O presidente dos EUA, Donald Trump, está sentado à sua mesa no Salão Oval da Casa Branca. Ao lado de um pôster do Domo de Ouro está o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth.

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Legenda da foto, Donald Trump anuncia o escudo antimíssil Domo de Ouro no Salão Oval com o Secretário de Defesa Pete Hegseth

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Em um discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, ele disse: "Tudo o que queremos da Dinamarca, para segurança nacional e internacional, e para manter à distância nossos potenciais inimigos — muito enérgicos e perigosos — é esta terra onde construiremos o maior Domo de Ouro já feito."

No ano passado, Trump disse que o sistema estaria "totalmente operacional" até o final de seu mandato presidencial em 2029.

Após um financiamento inicial de US$ 23 bilhões, o presidente estimou o custo total em cerca de US$ 175 bilhões, mas o Escritório de Orçamento do Congresso afirmou que o valor final poderia ser quase cinco vezes maior ao longo de duas décadas.

Os planos envolvem uma rede de tecnologias de "próxima geração" em terra, mar e espaço — incluindo interceptores e sensores espaciais, com o objetivo de deter mísseis.

O Domo de Ouro expandiria e aprimoraria os sistemas existentes para proteger os EUA contra ameaças aéreas cada vez mais sofisticadas de países como Rússia e China.

Como funcionaria o Domo de Ouro?

O plano de Trump é parcialmente inspirado no Domo de Ferro de Israel, que usa sistemas de defesa por radar para interceptar ameaças de mísseis de curto alcance e está em uso desde 2011.

O Domo de Ouro, no entanto, seria muitas vezes maior e projetado para combater uma gama mais ampla de ameaças.

Ele usaria uma rede de potencialmente centenas de satélites, algo que teria sido inviável economicamente no passado, mas que é uma possibilidade mais prática hoje.

"Ronald Reagan queria isso há muitos anos, mas eles não tinham a tecnologia", disse Trump, referindo-se ao sistema de defesa antimíssil baseado no espaço, popularmente chamado de "Guerra nas Estrelas", que o ex-presidente havia proposto na década de 1980.

O Domo de Ouro seria "capaz até mesmo de interceptar mísseis lançados do outro lado do mundo ou lançados do espaço", acrescentou Trump.

Ele seria construído para se defender contra mísseis de cruzeiro e balísticos (incluindo armas hipersônicas — aquelas capazes de se mover mais rápido que a velocidade do som) e sistemas de bombardeio orbital fracionário — também chamados de FOBS — que poderiam lançar ogivas do espaço.

O diretor do Centro de Inovação Cibernética e Tecnológica dos EUA, o contra-almirante Mark Montgomery, disse à BBC que o Domo de Ouro dependeria de "três ou quatro grupos de satélites que, juntos, somam centenas de satélites".

"Há satélites que fazem detecção, várias centenas deles, detectando lançamentos. Depois, há uma série que rastreia e fornece soluções de controle de fogo. E, por fim, há satélites de engajamento, que carregam as armas cinéticas ou o que quer que seja usado para abater [os mísseis inimigos]", disse ele à BBC.

É possível construir o Domo de Ouro em três anos?

Trump em frente a um mapa dos EUA que ilustra o sistema de defesa antimíssil Domo de Ouro

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Legenda da foto, O Domo de Ouro seria "capaz até mesmo de interceptar mísseis lançados do outro lado do mundo, ou lançados do espaço", disse Trump

O jornalista Shashank Joshi, editor de defesa da revista The Economist, disse à BBC que os militares dos EUA levam o plano muito a sério, mas que não é possível acreditar que ele será concluído durante o mandato de Trump. Além disso, o custo enorme do projeto consumiria uma grande parte do orçamento de defesa dos EUA.

Montgomery concorda.

"Esta é uma missão de cinco, sete, dez anos para ser feita do jeito certo", diz.

"Teremos coisas daqui a três anos que nos tornem mais seguros? Pode ter certeza", disse ele. Mas ele ressalta que um "sistema 100% seguro" não é viável até o final do atual mandato do presidente.

Quem vai construir o Domo de Ouro?

O general Michael Guetlein será responsável por liderar o projeto bilionário do Domo de Ouro.

Desde dezembro de 2023, ele é o vice-chefe de operações espaciais da Força Espacial, o ramo das Forças Armadas dos EUA que fornece "alerta de mísseis, consciência espacial, posicionamento, navegação e sincronização, comunicações e guerra eletrônica espacial".

Guetlein, um general de quatro estrelas descrito por Trump como "um homem muito talentoso", tem larga experiência em espaço e detecção de mísseis. Ele já foi chefe do Comando de Sistemas Espaciais e diretor de sistemas de sensoriamento remoto.

Nascido e criado no Estado americano de Oklahoma, Guetlein ingressou na Força Aérea dos EUA em 1991, após se formar na Universidade Estadual de Oklahoma.

Donald Trump discursando no pódio do Fórum Econômico Mundial em Davos, Suíça, em 21 de janeiro de 2026. À direita da imagem, alguém segura um telefone acima da cabeça e tira uma foto com ele.

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Legenda da foto, Trump afirmou na Conferência Mundial sobre Liberdade Econômica em Davos que os EUA precisam adquirir a Groenlândia para o sistema Domo de Ouro

O que a Rússia e a China pensam sobre o Domo de Ouro?

O Domo de Ouro tem como finalidade principal a defesa contra mísseis que possam ser lançados por Rússia e China.

Um documento divulgado recentemente pela Agência de Inteligência de Defesa observou que as ameaças de mísseis "aumentarão em escala e sofisticação", com ambos os países supostamente projetando ativamente sistemas "para explorar lacunas" nas defesas dos EUA.

A China e a Rússia criticaram o conceito como "profundamente desestabilizador".

O novo sistema de defesa "prevê explicitamente um fortalecimento significativo do arsenal para a condução de operações de combate no espaço", disse um comunicado do Kremlin publicado após conversas entre a Rússia e a China em maio de 2025.

No entanto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, descreveu posteriormente o plano como "uma questão soberana" para os EUA e sugeriu que ele poderia levar a uma retomada das negociações sobre armas nucleares.

A China, por sua vez, afirmou que o plano colocaria em risco a segurança internacional, intensificando a militarização do espaço e arriscando uma corrida armamentista.

"O Domo de Ouro propõe abertamente um aumento em larga escala das capacidades de combate no espaço exterior... e tem aspectos de natureza fortemente ofensiva, contrários aos usos pacíficos defendidos pelo Tratado do Espaço Sideral", disse um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China em maio passado, instando os EUA a abandonar o sistema.

O Canadá vai aderir ao sistema Domo de Ouro?

Ainda não está claro se o Canadá participará do projeto de defesa, visto que a tensão entre os países vizinhos tem aumentado devido às tarifas de Trump.

Em Davos, o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que o país foi convidado. Trump também afirmou que o Canadá deveria ser "grato" pelos "benefícios" que recebe dos EUA e que o sistema defenderia o Canadá "por sua própria natureza".

Em maio de 2025, o gabinete do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que ele e seus ministros estavam discutindo uma nova relação econômica e de segurança com seus homólogos americanos.

"Essas discussões incluem, naturalmente, o fortalecimento do NORAD (Comando de Defesa Aeroespacial da América do Norte) e iniciativas relacionadas, como o Domo de Ouro", acrescentou.

No ano passado, o então ministro da Defesa canadense, Bill Blair, também reconheceu que o Canadá tinha interesse em participar do projeto da cúpula, argumentando que "fazia sentido" e era do "interesse nacional" do país.