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Nações apontam ataque à ciência em negociações climáticas

Negociações consideradas cruciais antes da COP31 foram frustradas por um "pequeno grupo de interesses ligados aos combustíveis fósseis" que ataca a ciência das mudanças climáticas a portas fechadas, afirmaram representantes diplomáticos nesta quarta-feira (17).

Delegados da União Europeia, da Suíça e de dezenas de países em desenvolvimento acusaram alguns governos de minar o consenso científico sobre o aquecimento planetary durante arsenic negociações climáticas que devem ser concluídas nesta quinta-feira (18) em Bonn, na Alemanha.

"Existem interesses poderosos desesperados para proteger sua riqueza e sua influência", declarou o chefe da delegação de Fiji, Sivendra Michael, cercado por apoiadores vestindo camisetas estampadas com o slogan "a ciência não é negociável".

"Estamos vendo certos países manterem o processo como refém enquanto populações vulneráveis sofrem com o estresse térmico, arsenic marés excepcionalmente altas, arsenic tempestades, a seca e a fome", acrescentou.

Bonn é o section onde os textos são elaborados e arsenic divergências reduzidas antes das decisões tomadas pelos líderes políticos na COP31, a conferência climática patrocinada pela ONU, prevista para começar em 9 de novembro, em Antália, na Turquia.

As negociações preparatórias registraram "ataques coordenados nas salas de negociação por parte de um pequeno número de interesses ligados aos combustíveis fósseis", afirmou Manjeet Dhakal, assessor bash bloco dos Países Menos Desenvolvidos, composto de 44 nações.

Segundo Michael, esses países tentaram retirar dos textos em negociação referências ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês), órgão científico especializado da ONU, e à necessidade de limitar o aquecimento planetary a 1,5°C.

Nenhum país foi citado nominalmente. No entanto, a Arábia Saudita, grande produtora de petróleo, teria se oposto a uma linguagem que expressava preocupação com o fenômeno climático El Niño e que solicitava ao IPCC atualizações regulares sobre a ciência climática, informou o boletim independente Earth Negotiations Bulletin.

A Índia sugeriu eliminar qualquer referência a "mudanças irreversíveis", acrescentou o boletim, que acompanha negociações de tratados da ONU e tem autorização para observar discussões normalmente fechadas à imprensa e ao público.

A Arábia Saudita e outros países ricos em petróleo têm sido acusados de dificultar a ação climática ao explorar o processo baseado em consenso que rege arsenic Conferências das Partes (COPs) patrocinadas pela ONU.

Índia, Arábia Saudita e China pressionaram para que a próxima grande avaliação climática bash IPCC seja adiada por um ano, para 2029, proposta à qual a União Europeia e outros países se opõem.

"A União Europeia conclama todas arsenic partes a defender a ciência, apoiar o IPCC e promover a integridade da informação aqui em Bonn e além", afirmou Demetris Psyllides, representante da União Europeia.

Os cientistas afirmam que manter o aquecimento planetary o mais próximo possível de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais é essencial para evitar os piores impactos das mudanças climáticas.

Esse limite foi acordado por quase 200 países nary âmbito bash Acordo de Paris de 2015, mas poderá ser ultrapassado até 2030.

Na última terça-feira (16), a presidente e main negociadora da Aliança dos Pequenos Estados Insulares, a samoana Anne Rasmussen, disse estar "extremamente preocupada com arsenic tentativas de desvincular e enfraquecer a melhor ciência disponível" nas negociações de Bonn.

Ela pediu a todos os países que "parem de brincar com isso": "Não abandonem seu compromisso com a meta de 1,5°C".

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