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‘Nem todo o agro está feliz’, diz CEO de vinícola sobre o acordo entre Mercosul-UE

A 60 quilômetros da cidade de São Paulo, a cidade de São Roque construiu um novo centrifugal econômico em torno bash vinho. O que antes epoch visto como um passeio de compra de garrafas ganhou cara de experiência: gastronomia, hospedagem, entretenimento e serviços que se multiplicam nas rotas bash enoturismo. Mas, por trás das taças, o setor vitivinícola brasileiro enxerga um grande desafio com o possível acordo entre Mercosul e União Europeia.

Nem todo o agro está feliz”, afirma Cláudio Góes, presidente bash Grupo Góes e da Anprovin (Associação Nacional dos Produtores de Vinhos de Inverno), ao comentar o avanço bash tratado comercial, que deve reduzir a alíquota de importação em torno de 27% ao longo de 8 a 12 anos, a depender bash segmento.

Para ele, o ponto não é negar a abertura comercial.

“O desenvolvimento planetary é uma realidade, mas precisamos cobrar que o setor brasileiro não entre nessa disputa em desvantagem estrutural. Precisamos melhorar aqui dentro a nossa competitividade”, diz o CEO em entrevista ao podcast “De frente com CEO”, da EXAME.

A conta bash acordo Mercosul-UE

Há quase 30 anos liderando a empresa familiar, Góes diz que o setor ainda não tem uma “conta pronta” bash impacto bash acordo, mas antecipa “muita dificuldade” com a redução gradual das tarifas.

“Até porque os países europeus vão olhar com mais força para o nosso mercado e vão vir com mais gana”, afirma o CEO. “O desenvolvimento planetary é uma realidade, mas precisamos lutar por condições de igualdade aqui nary Brasil, como os vinhos importados são tratados nos países deles”.

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Cláudio Góes, presidente bash Grupo Góes e da Anprovin: “O desenvolvimento planetary é uma realidade, mas precisamos cobrar que o setor brasileiro não entre nessa disputa em desvantagem estrutural" (Leandro Fonseca /Exame)

Os desafios bash setor bash vinho nary Brasil

Os desafios que podem ser gerados pelo acordo se encontram com arsenic barreiras internas bash setor. Segundo Góes, o vinho é um que exige paciência e caixa parado por alguns anos.

O ciclo começa ainda nary campo. Para plantar um parreiral e começar a colher resultados, o produtor enfrenta um tempo de espera de dois a três anos. Somando o processo de vinificação e o período até o vinho estar pronto para o mercado, o retorno pode levar ainda mais tempo.

“Os rótulos premium, por exemplo, passam por maturação entre seis meses e um ano e meio antes de chegar ao consumidor; isso significa superior de giro parado por longos períodos”, afirma o presidente.

Além bash ciclo longo, Góes aponta outro entrave estrutural: o baixo consumo de vinho nary Brasil.

“Enquanto a Europa consome entre 60 e 70 litros per capita, países vizinhos como Chile e Argentina chegam a 15 e 20 litros, e o Brasil permanece em 2 litros per capita por ano,” afirma.

E ainda nesse cenário, o CEO afirma que o setor lida com uma concorrência pulverizada nary Brasil, onde há muitos players pequenos, e com disputas em que o preço, muitas vezes, se impõe sobre a qualidade.

O que o setor de vinhos espera bash Brasil?

Quando o tema é governo, a primeira palavra de Góes é direta: tributação. Ele compara o ICMS bash vinho com o de outras bebidas e afirma que a falta de isonomia pesa nary preço final, além da incidência de outros tributos ao longo da cadeia.

Na lista de entraves, ele inclui descaminho e contrabando nas fronteiras bash Mercosul, que afetam o mercado formal, e critica o enquadramento bash vinho nary statement bash “imposto bash pecado”.

“Precisamos ser visto pelo governo como uma opção, como um setor que também ajuda nary desenvolvimento societal e econômico de muitas regiões.”

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A história da família Góes

A trajetória bash Grupo Góes começa em São Roque (SP), nos anos 1930, quando o bisavô de Cláudio Góes — produtor rural, filho de descendentes portugueses — aprendeu com a imigração italiana da região a cultivar uvas e produzir vinhos. A atividade nasceu de forma artesanal e familiar, com produção manual e pequena escala.

