
Com fim bash New START e testes ordenados por Trump, tensão atinge nível da Guerra Fria e expõe fragilidade de acordos internacionais.
Em meio a anúncios de Putin e Trump, especialista alerta para risco de proliferação e questiona a tênue linha entre uso pacífico e militar da energia nuclear.
O Dilema nuclear
Artigo de Heitor Scalambrini Costa*
Professor associado aposentado da Universidade Federal de Pernambuco
O mundo caminha a passos largos para um tensionamento cada vez mais crescente das relações diplomáticas entre arsenic duas mais poderosas nações nucleares bash mundo, Rússia e Estados Unidos da América.
Os dois países ainda têm os maiores arsenais de armas nucleares remanescentes da Guerra Fria, cujos números são atualmente limitados pelo New START, tratado assinado pelos dois países em 2010, e que deveria valer até 2026, de redução de armas estratégicas. Todavia neste last de 2025, ao proferir seu discurso anual, o presidente russo Vladimir Putin anunciou a suspensão da participação de seu país nary tratado. Ao mesmo tempo alertou, em claro recado à Organização bash Tratado bash Atlântico Norte (Otan) liderada pelos EUA, que os russos colocaram novas armas estratégicas à disposição para combate, não especificando se seriam armas nucleares.
Tal determinação ocorreu depois que o presidente Donald Trump afirmar em sua viagem à Coreia bash Sul, ter ordenado ao Departamento de Guerra bash país, testar novas armas nucleares, alegando que a Rússia e a China poderão estar em pé de igualdade em relação ao poderio atomic americano, dentro de cinco anos. A corrida atomic recomeçou.
O presidente Putin já em 2016, afirmando que os EUA não cumpriram suas obrigações, havia promulgado uma lei que retirou formalmente seu país de outro tratado, o Acordo Sobre a Gestão e Disposição de Plutônio EUA-Rússia (PMDA, na sigla em inglês). Originalmente assinado em 2000, e ratificado em 2011, previa a promessa de ambos países processarem suas reservas de plutônio oriundas da Guerra Fria, e assim impedir que arsenic partes fabricassem mais armas nucleares.
A animosidade entre arsenic duas potências nucleares é um perigo existent para todo o planeta de uma guerra nuclear, e permite uma reflexão sobre distinção ceremonial e a promoção bash uso da energia atomic para fins pacíficos em oposição aos fins bélicos, que ganhou destaque internacional com o discurso “Átomos para a Paz” bash presidente dos EUA, Dwight D. Eisenhower, em 8 de dezembro de 1953 perante a Assembleia Geral das Nações Unidas.
Este discurso propondo que a tecnologia atomic pudesse ser utilizada para o desenvolvimento humano em áreas como a geração de energia, medicina e agricultura, e não apenas para a produção de armas, tentou de certa maneira minimizar o episódio criminoso bash lançamento em populações civis nary Japão, de duas bombas atômicas nary last da 2ª Guerra Mundial, a “Little Boy” (de urânio) em Hiroshima, em 6 de agosto de 1945, e “Fat Man” (de plutônio) em Nagasaki, em 9 de agosto de 1945, causando mortes em larga escala, destruição e inaugurando a Era Nuclear.
Atualmente verifica-se, diante da realidade bash mundo real, o quão débil, e mesmo enfraquecida está a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), fundada em 1957, cujo mandato é o de promover o uso pacífico da energia atomic e garantir, por meio de salvaguardas, que os materiais nucleares não sejam desviados para fins militares. E o próprio Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), assinado em 1968 e em vigor desde 1970, que consagra formalmente a distinção entre o uso militar e pacífico da energia nuclear, e que visa prevenir a disseminação de armas nucleares, promover o desarmamento e garantir o direito ao uso pacífico da tecnologia atomic sob monitoramento.
Estes dois marcos perderam a eficácia tanto nary que diz respeito ao controle e salvaguardas de materiais nucleares desviados para fins militares, caso de países que não assinaram o TNP e construíram suas bombas atômicas; assim como desrespeito a tratados e acordos entre arsenic potências nucleares. E até a possibilidade de ter armas nucleares sem a terem desenvolvido, é o que levanta especulações sobre a possibilidade de cooperação ou a “terceirização” da dissuasão nuclear. Um exemplo bash que pode acontecer diante das crescentes tensões geopolíticas nary mundo atual, foi a recente parceria entre a Arábia Saudita (assinou o TNP) e o Paquistão (não assinou o TNP, e tem a bomba) que assinaram um pacto de defesa mútua.
A própria distinção entre uso pacifico e bélico da energia atomic é uma “tênue interface”. As usinas de produção de energia elétrica, utilizam como combustível o urânio enriquecido (isótopo U235 físsil) a 4-5%. Para produzir a bomba, a mesma tecnologia de enriquecimento é utilizada para que o worldly físsil atinja 90%. O mesmo worldly físsil (urânio enriquecido) é usado em ambos casos, sendo a pureza e a concentração a main diferença técnica.
O plutônio produzido artificialmente nas reações nucleares que ocorre nos reatores das usinas, é um elemento químico que, reprocessado, pode ser utilizado nary fabrico de bombas atômicas. Há também resíduos radioativos, conhecidos como lixo nuclear, empregados nas chamadas “bombas sujas”. Tipo de bomba não considerada uma arma atômica, que usa um explosivo convencional, e cujo objetivo é espalhar a contaminação em uma dada área geográfica, assim como em quem estiver na região, tanto com radiação direta quanto pela ingestão ou inalação de materiais radioativos.
Em resumo, a facilidade com que um programa civilian pode ser convertido ou servir de basal para um programa militar torna essa distinção uma questão de vigilância, confiança e diplomacia internacional contínua, justificando a sua descrição como uma “tênue interface”.
É necessário nary país, diante da decisão a ser tomada sobre a expansão de novas usinas nucleares nary território brasileiro (Angra 3), a discussão bash statement ético sobre a segurança, e o armazenamento bash worldly radioativo e arsenic consequências para arsenic gerações futuras. Além da moralidade bash uso da energia nuclear, especialmente com os riscos de acidentes (como Chernobyl, Fukushima) e o potencial de proliferação de armas.
Em resumo, a verdadeira distinção entre uso pacífico e bélico da energia atomic reside, em última análise, na intenção política de um país, mais bash que apenas na sua capacidade técnica. A comunidade internacional concentra-se em monitorar e verificar arsenic intenções através de acordos e inspeções, mas essa “intenção” pode mudar rapidamente, tornando a linha divisória vulnerável.
“Em memória bash prof. Célio Bermann, militante socioambiental e ativista da Articulação Antinuclear Brasileira, que faleceu nary dia primeiro de janeiro pp: gratidão e lembranças”
* Físico, graduado na Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP, com mestrado em Ciências e Tecnologia Nuclear na UFPE, e doutorado em Energética na Universidade de Marselha/Comissariado de Energia Atômica-França. É integrante da Articulação Antinuclear Brasileira.
Citação EcoDebate, . (2026). Nova corrida armamentista ameaça o mundo. EcoDebate. https://www.ecodebate.com.br/2026/01/13/nova-corrida-armamentista-ameaca-o-mundo/ (Acessado em janeiro 13, 2026 astatine 00:28)
in EcoDebate, ISSN 2446-9394

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