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O que é pior para gripe: ar-condicionado ou ventilador? Especialistas revelam

O uso de ar-condicionado e ventiladores ainda gera muitas dúvidas, especialmente quando o assunto é saúde. Por falta de conhecimento, é comum que as pessoas se perguntem se o uso diário desses aparelhos pode causar resfriados, ou se algum deles é mais prejudicial ao organismo. Isso acontece porque, após períodos prolongados de funcionamento, não é raro surgirem sintomas como congestão nasal, ressecamento das vias respiratórias, coceira nos olhos e até dor de cabeça.

Para esclarecer essas questões, o TechTudo conversou com dois especialistas: a pneumologista do Hospital Samaritano Higienópolis, Luciana Alves de Oliveira Lopes, e o engenheiro especialista em aplicação da Fujitsu General do Brasil, João Nakata. Eles explicaram os efeitos do ar-condicionado e do ventilador no corpo e compartilharam orientações sobre como usar esses equipamentos corretamente no dia a dia. Confira!

 Arte por Mayara Souza/Canva Conteúdo do TechTudo explica a relação entre o uso de ar-condicionado e ventilador com a grio — Foto: Arte por Mayara Souza/Canva

O que é pior para gripe: ar-condicionado ou ventilador? Veja

  1. O ar gelado/vento pode causar gripes e alergias?
  2. O que é pior para gripe: ar-condicionado ou ventilador?
  3. Como não adoecer com ar-condicionado ou ventilador?
  4. Que hábitos podem minimizar o problema?

1. O ar gelado/vento pode causar gripes e alergias?

Muita gente acredita que o ar gelado, seja do ar-condicionado ou do ventilador, pode causar gripe, mas isso não é verdade. Na realidade, as infecções respiratórias "são provocadas por diferentes tipos de vírus, e não pela temperatura do ambiente", explica a pneumologista Luciana Alves. Ela acrescenta que nem toda tosse, espirro ou nariz escorrendo indica um resfriado; muitas vezes, esses sintomas surgem devido a alergias ou à irritação das mucosas respiratórias.

No entanto, o que esses aparelhos podem fazer é intensificar o desconforto de quem já está gripado, especialmente quando há exposição direta ao fluxo de ar ou falta de manutenção. Além disso, o ar seco e as baixas temperaturas podem favorecer condições que facilitam a ação de vírus e alérgenos, aumentando assim o risco de doenças respiratórias.

 Reprodução/Freepik O uso de ar-condicionado e ventilador não causa gripe, mas pode trazer desconfortos respiratórios — Foto: Reprodução/Freepik

Um exemplo citado por Luciana é o que ocorre com passageiros que passam longas horas em um voo e acabam sentindo obstrução nasal, coriza e tosse. "Isso não é uma gripe ou resfriado instantâneo, mas o efeito do ar-condicionado dos aviões. A cabine capta o ar em altitudes elevadas, com baixíssima umidade relativa, beirando 12% — ainda menor do que a de muitos desertos. Esse ‘ar gelado e seco’ pode desencadear diversos efeitos no sistema respiratório, enfraquecendo a barreira de defesa das mucosas nasais e facilitando complicações secundárias, como gripes e resfriados", afirma a médica.

2. O que é pior para gripe: ar-condicionado ou ventilador?

Não há uma resposta única para essa questão, pois os efeitos dependem de como cada equipamento é utilizado. Por isso, Luciana explica que os aparelhos de ar-condicionado, por exemplo, geralmente contam com filtros eficientes contra alérgenos, como ácaros e partículas de poeira. “No entanto, ressecam muito o ar, principalmente quando usados em temperaturas muito baixas por longos períodos, o que faz com que alguns especialistas sugiram o uso de umidificadores associados”, completa.

O ventilador, por sua vez, não altera diretamente a umidade do ar. Ainda assim, quando o fluxo de ar é direcionado ao corpo, pode ressecar as vias aéreas e aumentar o desconforto respiratório. Para completar, ambos os aparelhos podem contribuir para a dispersão de vírus, partículas de mofo, poeira, ácaros e pelos de animais presentes no ambiente.

 Reprodução/Freepik Ventilador de coluna com desconto: aproveite preços mais baixos do Prime Day 2025 para garantir o seu — Foto: Reprodução/Freepik

3. Como não adoecer com ar-condicionado ou ventilador?

Como vimos, os aparelhos em si não causam gripe, mas exigem alguns cuidados para evitar o agravamento da doença e reduzir desconfortos respiratórios. O ponto principal está no uso correto dos equipamentos. De acordo com João Nakata, no caso do ar-condicionado, é importante evitar que o jato de ar fique direcionado diretamente sobre as pessoas e manter a temperatura em níveis confortáveis. Quando utilizado de forma adequada, o aparelho contribui tanto para o bem-estar térmico quanto para a qualidade do ambiente.

