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No Irã, cidadãos relatam ruas desertas, forte policiamento e vandalismo após volta da comunicação com o exterior

Segundo iranianos que falaram à agência de notícias Associated Press através de ligações telefônicas, o acesso aos aplicativos de mensagens de texto ainda está fora do ar. Apenas sites locais autorizados pelo governo estão sendo acessados, mas nenhuma página do exterior está disponível.

Os primeiros relatos depois de dias de isolamento total também dão um cenário de como está a capital do país, Teerã: ruas quase desertas, forte presença policial, prédios governamentais incendiados e caixas eletrônicos destruídos.

Segundo moradores, policiais antimotim, usando capacetes e coletes à prova de balas, portando cassetetes, escudos, espingardas e lançadores de gás lacrimogêneo, fazem a vigilância em cruzamentos importantes.

Membros da força voluntária Basij, ligada à Guarda Revolucionária, com armas de fogo e cassetetes, e agentes de segurança à paisana também estão atuando na repressão do governo nos espaços públicos.

Cerca de 2 mil mortos, diz agência

Corpos do lado de fora do Centro Médico Forense de Kahrizak, em Teerã — Foto: Redes Sociais/via REUTERS

A fonte ouvida pela Reuters culpou os manifestantes, que chamou de "terroristas", por mortes de cidadãos e agentes de segurança durante os protestos.

➡️ As manifestações, que começaram em dezembro, tinham como foco a má situação econômica do país, mas a repressão violenta a elas levou os manifestantes a pedir o fim do regime dos aiatolás, que goveram o Irã desde a Revolução de 1979.

Também nesta terça, o alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, se disse "horrorizado" com o que chamou de repressão das forças de segurança iranianas aos protestos pacíficos.

Oficialmente, o Irã não havia confirmado o novo balanço até a última atualização desta reportagem. Na segunda-feira (12), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, declarou que a situação o país estava "sob controle total" após o aumento da violência ligada aos protestos durante o fim de semana.

O chanceler iraniano acrescentou que a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de uma nova ofensiva contra Teerã caso a repressão violenta aos protestos continuasse, motivou "terroristas" a atacar manifestantes e forças de segurança, para justificar essa intervenção.

EUA devem intervir no Irã

"Vamos atingi-los com muita força onde mais dói", disse Trump, em relação ao Irã, na semana passada.

O presidente norte-americano já havia dito que faria uma intervenção anteriormente. Em 2 de janeiro, ele declarou que os EUA estavam “prontos para agir” se pessoas que protestam de forma pacífica forem mortas.

No sábado (10), Trump renovou as ameaças ao dizer que o Irã está "buscando a liberdade" e que os norte-americanos estão "prontos para ajudar".

O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirmou às agências de notícias Reuters e Associated Press que o número de mortos subiu para 538, entre eles 490 manifestantes e 48 policiais. Além disso, mais de 10.670 pessoas teriam sido presas, segundo a organização neste domingo (11).

Outras ONGs de direitos humanos que monitoram a situação no Irã também têm reportado nas mortes dos protestos. O país está isolado do resto do mundo após Khamenei ter cortado a internet, então não se sabe ao certo quantas pessoas realmente morreram, porém, as organizações têm recebido relatos de que as forças de segurança iranianas dispararam contra os manifestantes.

O governo iraniano não está divulgando regularmente números oficiais da atuação policial nos protestos e acusa os EUA e Israel de se infiltrarem nos protestos e os culpam pelas mortes ocorridas nos movimentos.

O chefe da polícia do Irã, Ahmad-Reza Radan, afirmou neste domingo que as forças de segurança "escalaram o nível de confronto contra os manifestantes". A Guarda Revolucionária do Irã, um importante ator militar no país, afirmou que proteger a segurança nacional é um ponto inegociável.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu neste domingo que a população iraniana mantenha distância do que chamou de "terroristas e badernistas" e tentou buscar uma via de diálogo com os manifestantes. Ao mesmo tempo, Pezeshkian acusou os Estados Unidos e Israel de "semear caos e desordem" no país.

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