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Lembra onde estava no 11/9? Como até 'memórias falsas' formam nossa identidade

Para perdurar, as lembranças precisam ser mantidas ativamente: evocá-las reforça essas conexões físicas. Esquecer, por outro lado, é "podar" essas ligações: negligência ou confusão atrofiam a memória, e a tendência é preencher as lacunas com as narrativas alheias.

O problema é que o cérebro armazena essas falsas memórias, de coisas não vivenciadas, exatamente do mesmo modo que as reais, e o mesmo se aplica a informações tendenciosas. Segundo Echterhoff, até agora pesquisadores e psiquiatras não encontraram uma receita perfeitamente confiável para distinguir, no nível cerebral, realidade de falsidade.

O caso Ingram: mentira ou sugestionamento?

Em 1988, Paul Ingram foi preso pela polícia estadual de Washington, Estados Unidos, acusado pelas duas filhas de abuso sexual e atos sacrificiais. Alegando não se lembrar de nada nesse sentido, ele rebateu inicialmente as imputações. Pouco a pouco, porém, começou a duvidar da própria certeza: "Minhas meninas me conhecem, elas não mentiriam sobre algo assim."

Profundamente religioso, ele orou por uma orientação e começou a imaginar como teria sido abusar das próprias filhas. Durante o interrogatório, um psicólogo lhe disse que era comum criminosos sexuais recalcarem seus atos, guiando efetivamente a imaginação e a "memória" de Ingram. Para o acusado, era Deus que agora estava lhe revelando a verdade.

Ele acabou por se declarar culpado dos abusos, chegando a dar, durante o processo, uma descrição elaborada de atos satânicos e de sacrifícios ritualísticos de animais e bebês, culminando numa sentença de 20 anos de prisão.

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