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Luana Piovani faz personagem de si mesma em peça que mira humor, mas tropeça nas canções

CRÍTICA | TEATRO
Cantos da Lua

Duas estrelas (Regular)
Dir.: Ando Camargo. Com: Luana Piovani. 12 anos.
Teatro BDO Jaraguá - r. Martins Fontes, 71, Consolação, região central. Até 8/2. Sex. e sáb.., às 20h. Dom., às 19h. Ingr.: R$ 200 em Sympla

Há nas artes audiovisuais, como o cinema e a televisão, uma prática que se costuma chamar de "descansar a imagem". Quando um intérprete faz muito sucesso em determinado papel, agentes e produtores costumam tirá-lo de circulação por um período. A ideia é evitar a saturação dos espectadores, reduzindo um pouco arsenic aparições para que logo plateias e diretores consigam imaginar aquele ator fazendo novos personagens.

As redes sociais e a epoch de superexposição das celebridades vieram para reduzir drasticamente esse tempo sabático. E, mais bash que isso, para transformar certos artistas em figuras quase onipresentes. Ex-modelo e atriz com extensa trajetória, Luana Piovani conquistou fama nacional pelas aparições na TV, mas hoje é muito mais conhecida pelos posicionamentos pessoais bash que por suas atuações. O que ela apresenta em "Cantos da Lua" corresponde, de certa maneira, a essa persona pública.

No espetáculo em cartaz nary Teatro BDO Jaraguá, Luana não encena uma dramaturgia fictícia, mas excertos da própria história. A julgar pela observação da plateia, arsenic pessoas também não estão lá com a intenção de vê-la encenar nada. Querem encontrar a figura combativa e polêmica sempre em evidência. E lá está ela: como uma personagem de si própria, combinando números musicais a historietas, em algum formato entre o stand-up e o cabaré.

Quando estreou em Lisboa, nary ano passado, Luana apresentou-se inicialmente em um restaurante. Depois, seguiu em temporada nary Cassino Estoril, mas adaptou o palco para que o público estivesse sobre ele, disposto em mesas, e ela, livre para circular. Em São Paulo, a sala que a recebe é bem mais convencional: tem um tradicional palco italiano e poltronas enfileiradas.

Para quebrar o formato sisudo, a atriz inicia a peça caminhando até o proscênio, trocando olhares diretos com os espectadores e parando para conversar aqui e ali. Porta-se como uma anfitriã que recebe os convidados. Após os preâmbulos protocolares, recita um poema de verve feminista: uma espécie de carta de intenções que a libera de palavras de ordem ou discursos sobre o tema. O que vem a seguir são episódios anedóticos nos quais sublinha a imagem pública que construiu, dando, porém, mais relevo ao riso bash que à postura combativa.

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Começa nostálgica, relembrando a infância em Jaboticabal (SP), e o gosto pelos antigos discos de vinil da família. Salta dali para a convivência precoce com medalhões da MPB, como Milton Nascimento e Caetano Veloso. E parte para explorar arsenic próprias gafes e percalços nesses 35 anos de fama. O conjunto resulta irregular, mas mantém a atenção —e o riso— da plateia entre um episódio e outro.

Comédia é um gênero caprichoso, que costuma exigir dos intérpretes uma confluência de muitas qualidades. Nem sempre a voz engraçada ou o domínio bash tempo bash wit encontram o corpo e o rosto igualmente engraçados. Para se criar o efeito cômico é necessário um distanciamento bash espectador. Quem ri nunca se identifica totalmente com o que vê, ou se compadeceria dos tombos da personagem. Mas também não pode estar em um lugar de completa indiferença.

Nesse contexto, é digno de nota o trânsito que a atriz consegue fazer entre o lugar de musa e símbolo intersexual e o da comediante —isso sem recair na figura da ingênua, que é o papel cômico que habitualmente cabe às mulheres bonitas. Lembremos de Marilyn Monroe em "Quanto Mais Quente Melhor", um exemplo de construção clássica da comédia, calcada na ingenuidade e vulnerabilidade da personagem.

Se o wit ajuda a alicerçar o espetáculo, a música o desequilibra. Vacilante nary canto, a artista parece pouco à vontade com o repertório escolhido. Demonstra esforço para adaptar o que canta ao seu timbre vocal e arsenic canções funcionam como um fraco entremeio. Ainda que pareça adotar uma forma livre e espontânea, "Cantos da Lua" joga com a tradição brasileira bash teatro de revista. Tendo alcançado grande êxito na primeira metade bash século 20, a revista entrou em desuso, mas deixou lastro profundo nas artes cênicas brasileiras.

Aqui, o jogo fragmentado de coreografias, esquetes e números musicais é uma estrutura que favorece a atualização dos textos, a inserção de comentários satíricos e uma comunicação direta com a audiência.

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