4 meses atrás 90

Melo e Heinze debatem sobre os empecilhos às obras de proteção às enchentes no Tá na Mesa

Pensando em debater os empecilhos às obras de proteção às enchentes enfrentados pelos prefeitos gaúchos, o Tá na Mesa da Federasul desta quarta-feira (9) contou com a presença do prefeito de Porto Alegre Sebastião Melo, do senador Luiz Carlos Heinze, do presidente da Federasul Rodrigo Sousa Costa e dos prefeitos das cidades de Eldorado do Sul e Taquarí, Juliana Carvalho e André Brito. Durante a conversa, um dos principais temas debatidos foi a lentidão burocrática, que, segundo os palestrantes, resulta na dificuldade de aplicação de recursos destinados à reconstrução do Estado. Também houve um consenso sobre a necessidade da colaboração entre os níveis de governo e da superação de entraves políticos para que tragédias como a de maio de 2024 não aconteçam novamente.

Continue sua leitura, escolha seu plano agora!

Pensando em debater os empecilhos às obras de proteção às enchentes enfrentados pelos prefeitos gaúchos, o Tá na Mesa da Federasul desta quarta-feira (9) contou com a presença do prefeito de Porto Alegre Sebastião Melo, do senador Luiz Carlos Heinze, do presidente da Federasul Rodrigo Sousa Costa e dos prefeitos das cidades de Eldorado do Sul e Taquarí, Juliana Carvalho e André Brito.

Durante a conversa, um dos principais temas debatidos foi a lentidão burocrática, que, segundo os palestrantes, resulta na dificuldade de aplicação de recursos destinados à reconstrução do Estado. Também houve um consenso sobre a necessidade da colaboração entre os níveis de governo e da superação de entraves políticos para que tragédias como a de maio de 2024 não aconteçam novamente.

LEIA TAMBÉM: Governo do RS espera resultados da batimetria para decidir sobre desassoreamento do Guaíba

"Resolvemos fazer esse encontro em caráter emergencial, justamente porque estivemos na iminência de sermos vítimas de outra grande enchente. A tragédia do ano passado trouxe dor, perdas e mortes, mas vimos também um momento de superação pela união, em que as pessoas voluntariamente arriscaram a vida para salvar desconhecidos. Foi um momento único na história de um estado que tem histórico de beligerância, de disputas e morosidade. Tem um artigo circulando nas redes sociais de uma economista do centro país, a Zeina Latif. O título do artigo é “Ficou para trás” e é sobre nós, o Rio Grande do Sul. Ela diz que além do desequilíbrio fiscal, a litigância do gaúcho trouxe insegurança jurídica e afastou investimentos. Nós ficamos para trás de tanto que brigamos. Então, não queremos que a tragédia seja utilizada como arena de disputa eleitoral. Isso não é saudável numa democracia", destacou o presidente da Federasul, em tom de desabafo.

Melo, por sua vez, destacou a importância de debater o assunto, mas criticou a falta de clareza sobre o que é competência do Estado, da União e dos municípios, afirmando que, sem isso, a conversa "fica torta". "A microdrenagem e a macrodrenagem são responsabilidades da prefeitura. Na proteção de cheias, mesmo que seja uma responsabilidade do governo federal, estamos fazendo a nossa parte, com os empréstimos, com o dinheiro próprio, e vamos tocar a obra", afirmou.

Assim, o prefeito chegou a criticar o critério adotado pelo governo estadual para a utilização das verbas do Fundo Rio Grande (Funrigs), composto principalmente com o dinheiro da suspensão do pagamento da dívida e do Estado por três anos. "O governo abriu uma janela, nós pedimos R$ 500 milhões e até agora recebemos R$ 171 milhões, em um critério que eu não concordo, mas respeito. Porque, por exemplo, se estou com uma obra em andamento, ele dá um desconto de 50%, pois, já que comecei a obra, ele não te paga a obra inteira. Esses R$ 171 milhões não estão na conta da prefeitura, eu assinei o convênio faz dois dias, e eles vão pagar em três parcelas - R$ 68 milhões a primeira, depois tem a segunda e a terceira parcela, que vai fazer com que eu possa pagar obras que tão fazendo e obras que vão fazer de março a fevereiro”, ponderou.

Apesar dos esforços, Melo afirmou que os alagamentos seguirão acontecendo, mas garantiu que entregará para a próxima gestão uma cidade mais preparada para lidar com as chuvas.

"Um prefeito, um governador, uma agente, um jornalista não trancam a torneira de São Pedro. Nós vamos fazer obras. Duas regiões estão sendo tratadas diferentemente das outras, que é o bairro Sarandi e a questão do Quarto Distrito como um todo, ali a cidade foi tomada e precisávamos fazer obras. É importante dizer o seguinte: até numa floresta quando chove de 2 a 3 horas 250 milimetros, tem alagamento. As pessoas também querem o milagre. Não tem milagre. Ou não tem alargamento no Japão? Nos Estados Unidos? Não tem na França? Tinha alagamentos antes, vai continuar tendo alargamento com chuvas excessivas, mas nós estamos combatendo a cada dia, melhorando a drenagem e a microdrenagem” afirmou.

Sebastião Melo, Prefeito de Porto Alegre.  Tá na Mesa - Empecilhos às obras de proteção a enchentes.  Federasul. | TÂNIA MEINERZ/JC

Sebastião Melo, Prefeito de Porto Alegre. Tá na Mesa - Empecilhos às obras de proteção a enchentes. Federasul. TÂNIA MEINERZ/JC

• LEIA TAMBÉM: Governo do RS autoriza duplicação da Estrada Caminho do Meio em Viamão

Heinze também criticou a burocracia do estado brasileiro para tomar atitudes em momentos de crise como esse. O senador afirmou que conversas sobre a prevenção de cheias já existiam há mais de uma década, mas que nada foi feito. "Nossa preocupação vem desde o ano passado. Conversamos com o prefeito Melo, que estava no Dmae buscando soluções para conhecer o problema. Descobrimos que em 2012, havia uma solução semelhante a essa no Vale do Caí, no Vale do Sinos e na Grande Porto Alegre. Naquele momento, havia um recurso de R$ 1,9 bilhões para poder fazer as obras. Tinha quatro empresas gaúchas contratadas para fazer os projetos. Naquele instante era o governo Tarso Genro. Tinha dois projetos já com licença da Fepam, que pegavam a zona norte de Porto Alegre e o município de Alvorada. Bom, acabou que passou o governo Tarso, passou o governo Sartori, estamos no governo do Leite e a situação hoje é a mesma que nós tivemos há 13 anos atrás”, disse.

Os prefeitos das cidades de Eldorado do Sul e de Taquarí também comentaram sobre os desafios que o momento tem trazido. Segundo Juliana, Eldorado do Sul sofreu um êxodo de 30% da população após as enchentes de 2024. Por fim, ela pregou por união entre os níveis de governo, afirmando que a responsabilidade é de todos. "A burocracia é um problema e a solução é colocar todos em volta de uma mesa. Se continuar desse jeito, com as brigas empresariais e políticas sendo prioridade antes da proteção da cidade, não vai ter como sobreviver. A gente precisa que isso acabe, a gente precisa que as autoridades todas possam fazer parte da solução. Então, todo mundo tem que estar junto nessa solução, porque o problema é de todos nós. Não é só da prefeitura, não é só do governador e não é só do presidente da república”.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro