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Na quarta-feira de Cinzas (18), tivemos a notícia de que mais um banco foi liquidado pelo Banco Central — o Banco Pleno, cujo nome já foi Voiter e Indusval.
O fato está ligado ao Banco Master, que chegou a anunciar a compra do Voiter, mas, após desentendimentos com a família vendedora, o controle da instituição foi transferido para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, dono do recém-extinto Master. Lima foi preso em 18 de novembro, mas hoje está solto, com tornozeleira eletrônica.
A liquidação de um terceiro banco em apenas três meses (o Master, em novembro do ano passado, o Will Bank, em janeiro de 2026, e agora o Pleno), naturalmente, levanta preocupações de investidores. Será que, a partir de agora, o BC vai fechar um banco por mês? Todos os bancos médios estão em xeque?
Eu não diria isso. Existem mais de 100 instituições financeiras no Brasil, e as liquidações recentes estão todas ligadas a um mesmo caso de fraudes e crimes contra o sistema financeiro, segundo a Polícia Federal.
Se o motivo das liquidações não fosse um conjunto de crimes contra o sistema financeiro, e sim uma dificuldade generalizada dos bancos médios em captar recursos, por exemplo, seria bem mais preocupante.
Por outro lado, também não é possível achar que está tudo tranquilo. A PF está fazendo uma faxina no sistema financeiro e ainda pode encontrar muita coisa. Então vamos continuar a análise.
Investir em CDBs deixou de ser seguro?
Não considero que CDBs ou quaisquer títulos de bancos médios deixaram de ser seguros, desde que o investidor fique dentro dos limites do FGC (Fundo Garantidor de Crédito).
Quando um banco quebra, o FGC reembolsa os clientes lesados, até o limite de R$ 250 mil por pessoa e por conglomerado.
Por exemplo, se você tivesse R$ 200 mil no Banco Master e R$ 100 mil no Will Bank, que pertenciam ao mesmo conglomerado, o FGC lhe pagaria, no total, R$ 250 mil após a liquidação dessas instituições.
Já quem detinha uma quantia inferior a R$ 250 mil nos mesmos bancos recebeu ressarcimento de 100% do valor, somando a quantia aplicada e os juros acumulados até a data da liquidação.
E se o FGC quebrar?
Antes do Banco Master, o FGC tinha cerca de R$ 150 bilhões disponíveis para cobrir clientes de instituições financeiras que, porventura, viessem a quebrar.
Agora, após a liquidação do Master, do Will Bank e do Pleno, a tendência é que fique com cerca de R$ 90 bilhões (o tamanho do rombo do Pleno ainda não foi divulgado).
Isso representaria uma perda de, aproximadamente, 40% do caixa do FGC em menos de seis meses.
Mesmo assim, considero improvável que, um dia, os investidores com menos de R$ 250 mil em algum banco que venha a quebrar fiquem na mão. Se um dia o FGC não der conta de ressarcir todo mundo, o mais provável que o governo (ou seja, todos nós), o façamos.
A inação do governo em caso de saldo insuficiente no FGC geraria pânico na população e, possivelmente, uma quebradeira em cascata no sistema financeiro, ameaçando, inclusive, os maiores conglomerados.
Seria irracional que um governante deixasse isso acontecer, pois ele acabaria sepultando ali mesmo a sua vida política. Aliás, quando não existia o FGC, era o governo que salvava os investidores, como ocorreu nos casos dos bancos Econômico e Nacional, na década de 1990.
Afinal, ainda vale a pena investir em bancos médios?
Resumindo, ainda vejo como baixo o risco de um investidor que esteja dentro dos limites do FGC não receber o seu dinheiro em caso de quebra de um banco.
Para isso acontecer, deveriam quebrar pelo menos mais três bancos do porte do Master e, além disso, o governo precisaria mudar a sua postura e decidir que, dessa vez, não salvará os investidores, como salvou no passado.
Esse é o risco que você corre ao investir em um banco médio.
Agora vamos falar do retorno?
Os títulos emitidos por qualquer banco sempre serão menos seguros do que o Tesouro Direto. Assim, para que um CDB, por exemplo, valha a pena, ele precisa render mais que o Tesouro.
Hoje, para se ter um rendimento líquido de R$ 1.000 por mês, é preciso ter cerca de R$ 107 mil no Tesouro Selic, um título do Tesouro Direto. Já em um CDB com rentabilidade de 110% do CDI, é possível conseguir o mesmo rendimento com R$ 97 mil aplicados. Caso o CDB seja de 115% do CDI, a quantia necessária é de R$ 93 mil.
Os cálculos já consideram uma redução da taxa básica de juros, a Taxa Selic, para 12,5% ao ano até o final de 2026.
Com esses dados na mão, cabe a você decidir: vale a pena investir em um CDB? Essa diferença de retorno empolga você? Não há uma resposta certa. Cada investidor precisa olhar para esses dados e decidir se se sente confortável ou não considerando o risco e o retorno potencial desse tipo de título.
Opinião
Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.
Este material não é um relatório de análise, recomendação de investimento ou oferta de valor mobiliário. Este conteúdo é de responsabilidade do corpo jornalístico do UOL Economia, que possui liberdade editorial. Quaisquer opiniões de especialistas credenciados eventualmente utilizadas como amparo à matéria refletem exclusivamente as opiniões pessoais desses especialistas e foram elaboradas de forma independente do Universo Online S.A.. Este material tem objetivo informativo e não tem a finalidade de assegurar a existência de garantia de resultados futuros ou a isenção de riscos. Os produtos de investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os perfis de investidores, sendo importante o preenchimento do questionário de suitability para identificação de produtos adequados ao seu perfil, bem como a consulta de especialistas de confiança antes de qualquer investimento. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura e não está isenta de tributação. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, a depender de condições de mercado, podendo resultar em perdas. O Universo Online S.A. se exime de toda e qualquer responsabilidade por eventuais prejuízos que venham a decorrer da utilização deste material.

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2 semanas atrás
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