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Nubank avança para comprar banco e não precisar mudar o nome

Desde o ano passado, uma portaria do BC proibiu que fintechs e outras instituições financeiras que não tenham licenças bancárias usem qualquer nome sugerindo que sejam bancos.

Como decidiu manter sua marca, o Nubank informou ao mercado que obteria uma licença bancária até o fim deste ano.

Em meio a esse processo, o grupo já tentou comprar o Master e o Digimais, instituições problemáticas cujo prejuízo seria convertido em crédito fiscal no balanço do comprador caso o negócio tivesse prosperado.

Desta vez, o Nubank se habilitou para comprar a Caixa Geral de Depósitos. O braço brasileiro da instituição portuguesa possui ativos totais de R$ 1,8 bilhão, dos quais cerca de R$ 870 milhões são operações de crédito. O patrimônio líquido é de R$ 300 milhões, segundo dados do BC. Falta à CGD um rumo diante da atual situação da matriz.

O negócio, que exigirá cerca de R$ 250 milhões do comprador, servirá para o governo português, dono da CGD, quitar parte de sua dívida. Na crise de 2008, Portugal comprometeu-se com a União Europeia a vender ativos para honrar empréstimos.

Fase final

No passado, o governo português tentou vender a CGD Brasil, mas as negociações não prosperaram. Agora, o cenário está mais favorável e há quatro interessados na fase final. O desfecho está previsto para julho. Vencerá quem oferecer a melhor proposta.

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Na semana passada, a matriz portuguesa exigiu a contratação de fianças dos finalistas, um processo que ocorrerá em duas fases.

Na primeira, os quatro concorrentes apresentaram garantias (carta-fiança) para arcarem com R$ 10 milhões, uma espécie de sinal cujo prazo venceu na sexta-feira (24).

Essa contratação exige algo entre 1% e 4% do valor de face para pagar a instituição que der essa garantia. Grupos de menor porte levam desvantagem no mercado porque pagam taxas maiores.

Quem cumprir essa etapa terá ainda de depositar o restante do valor de suas ofertas em finanças bancárias na última etapa.

Os portugueses acreditam que somente dois interessados avançarão e que, nesse cenário, o Nubank é o favorito.

As garantias são exigidas caso, por algum problema, o comprador não consiga pagar na data do fechamento da operação.

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A expectativa é que a operação seja concluída em 2027, após a aprovação de todos os órgãos regulatórios de ambos os países.

Quem disputa

Além do Nubank, Luiz Cesar Fernandes é um dos concorrentes. Para ele, a CGD é uma oportunidade de voltar a ser banqueiro.

O empresário de 81 anos é uma das figuras mais conhecidas do mercado financeiro. Depois de construir sua carreira em bancos como o Bradesco, ele fundou com Jorge Paulo Lemann o Garantia em 1973, que por décadas foi um dos maiores bancos de investimento.

Em 1983, com o rompimento dos sócios, Fernandes fundou o Pactual. Paulo Guedes, ex-ministro da Economia de Jair Bolsonaro, foi um dos sócios à época.

Com os negócios próprios afundando, Fernandes perdeu as ações do banco em troca de um empréstimo para cobrir o prejuízo. Em 1998, saiu da instituição, que já tinha se tornado um banco de varejo —o BTG Pactual.

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Outra proposta é de Mário Teixeira e Dorival Bianchi, ex-executivos do Bradesco e hoje parceiros na MD Capital.

Ambos foram "homens fortes" do Bradesco até a troca de comando na instituição, no fim dos anos 1990, quando se tornaram investidores. Teixeira chegou a ter um time de futebol (Audax), em São Paulo. Bianchi virou figura conhecida em conselhos de grandes empresas.

Outro candidato é o dono da FS Security, o empresário Alberto Leite. Ele quer fazer um upgrade de sua empresa de tecnologia para o mercado financeiro. A compra da CGD é o caminho, embora analise outras possibilidades.

Leite tem negócios consolidados, mas ganhou projeção por ter, em fevereiro de 2025, adquirido cotas do resort Tayayá ao comprar o controle do fundo Arleen.

Ele afirma que, naquele momento, os irmãos do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli já tinham se retirado do negócio.

A aplicação era parte de uma estratégia de investimentos pessoais no ramo imobiliário e durou somente cinco meses.

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O empresário decidiu vender sua participação porque o advogado Paulo Humberto Barbosa comprava o controle do empreendimento.

Ele afirma que isso ocorreu muito antes do estouro do escândalo financeiro envolvendo o Master.

O fundo Arleen foi adquirido de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro. Ambos foram presos em operações da Polícia Federal que investigaram as fraudes praticadas por eles no banco.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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