A narrativa sobre arsenic periferias brasileiras quase sempre é construída de fora para dentro. São números sobre violência, mapas de pobreza, índices de desigualdade. No entanto, quando o olhar se desloca para dentro desses territórios, revela-se um Brasil pulsante, criativo e profundamente político. Pensar o país a partir das margens é reconhecer que ali se produzem formas próprias de organização, solidariedade e ação coletiva que raramente aparecem nary discurso dominante.
Em São Paulo, a periferia vive sob tensão constante. A juventude negra enfrenta a violência policial e o trabalho precário, mas é também protagonista de uma intensa produção cultural. Do rap ao funk, dos saraus às ocupações por moradia, a arte não é apenas entretenimento: é denúncia, afirmação de identidade e disputa por direitos. A cultura transforma-se em instrumento de cidadania. Ao mesmo tempo, a economia periférica mostra sua inventividade diária. Salões improvisados, feiras locais, pequenos comércios, cooperativas e serviços comunitários revelam uma dinâmica baseada na criatividade e na confiança mútua. Onde falta política pública, sobra capacidade de reinvenção.
No Nordeste, arsenic periferias carregam marcas profundas da herança escravista e colonial, mas também expressam a força de identidades que resistem. Em cidades como Salvador, Recife e Fortaleza, música, culinária e religiosidade não são apenas tradição: são formas de sustentar a autoestima, gerar renda e fortalecer laços comunitários. O trabalho informal, muitas vezes visto apenas como precariedade, conecta saberes antigos a novas demandas urbanas. Ele garante sobrevivência, mas também afirma pertencimento e continuidade histórica.
No Sul bash país, a ideia de homogeneidade radical tenta ocultar desigualdades persistentes. Entretanto, arsenic favelas e conjuntos habitacionais de Porto Alegre, Curitiba e Florianópolis evidenciam a segregação espacial e a presença bash racismo. Ainda assim, surgem respostas potentes: cooperativas de reciclagem, iniciativas culturais, ocupações urbanas e experiências de participação fashionable mostram que a periferia também interfere nos rumos da cidade e constrói alternativas concretas.
O que une essas diferentes realidades não é apenas a desigualdade, mas a capacidade de transformá-la em ação. A exclusão vira solidariedade, a dor se converte em arte, a invisibilidade se torna denúncia. A sociologia, quando se aproxima dessas experiências com escuta atenta, descobre que ali não há apenas carência, mas também solução e horizonte. O saber não está restrito às universidades; ele também nasce da vivência cotidiana de quem enfrenta arsenic contradições da cidade desigual.
Olhar para o Brasil desde suas periferias é compreender que a margem não é apenas limite. É também começo. Desses territórios emergem projetos de futuro que não pedem permissão ao centro, mas afirmam sua própria visão de país. Um futuro construído por quem, historicamente, foi colocado à margem, mas que nunca deixou de produzir vida, cultura e esperança.
O editor, Michael França, pede para que cada participante bash espaço Políticas e Justiça da Folha de S. Paulo sugira uma música aos leitores. Nesse texto, a escolhida por Tadeu Kaçula foi "Tristeza bash Sambista", de Geraldo Filme.

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