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Lula e novo presidente da Colômbia devem ter relação pragmática, avalia diplomacia do Brasil

Horas depois, Espriella respondeu o petista e escreveu que pretende manter uma relação de cooperação com o Brasil.

“A Colômbia, em liberdade e ordem, sob meu mandato, buscará um único objetivo: cumprir a aliança com o povo que, como afirmei durante a campanha, não é de ideologias, mas de extrema coerência, e isso inclui nossos vizinhos do Brasil, liderados por seu presidente, Lula”, afirmou.

O governo brasileiro avalia que a relação entre os dois países deve seguir construtiva e não dependerá de alinhamento ideológico.

Para interlocutores da área internacional do governo Lula, a Colômbia, assim como outros países da América do Sul, deve seguir interessada em se aproximar do Brasil principalmente em:

  • infraestrutura;
  • energia;
  • combate ao crime organizado; e
  • monitoramento, prevenção e mitigação de desastres naturais.

Abelardo de la Espriella (à esquerda), candidato eleito para presidente da Colômbia em apuração preliminar, e Donald Trump, presidente dos EUA — Foto: Jaime Saldarriaga/AFP/Evelyn Hockstein/REUTERS

Direita na América do Sul

A vitória do candidato de direita na Colômbia reforça a tendência de avanço de forças conservadoras e da extrema-direita na América do Sul – e consequentemente de aproximação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

O candidato derrotado foi o governista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, um político de esquerda. O resultado deixou Lula como um dos poucos líderes de esquerda das principais economias sul-americanas às vésperas da disputa eleitoral de 2026.

Mapa mostra disposição entre países governados pela esquerda e pela direita na América Latina após eleição na Colômbia em junho de 2026. — Foto: Bruna Azevedo/g1

Auxiliares do presidente Lula afirmam que a nova configuração política da região vai ampliar a influência dos Estados Unidos e aumentar a pressão sobre Lula no tema do combate ao crime organizado.

Brasil e Colômbia, sob o governo de Gustavo Petro, foram os únicos que não aderiram ao Escudo das Américas, uma coalizão militar contra os cartéis de drogas.

A diplomacia brasileira acredita que, com o novo governo, a Colômbia deve se aliar ao grupo assim que for possível. O Brasil, por sua vez, deve se aproximar mais de países como México, Guiana e Suriname.

Auxliares de Lula dizem que o presidente brasileiro não deve adotar uma postura bélica com Abelardo e esperam que o colombiano aja da mesma forma. O governo brasileiro espera repetir a postura que tem com outros países em que a direita venceu como Bolívia e Chile – uma política de boa vizinhança.

Como fica a integração regional?

Apesar de haver consenso entre os países em temas como comércio e infraestrutura, a mudança no perfil político dos governos vai dificultar articulações de fóruns regionais como a Celac e a Unasul, defendidos por Lula.

O Mercosul deve manter sua importância na região. O bloco reúne uma estrutura comercial consolidada, com forte fluxo de mercadorias entre os países membros, além de projetos conjuntos de infraestrutura e logística.

Diplomatas avaliam que a integração econômica torna o Mercosul menos influenciado por mudanças de governo. Os governos sul-americanos de direita propõem maior abertura econômica ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos e em parte da Europa, onde partidos de direita têm adotado discursos mais protecionistas.

EUA quer aumentar presença na região

Os Estados Unidos deseja ampliar sua presença militar e influência na América Latina. Os EUA também focam em conter o avanço da China e proteger seu comércio. Trump foca em combater a imigração ilegal e o narcotráfico

Para isso, ele propõe a retomada da política externa do ex-presidente James Monroe (1758-1831): "A América para os Americanos". Com a Doutrina Monroe, os Estados Unidos declararam, em 1823, sua intenção de proteger a região contra o avanço de potências de outros continentes.

Na avaliação de diplomatas brasileiros, o que se vê na prática, é que a estratégia pauta para a região uma agenda negativa sem propostas concretas e sem um projeto de integração de direita para a região.

Para interlocutores de Lula, os EUA não fazem movimentos para oferecer investimento e nem comércio na América Latina, ao contrário. Nos últimos meses, o governo de Donald Trump vem intensificando as ofensivas a países com novas taxações comerciais, inclusive ao Brasil.

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