A primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica), que mostrou que um terço dos cursos de medicina não teve pontuação satisfatória, reforça a necessidade de uma avaliação no estilo da que faz a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), diz o conselheiro do CFM (Conselho Federal de Medicina) Francisco Eduardo Cardoso Alves.
Nesta segunda-feira (19), os ministérios da Educação (MEC) e da Saúde divulgaram que um total de 99 cursos de medicina podem ser punidos por não alcançarem pontuação considerada satisfatória.
O exame é visto como uma resposta do governo a um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional e quer criar uma espécie de OAB da área, com avaliação própria não vinculada ao ministério, e sim ao CFM.
Alves diz que é preocupante saber que "13 mil alunos, por deficiências da faculdade onde se formaram, não conseguiram obter o mínimo de aprovação".
"E eles vão receber o CRM [registro concedido pelo Conselho Regional de Medicina] e vão poder botar a mão em paciente. É isso que a gente não quer mais que ocorra", afirma.
O conselheiro defende a "OAB da medicina" e afirma que MEC (Ministério da Educação) e faculdades privadas "estão sistematicamente barrando e boicotando essa aprovação".
"Eles não querem ser avaliados, eles não querem ser medidos, porque eles sabem que a formação que eles fornecem para os alunos é medíocre, é lastimável, é arriscada", afirma.
"Na minha opinião, isso é um caso de risco à segurança pública, à saúde pública coletiva, e deveria ter alguma ação na sociedade para impedir, mesmo que seja judicialmente, que esses alunos, essas faculdades reprovadas, possam receber CRM e possam continuar matriculando e formando médicos do jeito que está", complementa.

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