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Lula conversou com vice de Maduro logo após prisão do ditador, diz Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone com a atual presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, no último sábado (3) pela manhã, informou o Palácio do Planalto.

Na ligação, Delcy Rodríguez confirmou a captura e, no momento, ainda não tinha informações detalhadas sobre o paradeiro do ditador venezuelano.

Lula e Delcy em uma reuniao em Bruxelas, na Bélgica, em 2023 — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os canais diplomáticos entre Venezuela e Brasil estão abalados desde a reeleição de Maduro, em julho de 2024.

O Brasil questionou o resultado anunciado por Caracas e pediu a apresentação das atas eleitorais, o que o regime de Maduro não fez.

O governo brasileiro também atuou contra a entrada da Venezuela no Brics – bloco econômico que reúne Brasil, Índia, China, Rússia e outros sete países.

Segundo o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, não é possível "aceitar o argumento de que os fins justificam os meios".

Danese afirmou que esse raciocínio "carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos."

"O mundo multipolar do século XXI, que promova a paz e a prosperidade, não se confunde com áreas de influência", pontou.
"O Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional", afirmou o embaixador.
"Os bombardeios em território venezuelano e a captura de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos constituem uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", prosseguiu.

De acordo com o embaixador, a Carta das Nações Unidas estabelece, como pilar da ordem internacional, a proibição do uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo nas circunstâncias estritamente previstas nela.

Nesse sentido, Sérgio Danese ponderou que a aceitação de ações dessa natureza poderiam conduzir a um "cenário marcado pela violência, pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo".

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