Da mesma forma, o ventilador, responsável por promover a circulação do ar, também exige atenção. A principal dica é garantir que o fluxo não seja direcionado diretamente para o rosto e manter o local limpo, diminuindo a dispersão de poeira e outras partículas no ambiente.

 Reprodução/Freepik Uma das formas de não agravar doenças ao usar o ar-condicionado é manter a temperatura níveis confortáveis — Foto: Reprodução/Freepik

4. Que hábitos podem minimizar o problema?

Para ajudar nessa missão, existem alguns hábitos que não podem ser deixados de lado, sendo essenciais para reduzir os efeitos negativos do uso de ar-condicionado ou ventilador. A seguir, confira as principais dicas dos especialistas:

a. Limpeza regular dos componentes

A limpeza dos filtros do ar-condicionado é recomendada mensalmente quando o equipamento é usado todos os dias, orienta Nakata. Em ambientes com muita poeira, como regiões litorâneas ou áreas com obras, essa manutenção pode ser necessária a cada 15 dias ou até com maior frequência. “Filtros sujos acumulam poeira, ácaros e fungos, o que pode piorar crises alérgicas e sintomas respiratórios, além de aumentar o consumo de energia”, detalha o especialista.

Ele ainda destaca que outras manutenções mais aprofundadas, como a limpeza completa de serpentinas, bandejas de condensado e ventiladores, devem ser realizadas em intervalos maiores, geralmente a cada 6 a 12 meses, intercaladas com a rotina mensal, garantindo assim o bom funcionamento e a vida útil do equipamento.

 Reprodução/Conforlab Diferença entre um filtro sujo e um limpo — Foto: Reprodução/Conforlab

No caso dos ventiladores, a poeira acumulada nas hélices, grades e pás pode ser lançada diretamente nas vias respiratórias durante o uso. Por isso, a recomendação é realizar a limpeza do aparelho, no mínimo, a cada 15 dias, especialmente em períodos de uso frequente. Além disso, é importante manter o ambiente limpo, pois a corrente de ar gerada pelo ventilador pode suspender partículas presentes no chão, aumentando a exposição a esses agentes.

b. No caso do ar, não deixar o vento direcionado

Quando se trata do uso do ar-condicionado, a principal recomendação é evitar direcionar o jato de ar diretamente para as pessoas. “O ar frio deve se espalhar pelo ambiente e não ‘bater’ no corpo”, explica Nakata. O profissional também ressalta a importância de ajustar as aletas, que direcionam o fluxo de ar, para cima ou na posição horizontal, garantindo uma distribuição mais uniforme e maior conforto térmico. Ainda, manter portas e janelas fechadas durante o funcionamento do aparelho contribui para evitar esforço excessivo do equipamento, economizar na conta de luz e reduzir o risco de choque térmico.

c. No caso do ventilador, deixar girando

Ao usar o ventilador, Nakata sugere utilizar a função oscilante para garantir uma circulação de ar mais suave e uniforme. “Evite o vento direto no rosto, na garganta ou no peito, direcionando o fluxo para paredes ou para o teto. Também é recomendado manter uma distância mínima do aparelho e evitar o uso contínuo durante o sono, principalmente em noites mais frias ou quando o usuário apresentar sintomas gripais”, explica.

 Reprodução/Freepik A recomendação é evitar o uso do ventilador de forma contínua durante o sono, principalmente em noites mais frias — Foto: Reprodução/Freepik

d. No ar, escolher temperatura em torno de 24 °C

A temperatura ideal depende não apenas da sensibilidade de cada pessoa, mas também da estação do ano e das condições de umidade do ar. De forma geral, a faixa entre 22 °C e 26 °C proporciona conforto sem provocar choque térmico ou ressecamento excessivo do ar, explica Nakata. “Para o dia a dia, a recomendação é manter o ar-condicionado em torno de 24 °C, lembrando que a sensação térmica varia de pessoa para pessoa. Pequenos ajustes de 1 °C para mais ou para menos ajudam a encontrar a temperatura mais confortável para cada usuário”, pontua.

 Reprodução/Shutterstock: Andrey_Popov Ar-condicionado split instalado em ambiente corporativo. — Foto: Reprodução/Shutterstock: Andrey_Popov

Outra dica importante é ter cautela ao usar umidificadores junto com ar-condicionado ou ventiladores. “É preciso ter cuidado com excesso de umidade, que pode favorecer o surgimento de mofos e fungos, prejudiciais à saúde das vias respiratórias. Sempre que possível, mantenha o ambiente arejado, garantindo a troca de ar e uma boa ventilação”, explica Luciana.

Também vale destacar que tanto o ventilador quanto o ar-condicionado podem ser utilizados durante a gripe, desde que com bom senso, ajustes corretos e manutenção adequada. “O desconforto e a possível piora dos sintomas geralmente não estão relacionados ao equipamento em si, mas à forma como ele é usado. Com cuidados simples, é possível garantir conforto térmico sem comprometer a saúde”, finaliza Nakata.

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