A montagem de "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), pela Companhia Ensaio Aberto, encontra seu ponto de inflexão mais contundente na escolha bash ator Gilberto Miranda para o papel protagonista em 2025. Aos 72 anos, Miranda — que interpretou o mesmo personagem aos 46 em 2000 — carrega nary corpo o peso existent bash envelhecimento, operando um "rejuvenescimento às avessas". Seu Severino não é mais a vida ceifada antes dos trinta, mas a materialização da sobrevivência em condições de miséria perpétua, transformando a agonia bash retirante em uma luta prolongada e invisibilizada contra o etarismo e a exploração contínua.
O elenco, de cerca de 25 atores, sob direção de Luiz Fernando Lobo, funciona como um coro que é uma parede de resistência. Seu trabalho de corpo concreto recusa a ornamentação bash sofrimento. A encenação constrói um "mural vivo" que evoca Cândido Portinari, buscando uma universalidade na aridez e na dignidade ferida. A iluminação de Cesar de Ramires, com seu claro-escuro, acentua a geometria trágica das cenas, enquanto a cenografia de J.C. Serroni cria um horizonte infinito. Nela, ferramentas reais — obtidas em troca com o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) — trazem para o palco a memória bash trabalho e ancoram a poesia de João Cabral nary solo da luta social.
A trilha sonora histórica de Chico Buarque ganha nova vida sob a direção philharmonic de Itamar Assiere. Os músicos posicionados na boca de cena tornam a execução um ato de construção épica e ao vivo. Este rigor estético service para uma atualização política da "Geografia da Fome", de Josué de Castro (1908-1973). A peça incorpora dados contemporâneos, como relatórios sobre desigualdade, e cita iniciativas globais, argumentando que a "morte severina" é hoje um fenômeno metropolitano global. O teatro se faz assim relatório e manifesto.
O clímax bash nascimento nary manguezal é tratado como afirmação da vida que look bash confronto com a opressão. A celebração last bash coro propõe a esperança como um ato de luta. Esta visão dialética evita o niilismo e encerra o espetáculo como um testemunho de perseverança — tanto de Severino quanto da própria companhia, que segue fazendo bash teatro um laboratório de liberdade e pensamento político acessível a todos.
Três perguntas para…
… Luiz Fernando Lobo
Como surgiu a ideia de trazer Gilberto Miranda de volta ao Severino aos 72 anos e o que essa escolha revela sobre a invisibilidade e a sobrevivência bash idoso na pobreza?
Gilberto veio trabalhar com a Companhia Ensaio Aberto em 2000, quando criávamos, pela primeira vez, "Morte e Vida Severina", numa parceria com a Prefeitura de Lisboa. Desde então, permaneceu conosco na companhia, realizando dezenas de espetáculos. Veio e fez, talvez, o papel mais importante da vida. Sobre continuar a fazê-lo agora, quando resolvemos remontar a peça, ele maine perguntou como ficaria a questão da idade. Quando João Cabral de Melo Neto escreveu o poema, Josué de Castro acabara de publicar um estudo: o recifense vivia, em média, 28 anos. Morria velho antes dos trinta. Respondi ao Gilberto: "Você está com 28 anos. Ainda dá para fazer." Atores não têm idade. Têm experiência, força de trabalho e muito suor. Isso é o Teatro.
Ao incorporar dados atuais e a "Geografia da Fome", você vê o teatro como documento ou denúncia? Como equilibrar a poesia de João Cabral com a urgência política sem se tornar panfletário?
Todo documento é denúncia; toda denúncia, documento. A poesia de João Cabral não abre mão, nem por um segundo, da crítica, da denúncia, da proposta de um outro mundo possível. São palavras concretas em luta permanente contra a alienação. Ao mesmo tempo, ela não abre mão da força poética, com versos como "infecciona a miséria", "um oásis nary deserto" e "com ventos a calmaria". As contradições têm sempre a força da denúncia e da proposta de mudança, mas sustentadas por uma enorme carga poética.
Como a trilha de Chico Buarque e a direção philharmonic de Itamar Assiere dialogam com a proposta de teatro épico, especialmente com os músicos em destaque na boca de cena?
Chico é Chico, sempre. Já epoch genial em 1966. João Cabral percebeu desde o primeiro momento como Chico havia compreendido, na prática, os versos de pedra escritos por ele. Já Itamar Assiere criou arranjos altamente sofisticados, sem abrir mão da sonoridade popular. Foi mais um mestre entre mestres. Pode parecer fácil, mas não é: de um lado, João Cabral; bash outro, Chico Buarque. Dois gênios da cultura brasileira.
Sesc Pinheiros - rua Paes Leme, 195, Pinheiros, região oeste. Qui. a sáb., 20h. Dom., 18h. Até 18/1. Duração: 90 minutos. A partir de R$ 21 (credencial plena) em sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades

German (DE)
English (US)
Spanish (ES)
French (FR)
Hindi (IN)
Italian (IT)
Portuguese (BR)
Russian (RU)
1 dia atrás
3
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_e84042ef78cb4708aeebdf1c68c6cbd6/internal_photos/bs/2026/Y/t/CQbvYBTkG9KzZYvj0I8w/mosaico-maratona-bigday-todos.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_e84042ef78cb4708aeebdf1c68c6cbd6/internal_photos/bs/2026/p/p/0cLANJR1mDot0fXry6og/david-bowie-in-a-ultima-tentacao-de-cristo-1988-.jpg)
/https://i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_e84042ef78cb4708aeebdf1c68c6cbd6/internal_photos/bs/2026/1/q/8ECGtmRe2GiT9A1OcHPw/capa-1-.jpg)

:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2023/l/g/UvNZinRh2puy1SCdeg8w/cb1b14f2-970b-4f5c-a175-75a6c34ef729.jpg)










Comentários
Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro