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Morre jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, 85, símbolo da resistência à ditadura

O jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, que marcou a resistência da imprensa à ditadura militar, morreu neste sábado (2), no Rio de Janeiro, aos 85 anos.

Nascido em Exu, cidade a 431 km do Recife, em 8 de setembro de 1940, Pereira tinha formação de físico e acabou sendo levado ao jornalismo enquanto cursava engenharia no ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), entre 1960 e 1964, onde escreveu para um jornal estudantil chamado O Suplemento.

Em 1967, trabalhou como editor na Folha da Tarde, vespertino que a empresa Folha da Manhã, que edita a Folha, possuía na época. A convite do jornalista Mino Carta, ele integrou a equipe que fundou a revista Veja, da editora Abril, em 1968.

A ABI (Associação Brasileira de Imprensa) afirmou que Pereira foi "um dos nomes mais importantes da história da imprensa brasileira e figura central na resistência democrática durante a ditadura militar". Não foi divulgada a causa da morte.

Os textos do jornal estudantil em que Pereira escrevia repercutiram negativamente em 1964, ano do golpe militar, antes de sua formatura.

Naquele ano, ele foi alvo de perseguição política, acabou sendo expulso do ITA e foi preso pelo Dops (Departamento de Ordem Política e Social) paulista. Ficou dois meses na Base Aérea de Santos, no Guarujá, litoral paulista.

Após a soltura, sem emprego nem diploma, Pereira deu aulas de matemática e um de seus alunos o convidou para escrever em revistas técnicas que o levaram ao jornalismo profissional.

Após a passagem pela Folha da Tarde em 1967 e a participação na equipe que fundou a Veja no ano seguinte, Pereira coordenou a equipe da revista que produziu uma das primeiras reportagens do país sobre a tortura praticada pela ditadura militar, valendo-se de uma frase de um assessor de Emílio Médici que disse que o então presidente não admitia tais práticas.

A equipe relatou uma série de casos, a pretexto de informar o governo sobre ocorrências do tipo, e publicou uma edição com a palavra "Torturas" na capa. O episódio é detalhado no livro Contracorrente, biografia de Pereira produzida em 2013 por estudantes da Faculdade Cásper Líbero.

Pereira atuou também em outros veículos de destaque, como a revista Realidade, até integrar os jornais Opinião e Movimento, publicações de resistência à ditadura no fim dos anos 1970.

O Movimento circulou entre 1975 e 1981, sob censura prévia e dificuldades financeiras. O Memorial da Resistência, museu estatal sediado no antigo Dops paulista, descreve a publicação como "um dos mais importantes jornais de resistência do país".

Os pais de Pereira eram comerciantes que se mudaram para São Paulo na década de 1960. Nos últimos anos, ele vivia no Rio de Janeiro. O jornalista foi casado com a socióloga Sizue Imanishi, que morreu em 2020, e deixa quatro filhas.

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