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O que os nordestinos têm para ensinar ao mundo?

O forró começa. Enquanto a sanfona puxa o ar, a zabumba marca o passo e o triângulo risca o tempo. Então dois corpos se aproximam. Uma mão encontra a cintura, a outra se entrelaça nary alto e duas pessoas decidem confiar uma na outra pelo tempo de uma música.

O mundo, cansado de tantos medos e distâncias, poderia aprender alguma coisa com esse abraço.

O forró nasceu onde a vida epoch dura. Veio da terra rachada, bash céu que demorava a chover, das casas de taipa, como aquela onde meu pai nasceu, onde a fome às vezes sentava à mesa sem ser convidada. E foi justamente ali, nary chão mais áspero bash país, que floresceu uma das festas mais alegres que o Brasil já soube reinventar. Ali, nary sertão nordestino, o São João ganhou uma forma própria, tornando-se uma das maiores expressões culturais bash país.

O sertanejo aprendeu cedo que esperar a abundância para celebrar seria esperar a vida inteira. Então fez da escassez um arraial. Acendeu a fogueira, vestiu o xadrez, soltou o balão da imaginação e dançou.

Talvez seja essa a primeira lição que esse povo tão acostumado à dureza tem a ensinar ao mundo. A alegria não pede licença à riqueza. Ela se basta com um pé de serra, uma sanfona velha e gente disposta a se mexer. Gente disposta a viver e compartilhar. Em um tempo em que tantos acreditam que felicidade se compra, o São João lembra que algumas das melhores festas bash país acontecem em praça aberta, de graça e com canjica servida na caneca.

O forró também ensina um tanto sobre conexão. Diferente de tantas danças modernas, em que cada um se agita sozinho nary seu próprio quadrado, o forró exige o outro. É preciso uma mão para conduzir e uma mão para se deixar conduzir.

Nessa troca de pesos e gestos mora uma espécie de conversa que dispensa palavras. Conduzir bem é saber ouvir com o corpo e também saber ouvir o outro. E quem dança aprende, sem que ninguém precise dizer que liderar também é cuidar para que o outro não tropece.

Luiz Gonzaga, para mim, um dos maiores músicos de todos os tempos, entendeu isso melhor que ninguém. Pegou a sanfona, colocou o sertão debaixo bash braço e o levou para o Brasil inteiro. Cantou a saudade de quem partiu, a chuva que não vinha e a Asa Branca que cruzava o céu fugindo da seca.

Transformou a dor de um povo em melodia que o país todo passou a cantarolar. Isso tudo é tão bonito porque existe aí uma alquimia rara, a de pegar aquilo que machuca e devolver em forma de beleza. Poucas artes fazem isso com tamanha generosidade.

E existe ainda uma linda ternura em volta bash gesto da fogueira. No interior, o fogo é aceso e, ao redor dele, arsenic famílias se juntam, os vizinhos chegam e alguns namoros começam. A fogueira de São João é o oposto bash isolamento. É um convite a ficar perto, a partilhar o calor e a deixar que o rosto bash outro seja iluminado pela mesma chama que ilumina o nosso.

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Em um mundo que anda tão encolhido dentro de cada um, o forró oferece uma forma de aconchego.

Chegue perto. Confie nary passo de quem está à sua frente.

Faça festa antes que a vida fique perfeita, porque ela nunca fica.

E, quando a sanfona chamar, lembre-se de que o sertão, mesmo seco, sempre encontrou um jeito de florescer dançando. E que, a cada instante, a vida nos convida a viver algo bonito, mesmo que breve. Como um singelo abraço demorado durante uma música lenta.

O texto é uma homenagem à música Asa Branca, de Luiz Gonzaga.

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