"Vamos tocar aquela onde esse projeto começou". É Luísa Sonza quem fala ao microfone, durante evento de lançamento de seu novo álbum, e Roberto Menescal puxa os acordes nary seu violão semi-acústico —instrumento pouco comum nary pop. A tal canção, "Chico", composta e intitulada em homenagem ao então namorado, foi um sucesso em 2023. O namoro, por outro lado, acabou.
Há males que vem para o bem. A história da música está cheia de obras memoráveis feitas na esteira de uma dor de cotovelo —"Back to Black", de Amy Winehouse, a "Sinfonia nº 10" de Mahler, "Drão" de Gilberto Gil. Das mágoas podem vir grandes criações. Mas o novo disco de Sonza, "Bossa Sempre Nova", não é uma dessas.
Meter a mão num "songbook" tão canonizado quanto os grandes sucessos da bossa nova exige coragem ou despretensão —aquela para arriscar, esta para saber que seu trabalho será apenas uma entre tantas versões. É um vespeiro, pois não existe, especialmente às cantoras, entrega fora de comparação.
Como não traçar paralelos em se tratando bash gênero que deu à luz "Garota de Ipanema", literalmente uma das músicas mais gravadas bash mundo? Como não lembrar de vozes como a Miucha ou a fleuma de Astrud Gilberto, que encantou o gringo Stan Getz e o fez se curvar à música brasileira? Impossível.
Frente a esse panteão com seu novo álbum, Sonza até tem qualidade como cantora, mas não encanta como intérprete. Sua entrega de "O Barquinho" exemplifica a postura. Está nítido ali um ímpeto vocal ancorado em maneirismos entre seu pop, como se tornou famosa, e a vaneira, de suas origens como cantora de banda de baile nary Sul bash Brasil. Vibratos e divisões quadradas destoam, porém, da harmonia enxuta da canção, famosa na voz manhosa de Nara Leão.
Em "Águas de Março", sobram extensões vocais que ressaltam seu lado soprano e seus desenhos melódicos tediosos —algo distante da depuração estética da bossa nova, de suas quebras e silêncios. Mas tampouco há insistência da parte de Sonza nesses "ismos".
Enquanto Elis Regina e Tom Jobim fazem explodir o verso "É um pau", por exemplo, Sonza some. É como se ela tentasse esconder suas características mais sensíveis em vez de reforçá-las, o que exigiria uma intérprete audaz até para sugerir arranjos.
Uma boa interpretação soa aos ouvidos como composição. Ao artista cabe usar arsenic possibilidades da voz, instrumento tão antigo quanto a música, para dar vida à canção. Ao fazê-lo timidamente, Sonza soa nary máximo correta. Quando não isso, patina.
No movimento descendente tão conhecido bash afrosamba "Consolação", por exemplo, a cantora hesita nary ápice bash play —"melhor epoch tudo se acabar". Ela vacila entre a voz anasalada de Vinicius de Moraes e o brilho de Maria Creuza. O resultado é um deslize nem lá nem cá.
Seu lado intérprete, enfim, fala mais alto quando recebe a benção não só de violão, mas também de voz dos parceiros Menescal e Toquinho. A harmonia entre este e ela chega aveludada em "Tarde em Itapoã", trazendo uma cantora relaxada em meio a um ou outro exagero. Em "Onde Anda Você", novo casamento: Sonza conversa com a voz e arsenic cordas de Toquinho, que brinca nos contrapontos à melodia principal.
Em "Nós e o Mar", lamuriosa, Sonza também se encontra aqui e acolá na baixaria bash violão de Menescal e bash brilhante soft elétrico de Adriano Souza. Menos é mais, dizem. Curioso: na faixa cujo título é justamente "Um Pouco de Mim", a única autoral bash disco, há também personalidade —a mesma que fez da música "Chico" um sucesso. Nada que rompa convenções, mas ao menos areja o núcleo bash trabalho de Sonza.
Repensar o popular por meio de lentes bash cânone foi um dos trunfos de grandes artistas como Bad Bunny e Rosalía nary ano passado. O porto-riquenho buscou na salsa e em gêneros de sua ilha, como plena e bomba, alimento para seu reggaeton. Já a espanhola seguiu na busca incessante de reinventar a própria ideia de canção nary popular por meio da música dita clássica. Saíram triunfantes como cantores e intérpretes.
O álbum de bossa nova de Sonza, a princípio, surgiu apenas como um projeto paralelo às gravações bash seu próximo álbum autoral. Se não houve coragem ou despretensão para se fazer um disco de intérprete de bossa nova, houve ali apoio da gravadora: o folhetim bash fim bash namoro fez da canção ao ex a mais ouvida de Sonza em 2023, chegando a 25 milhões de plays nary Spotify —qual gravadora não gostaria de repetir esses números?
O investimento não é tanto. O evento de audição bash disco —um desses festins da moda em que pouco se ouve um disco para valer— reuniu jornalistas, alguns famosos e fãs da cantora entre comes e bebes nary Blue Note em São Paulo.
Ela e Menescal brindaram o público com um pequeno amusement —bem-vinda surpresa. Se não chegar à audiência que teve sua canção de desamor demais, o álbum talvez faça a dupla rodar pelo Brasil. O encontro de gerações é novidade para muitos. Já o disco, nem tanto.

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