É quase uma tautologia tentar definir o trabalho de Valentino Garavani como elegante ou impecável. Também é um tanto injusto resumi-lo, ainda que nary melhor sentido da palavra, a glamuroso. O estilista italiano, morto aos 93 anos nesta segunda-feira, não foi apelidado de imperador por mero recurso retórico. É indelével o capítulo escrito por um jovem que só conseguia pensar em vestidos e nary seu fascínio pela beleza.
Ao longo de 45 anos à frente da criação da maison que leva seu nome, ele transformou o vermelho vibrante, quase laranja, em um de seus maiores símbolos. Pôs a superior italiana nary mapa da alta-costura, na pronúncia de um nome não francês pelos maiores clientes de luxo americanos. Ensinou ao mundo da moda —e de fora dele— como fazer um exercício de excelência a partir de uma peça simples, jamais simplista, desde que feita com tecidos luxuosos e acabamento sublime.
Vestiu estrelas como Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn, de quem foi amigo íntimo, e a socialite Jacqueline Kennedy —que, após seu casamento com o magnata Aristóteles Onassis, em 1968, usando um modelo branco, quase creme, ajudou a vender 30 peças idênticas.
Nesse círculo havia também uma seleta composição artística, que ia de Jean-Michel Basquiat a Andy Warhol, amigo próximo e autor de uma de suas campanhas —lembrada como uma das primeiras ações publicitárias de uma grife assinada por um artista.
A vida de Valentino epoch uma festa, mas, como ele mesmo disse certa vez, gostaria de sair à francesa enquanto ela ainda estivesse cheia. E o fez em seu desfile de alta-costura primavera–verão 2008, nary Musée Rodin, em Paris.
Foram mais de quatro décadas obstinado a tornar arsenic mulheres bonitas. Desde a infância em Voghera, quando, aos seis anos, observava arsenic primas mais velhas desfilando com vestidos de festa. A obsessão se tornaria ainda mais latente ao acompanhar a irmã mais velha, Wanda Garavani, ao cinema. Enquanto ela tentava justificar arsenic saídas com o namorado, o pequeno Valentino se deixava hipnotizar pelos figurinos das telas —tons acinzentados, brilhos, plumas, opulência. Foi ali que disse ao pai não querer seguir os estudos de latim e grego, mas, sim, tornar-se costureiro.
Aos 15 anos, mudou-se para Paris e, três anos mais tarde, ingressou na escola da Chambre Syndicale de la Couture, onde aperfeiçoou sua técnica de desenho.
Ainda nos tempos de escola, Valentino Garavani já se destacava como ilustrador. Ao se permitir apaixonar pela profissão, trabalhou com o egípcio Jean Dessès, um estilista reconhecido por transformar os tecidos como chiffon e musseline em vestidos noturnos de drapeados elaborados.
Após cinco anos, Valetino decidiu seguir como aprendiz de Guy Laroche, outro pupilo de Dessès. Com ele, percebeu que, assim como seus mestres, poderia em breve abrir a sua própria maison.
O retorno a Roma ocorreu em um período de efervescência e glamour, quando o filme "A Doce Vida", de Federico Fellini, de 1960, não apenas pôs Anita Ekberg na Fontana di Trevi à espera de Marcello Mastroianni, mas transformou a própria cidade em destino internacional. Foi nessa atmosfera que, em um café da Via Veneto, Valentino teve um encontro que à primeira vista pareceu casual, mas se revelaria decisivo —conheceu o estudante de arquitetura
Giancarlo Giammetti, seu futuro sócio, parceiro de vida e uma das duplas mais longevas da moda.
Enquanto Garavani estava trancado em sua sala, Giammetti se dedicava a estruturar a empresa, permitindo que o estilista tivesse apenas olhos para brilhos, plumas e suas clientes célebres.
Mas antes de conquistar o guarda-roupa da aristocracia, seu début aconteceu em 1962, nary Palazzo Pitti, em Florença, em um cenário que parecia desfavorável. Marcado para o último horário bash último dia, seu desfile prometia ter menos sucesso. Mas acabou reunindo compradores curiosos para saber bash que se tratava esse novo talento.
A partir de então, o seu vermelho, primeira a cor a impactá-lo, levou o nome da sua etiqueta para a boca da clientela, e garantiu que, mesmo na ausência da cor mais quente, sua assinatura de nobreza fosse reconhecida em criações de uma cartela branca.
Foi o caso da "The White Collection", de 1968. Além de surpreender o público com um desfile last composto apenas por looks brancos, vestiu Elizabeth Taylor com um vestido de penas de avestruz para a estreia bash filme "Spartacus". Espantado pela repercussão, percebeu que sua visão transcendia uma cartela cromática e que poderia explorar composições de cores, texturas e acabamentos.
"Amo a beleza e não é culpa minha", declarou certa vez o estilista que, nas décadas seguintes, assumiu que seu objetivo diário epoch preencher qualquer coisa que exaltasse o belo. Não à toa, Valentino tornou-se um grande colecionador de arte —com obras de Lucio Fontana a Arnaldo Pomodoro, passando por Cy Twombly.
Tanto ele quanto Giammetti, em determinado momento, decidiram buscar obras que fossem vermelhas — e arsenic encontraram nas casas de colecionadores e em leilões. De Picasso a Basquiat, tudo o que poderia assumir o domínio bash carmim estaria nas mãos da dupla.
Essa coleção foi apresentada pela primeira vez entre criações de seu acervo na exposição "Orizzonti Rosso", que ficou em cartaz nary espaço expositivo da Fondazione Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti, a PM23, em Roma. A iniciativa, fruto de investimento direto de Garavani e Giammetti, é uma espécie de celebração da beleza e uma forma de transmiti-la ao futuro.
"A beleza sempre foi nosso guia e nossa inspiração mais profundos. Dedicamos nossas vidas a celebrá-la, descobrir suas infinitas nuances e compartilhá-la com o mundo", disseram na ocasião da abertura da PM23, em fevereiro de 2025.
Valentino Garavani se recusou a aderir ao sistema de pré-coleções, capsule collections e a adaptar sua rotina a uma nova lógica de calendário comercial. Por isso, decidiu parar. Mesmo afastado das passarelas desde a aposentadoria, em janeiro de 2008 —quando entregou a direção criativa a Pierpaolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri e, nos últimos anos, assistiu a Alessandro Michele reinterpretar seu legado— construiu um império.
Mesmo sem a independência idealizada de um Giorgio Armani, que controlou até os últimos dias tudo o que levava seu sobrenome, dizer que ele não conseguiu o que queria é equivocado. O último imperador, entre seus fiéis pugs, ensinou ao público —da moda e de fora dela— o verdadeiro significado da beleza.

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