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'Meus pais estão vivos?': como apagão de internet afeta iranianos em meio à guerra

Na quinta-feira (5), a plataforma de monitoramento da internet NetBlocks contabilizava mais de 120 horas ininterruptas de apagão, com a conectividade ainda estagnada em torno de 1% dos níveis normais.

Dentro do Irã, tarefas simples como o uso do Google Maps ou a busca de informações em sites tornaram-se impossíveis. Apenas a intranet local, extremamente limitada, permanecia disponível.

Conectividade de internet no Irã em 5 de março, após início de ofensiva militar dos EUA e de Israel contra o país — Foto: Reprodução/NetBlocks

Preocupação dos iranianos no exterior

O bloqueio restringiu severamente o fluxo de informações e comunicação, não apenas de dentro para fora do Irã, mas também no interior do país.

Hayberd Avedian é membro do conselho da Ayande e.V., uma associação juvenil na Alemanha que se concentra em jovens com ascendência iraniana no mundo de língua alemã.

Avedian disse que não poder se comunicar com seus entes queridos no Irã tem sido extremamente estressante e desafiador.

"Quando acordo de manhã, minha primeira pergunta é: 'Meus pais ainda estão vivos? Estão ilesos?' Imediatamente verifico as notícias: quais áreas foram bombardeadas, onde houve ataques?", disse Avedian à DW.

"Mesmo que eu não veja nenhum ataque onde eles moram, o medo permanece porque muitas vezes não consigo contatá-los", acrescentou.

"Devido ao bloqueio da internet e das comunicações, é impossível sequer saber se eles estão bem. Eu sei que, numa situação dessas, até mesmo uma simples ida à padaria para comprar pão pode ser perigosa."

Mitra B., de 50 anos, que deixou o Irã após a Revolução Islâmica de 1979 e agora vive na Alemanha, compartilhou preocupações semelhantes.

"Ainda não tive notícias da minha tia no Irã. Minha esperança é que ela esteja viva, que esteja bem e que o Irã se liberte em breve deste regime", disse ela à DW.

Uma bandeira preta e uma bandeira do Irã tremulam ao vento em Teerã — Foto: Majid Asgaripour/WANA via Reuters

Iranianos tentam contornar o bloqueio

Embora a maioria dos iranianos esteja isolada do mundo digital, um grupo seleto de pessoas ligadas ao regime e seus apoiadores continua a desfrutar de acesso irrestrito à internet usando os chamados "chips brancos", cartões pré-pagos anônimos.

Relatórios sugerem que existam mais de 50 mil desses chips no Irã, com muitos desses usuários permanecendo ativos nas redes sociais, disseminando propaganda do governo e narrativas enganosas.

Para outros, no entanto, a comunicação tem sido um grande desafio. Telefonar para o Irã a partir do exterior, seja para celulares ou telefones fixos, é quase impossível.

Alguns iranianos relataram breves momentos do dia em que conseguem se conectar e enviar mensagens.

Muitos também recorreram a ferramentas para burlar a censura, como a plataforma de internet aberta Psiphon, redes virtuais privadas (VPNs) ou assinaturas ilegais da Starlink, provedora de internet via satélite de propriedade de Elon Musk, o que levou as autoridades iranianas a emitirem alertas para que as pessoas não se conectem à internet.

A situação dificulta a cobertura jornalística do conflito e impede que ativistas e o público em geral compartilhem relatos independentes dos acontecimentos. Especialistas afirmam que isso também leva a uma onda de desinformação, já que relatos pró-regime ocupam esse vácuo de informações.

Israel e Estados Unidos fazem nova rodada de ataques contra o Irã — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Risco adicional aos iranianos

A atual suspensão dos serviços de internet acarreta um risco adicional, já que os militares israelenses emitem regularmente alertas antes de lançar ataques aéreos, instando civis a evacuarem certas áreas ou evitarem locais específicos em cidades iranianas.

Com o apagão digital, o acesso dos cidadãos a esses alertas fica cada vez mais limitado, colocando vidas de civis em risco.

"Mesmo alertas importantes e pedidos de evacuação, como os emitidos pelas Forças de Defesa de Israel (IDF), não chegam a muitas pessoas a tempo porque a internet no Irã é deliberadamente desligada", disse Avedian.

Tahireh Panahi, pesquisadora da Universidade de Kassel no departamento de Direito Público, Direito da Tecnologia da Informação e Direito Ambiental, disse à DW que o apagão da internet "não é apenas um problema individual, mas também social".

Ela destacou que isso dificulta a organização e a coordenação de protestos antigovernamentais em massa.

"Além disso, o regime clerical garante que as informações sobre seus crimes não cheguem ao mundo exterior", observou.

"É por isso que o fim do bloqueio da internet é essencial. Muitos iranianos exilados se sentem responsáveis por garantir que as informações saiam do país e que as pessoas possam ser ajudadas."

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