloridas, menus próprios e toques diferentes ajudavam a dar identidade aos aparelhos.
Além dos modelos convencionais, a Siemens também buscou parcerias para se aproximar do público jovem. O A40, por exemplo, ganhou versões promocionais como Oi MTV e Oi Xuxa. A segunda edição tinha ringtone da música “Ilariê”, mensagem de caixa postal com a voz da apresentadora e serviços de piadas e horóscopo. Na época, o aparelho era vendido por R$ 249 no plano pós-pago e por R$ 299 no pré-pago.
O Siemens A50 marcou época nos anos 2000 — Foto: Divulgação/Siemens O apelo popular ajudou a Siemens a ganhar presença nas vitrines brasileiras, especialmente entre consumidores que queriam comprar o primeiro celular sem gastar tanto. Modelos como o A50 e o C45 representavam bem esse momento: eram simples, cabiam facilmente no bolso, tinham bateria duradoura e atendiam às necessidades básicas de comunicação. Já o SL45 mostrava uma tentativa da marca de avançar em recursos multimídia, com suporte à reprodução de MP3.
Só que o sucesso nos celulares básicos não foi suficiente para manter a divisão mobile. Com o mercado cada vez mais competitivo e pressionado por câmeras, telas coloridas, design mais moderno e novos recursos multimídia, a Siemens perdeu força. Em 2005, a empresa vendeu sua divisão de celulares para a taiwanesa BenQ. A operação deu origem à marca BenQ-Siemens, que tentou manter a produção, mas não conseguiu recuperar relevância. Pouco depois, a divisão entrou em crise, e a Siemens deixou de atuar no mercado de celulares.
Ericsson: antes da Sony, a marca sueca já tinha fãs no Brasil
Antes de virar Sony Ericsson, a Ericsson já tinha presença própria no mercado brasileiro e fazia parte da disputa entre as grandes marcas de celulares dos anos 1990 e início dos anos 2000. A fabricante sueca era conhecida por aparelhos com visual diferente, antenas aparentes, formatos compactos e foco em telefonia móvel em uma época em que o celular ainda era usado principalmente para ligações, agenda, SMS e recursos básicos de internet.
Entre os modelos lembrados está o Ericsson T28s, apresentado em 1999 como um celular flip ultracompacto. O aparelho tinha tampa frontal acionada por botão, corpo fino para os padrões da época e recursos de personalização, como agenda interna, toques pré-carregados e composição de melodias pelo teclado. Para quem via celulares como objetos de estilo, o T28s ajudava a reforçar a imagem da Ericsson como uma marca mais técnica e sofisticada.
Outro modelo importante foi o Ericsson T68, lançado em 2001. O aparelho é lembrado por ter sido o primeiro celular da Ericsson com tela colorida e um dos últimos a chegar ao mercado com a marca Ericsson antes da criação da Sony Ericsson. Além do display de 256 cores, o T68 trazia recursos avançados para a época, como Bluetooth, infravermelho, GPRS, WAP e compatibilidade tri-band.
Sony Ericsson T68i foi o primeiro celular com tela colorida — Foto: Divulgação/Sony Ericsson Mobile Communications A marca também teve aparelhos voltados ao público mais corporativo e entusiasta, como o Ericsson R380, lançado em 2000. O modelo combinava funções de celular e assistente pessoal digital, com tela sensível ao toque escondida sob uma tampa física. Ele é frequentemente lembrado como um dos primeiros dispositivos comercializados com a palavra “smartphone”, muito antes de o termo se popularizar com iPhone e Android.
Apesar da força em tecnologia e telecomunicações, a Ericsson começou a enfrentar dificuldades no mercado de celulares diante da concorrência de Nokia, Motorola e outras fabricantes. Em 2001, a empresa decidiu unir sua divisão de celulares à Sony, criando a Sony Ericsson. Segundo a própria Ericsson, a competição no setor havia ficado mais dura, e a companhia não podia mais depender apenas de sua experiência técnica.
A parceria daria origem a modelos icônicos das linhas Walkman, Cyber-shot e Xperia, que marcariam a fase seguinte da marca no Brasil e no mundo. Depois disso, o nome Ericsson deixou de aparecer sozinho nos celulares, mas continuou muito forte no setor de infraestrutura de telecomunicações. Hoje, a empresa segue atuando em redes móveis, 5G, hardware, software e serviços para operadoras e empresas, inclusive no Brasil.
HTC: pioneira em Android premium que perdeu espaço no país
A HTC foi uma das marcas mais importantes no começo da era Android, mesmo que sua presença no Brasil tenha sido mais curta e menos popular que a de Nokia, Motorola, Samsung e LG. A fabricante taiwanesa ajudou a definir o que seria o smartphone moderno em um momento de transição entre celulares com teclado físico, aparelhos corporativos e modelos totalmente voltados a telas sensíveis ao toque. O T-Mobile G1, fabricado pela HTC e lançado em 2008, ficou conhecido como o primeiro celular comercial com Android, com acesso ao Android Market, Google Maps, Gmail e YouTube.
A marca também ficou associada a smartphones Android premium. Linhas como HTC Desire, Sensation e One chamavam atenção por acabamento bem construído, interface Sense e foco em experiência de uso. O HTC One, lançado em 2013, foi um dos modelos mais lembrados dessa fase, com corpo de alumínio, tela Full HD, alto-falantes frontais e proposta mais sofisticada que muitos concorrentes Android da época.
HTC perdeu relevância em meio a concorrência — Foto: Allan Melo/TechTudo No Brasil, porém, a HTC nunca conseguiu se consolidar de forma ampla. A marca chegou a vender modelos como HTC Ultimate e outros smartphones com Android e Windows Phone, mas enfrentou um mercado difícil, com impostos altos, concorrência agressiva e presença forte de fabricantes já estabelecidas. Em 2012, a empresa encerrou sua operação brasileira, cerca de quatro anos após entrar oficialmente no país.
No mercado global, a HTC sofreu com a ascensão de Samsung e Apple no segmento premium e, ao mesmo tempo, com o avanço de fabricantes chinesas em faixas mais acessíveis. Mesmo com aparelhos elogiados, a empresa teve dificuldade para competir em escala, marketing, preço e distribuição. O resultado foi uma redução gradual de relevância em smartphones, até que parte importante da equipe de hardware da HTC passou a integrar o Google em um acordo de US$ 1,1 bilhão anunciado em 2017.
Por que tantas marcas deixaram o mercado de celulares?
A saída de tantas marcas do mercado de celulares não aconteceu por um único motivo. O setor passou por uma transformação profunda com a chegada dos smartphones modernos, a consolidação do Android e do iOS, o crescimento das lojas de aplicativos e a necessidade de investir cada vez mais em hardware, software, câmeras, marketing, distribuição e suporte. Fabricantes que eram fortes na era dos celulares comuns tiveram dificuldade para acompanhar essa virada.
Nos anos 1990 e 2000, ainda era possível competir com aparelhos de teclado físico, bateria duradoura, design chamativo, toques personalizados e funções básicas, como ligações, SMS, agenda e jogos simples. Com o avanço dos smartphones, porém, o celular deixou de ser apenas um telefone e passou a funcionar como uma plataforma completa. Não bastava mais lançar um bom aparelho: era preciso oferecer sistema atualizado, loja de apps forte, serviços integrados, câmeras avançadas, telas melhores, chips competitivos e escala global para negociar componentes.
Consolidação do mercado de smartphones afastou marcas do negócio — Foto: Reprodução/Unsplash Também pesou a concentração do mercado em poucas gigantes. Samsung e Apple ganharam força nos modelos premium, enquanto fabricantes chinesas passaram a pressionar em preço, ficha técnica e volume. Com isso, marcas menores ou em reestruturação precisavam competir ao mesmo tempo contra empresas com mais dinheiro, escala de produção, presença global, marketing agressivo e cadeias de distribuição mais eficientes.
Com informações de TechTudo (1, 2 , 3, 4), xda-developers, The Korea Herald, LG, Nokia, Gadgets Now, Gadgets 360, Pocketlint, Hexus, investopedia, Pestel, LA Times, Alibaba, The Verge e Statista
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