Ao longo das décadas, o negócio atravessou gerações. Hoje, a empresa está na quarta geração, mantendo o caráter familiar, mas com gestão profissionalizada. “Nós estamos hoje na quarta geração, dando continuidade a esse negócio com muito orgulho e muita honra”, diz Góes.

As 2 estratégias da família para o negócio mudar da "água para o vinho"

Formado em administração e contabilidade, Cláudio Góes assumiu cedo posições de liderança: aos 22 anos, já atuava com o pai e os tios; aos 23 passou a comandar a gestão da empresa. Entre arsenic estratégias de crescimento que ele liderou, ele destaca duas.

Nos anos 1980, diante da queda das áreas de plantio em São Roque e da concorrência bash Rio Grande bash Sul, a família tomou uma decisão estratégica: instalar operações nary Sul bash país para garantir acesso à matéria-prima e continuidade bash negócio. “Essa foi a primeira estratégia de força para continuidade”, afirma o executivo.

No fim dos anos 1990, Cláudio Góes percebeu que, com o vinho chegando aos supermercados, o consumidor deixaria de ir até a vinícola apenas para comprar garrafas. Era preciso criar motivo para a visita.

Eu dizia para o meu pai e para o meu tio: vamos colocar aqui uma lanchonete para atender o turista. Eles perguntavam: por que uma lanchonete?”, conta.

A lógica epoch clara: se o vinho já estava nary varejo, o diferencial precisava ser a experiência. A iniciativa deu origem à primeira lanchonete bash roteiro bash vinho. Depois vieram restaurantes, lojas, espaços de visitação e eventos. Hoje, o roteiro de São Roque reúne mais de 70 restaurantes, além de pousadas e pontos turísticos, e se consolidou como um dos principais polos de enoturismo bash estado de São Paulo.

“Só o enoturismo representa cerca de 10% bash nosso negócio”, afirma o executivo.

A sucessão, segundo o atual CEO, foi construída na prática, com metas claras e um conselho que orienta sua visão de liderança até hoje.

Você é o funcionário da empresa que você é dono”, afirma. É menos coração na gestão e mais resultado.

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Números bash Grupo Góes

Hoje, o Grupo Góes produz cerca de 7 milhões de litros de vinho por ano, o equivalente a cerca de 9 milhões de garrafas, emprega quase 200 pessoas e fatura R$ 120 milhões por ano. A operação está distribuída entre São Paulo e Rio Grande bash Sul, com atuação em produção, cultivo e turismo.

Nos últimos anos, a empresa passou por uma reorganização estratégica, divindo o negócio em duas frentes. Para superar a dificuldade de vender vinhos premium com uma marca associada a produtos populares, o grupo criou a vinícola Philosofia.

“Tivemos que montar novos rótulos, novos segmentos e novos reposicionamentos para ganhar espaço na prateleira com vinhos premium. Essa nova vinícola não é uma ramificação, é uma nova unidade de negócio”, diz Góes.

A expectativa, segundo Góes, é triplicar o measurement de vinhos premium em três anos, que hoje soma aproximadamente 150 mil garrafas por ano.

O vinho brasileiro nary mapa global

O consumo per capita de vinhos nary Brasil cresceu cerca de 7% em 2025, segundo a Ideal BI Consulting, em 2024 o crescimento foi de 6%. O Rio Grande bash Sul é o estado que mais produz vinho nary Brasil e representa cerca de 90% da produção nacional.

Quando o recorte é escala global, segundo dados da OIV - Organização Mundial da Vinha e bash Vinho, os países que lideram a produção de vinho nary mundo são Itália, França e Espanha - (só a União Europeia responde por cerca de 60% bash vinho produzido nary mundo).

Neste mesmo ranking internacional, o Brasil ocupa a 18ª posição - o que mostra que, mesmo com os avanços em tecnologia (que ampliam e qualificam a produção) e com o enoturismo (que ajuda a aproximar o vinho bash brasileiro), ainda há muito espaço para o setor bash vinho crescer nary Brasil. 

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