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María Corina Machado reúne multidão em Madri e fala em ‘retorno para casa’ da diáspora venezuelana

Em discurso à diáspora, Machado adotou um tom de mobilização e retorno.

“Aqui estamos iniciando o retorno para casa”, disse à multidão, que entoava pedidos por eleições.

A manifestação foi o ponto alto da visita da opositora à Espanha e marcou um encontro com venezuelanos que vivem no exterior após anos sem que ela deixasse o país.

A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, discursa durante uma manifestação com apoiadores venezuelanos, em sua visita à Espanha — Foto: REUTERS/Isabel Infantes

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Discurso mira reconstrução após décadas de chavismo

No discurso, a líder oposicionista afirmou que os anos sob o chavismo representaram uma preparação para um novo momento político.

Segundo ela, os venezuelanos que emigraram aproveitaram o período fora para trabalhar, se estabelecer e se organizar para um eventual retorno.

Machado mencionou os “27 anos” de chavismo —período que engloba os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro— e disse que esse ciclo preparou o país para uma fase de reconstrução.

“Tudo o que fizemos durante estes longos 27 anos foi nos preparar para um momento de reencontro e de construção de uma nação que será livre para sempre”, afirmou.

Apoiadores participam de um comício com a líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, durante sua visita à Espanha, em Madri — Foto: REUTERS/Isabel Infantes

Espanha concentra uma das maiores comunidades venezuelanas

A escolha de Madri para o ato também tem peso simbólico. A Espanha é um dos principais destinos da diáspora venezuelana, com cerca de 700 mil cidadãos do país vivendo no território espanhol.

Entre os presentes, o clima era de expectativa de retorno. A venezuelana Dayanna Padrino, de 37 anos, que vive há dois anos na Espanha, afirmou que o processo de volta ao país “já é irreversível”.

Segundo ela, há esperança de reconstruir a Venezuela e recuperar condições de vida anteriores à crise. “Acho que nos resta muito pouco lá fora”, disse.

A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, participa de um comício com apoiadores venezuelanos durante sua visita à Espanha — Foto: REUTERS/Isabel Infantes

Machado diz não se arrepender de gesto com Trump

Ela afirmou não se arrepender do gesto e disse que o republicano foi o único líder mundial que, segundo ela, colocou em risco cidadãos de seu próprio país em nome da liberdade da Venezuela.

Machado também reforçou que mantém diálogo com Washington e classificou os Estados Unidos como peça “fundamental” para avançar em uma transição democrática no país.

A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, participa de um comício com apoiadores venezuelanos durante sua visita à Espanha — Foto: REUTERS/Isabel Infantes

Retorno à Venezuela é articulado com Washington

A opositora afirmou que discute sua volta à Venezuela em coordenação com o governo americano.

Segundo ela, o processo está sendo conduzido com “respeito mútuo e entendimento” e faz parte de um esforço mais amplo para reorganizar o cenário político venezuelano.

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, abraça crianças durante uma manifestação com apoiadores da Venezuela, em sua visita à Espanha — Foto: REUTERS/Isabel Infantes

Críticas a Petro e rejeição a proposta de governo conjunto

Machado também criticou o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que propôs a formação de um governo de concentração na Venezuela entre a presidente interina Delcy Rodríguez e a oposição.

Para a líder venezuelana, a proposta representa uma tentativa de impedir o avanço do processo eleitoral.

Ela afirmou que há atores internacionais que, antes, defendiam participação em eleições consideradas irregulares, mas agora resistem à realização de novos pleitos.

Machado também fez críticas diretas ao atual governo interino, afirmando que Delcy Rodríguez e seu grupo representam “o caos”, “a violência” e “o terror”.

A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, participa de uma manifestação com apoiadores da Venezuela em Madri. — Foto: REUTERS/Isabel Infantes

Tensão política marca agenda na Espanha

A visita à Espanha também foi marcada por tensões políticas. Machado recusou um encontro com o primeiro-ministro Pedro Sánchez, alegando que a reunião não seria adequada diante da realização de uma cúpula de líderes progressistas em Barcelona.

Sánchez havia se colocado à disposição para recebê-la e defendeu que o futuro da Venezuela seja decidido de forma democrática e sem interferência externa.

A opositora, por outro lado, manteve agenda com aliados da direita espanhola, incluindo a líder regional de Madri, Isabel Díaz Ayuso, uma das principais críticas do governo espanhol.

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