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Líderes sindicais defendem fim da escala 6x1 sem compensação ou transição

Redução das jornadas é apontada como marco para o Brasil. Os sindicalistas afirmaram que a mudança vai representar ganhos aos trabalhadores sem prejudicar as empresas. "Nós já tivemos na história, quando se criou o 13º salário, a tentativa de apavorar a sociedade de que o setor produtivo, do comércio e da indústria não iria conseguir absorver esse custo e nada aconteceu. Pelo contrário, o trabalhador foi colocado no orçamento, na possibilidade de consumidor", afirmou Leite.

Fim da escala 6x1 é apontado como fundamental para as mulheres. A perspectiva foi levantada por Sônia Zerino, presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores). Ela afirma que a visão torna a redução "urgente" devido às jornadas acumuladas. "Além do trabalho formal, ainda recai sobre elas a maior parte das responsabilidades domésticas e do cuidado com filhos, idosos e familiares. É a chamada dupla ou tripla jornada", disse.

Para muitas mulheres, o único dia de folga não é dia de descanso. É o dia de limpar a casa, organizar a vida, cuidar de quem precisa. Não há pausa real.
Sônia Zerino

Líderes também criticam as alegações de perda de potencial produtivo. Os representantes sindicais avaliam que a redução da jornada nunca representou a interrupção do desenvolvimento. "[As mudanças] frequentemente acompanharam períodos de modernização econômica, reorganização produtiva e aumento de produtividade. Talvez porque o desenvolvimento não signifique apenas produzir mais, mas produzir e viver melhor", afirmou Antônio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros).

Contrapartidas em articulação são rejeitadas pelos sindicatos. Nobre rejeitou as propostas de uma compensação ao setor produtivo, a criação de um período de transição ou a redução de 50% da contribuição ao FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) para a adoção da nova jornada. "Nós não vemos sentido em esperar mais quatro anos. Chega, as condições estão dadas. É uma exigência da sociedade e queremos 40 horas sem transição", disse o presidente da CUT.

Custos e competitividade importam, mas talvez tenha chegado o momento de refletirmos se parte dos ganhos de eficiência não passou a depender exclusivamente da compressão do fator humano, porque produtividade sustentável não se constrói apenas reduzindo custos.
Antônio Neto

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