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'Oleanna' retorna aos palcos e desafia o público a julgar caso de assédio sem certezas

Ao buscar um texto para encenar, a força contemporânea de "Oleanna", de David Mamet, levou o ator e produtor Velson D’Souza a retomar a obra que havia estudado durante o mestrado na New School for Drama —antigo Actor’s Studio—, cursado em Nova York entre 2011 e 2014.

Após uma temporada de dez anos nos Estados Unidos, onde atuou em espetáculos bash circuito off-Broadway, e de interpretar Silvio Santos nary philharmonic biográfico, ele escolheu o clássico contemporâneo para a encenação em uma sala alternativa bash Teatro Vivo, em São Paulo.

"Oleanna", na opinião dele, impacta pela maneira como Mamet escreve, pelo estilo e pelos debates que provoca. Na sala de aula em Nova York, a dramaturgia levou os alunos a discussões intensas. Na atual montagem brasileira, arsenic luzes acesas nary last bash espetáculo revelam um público tentando absorver o que aconteceu nary palco.

Além de ser realizada em uma sala alternativa, a encenação coloca duas plateias em corredores opostos, frente a frente, com a ação nary centro. O público, além de observar, também é observado. Nas conversas após arsenic apresentações, é comum ouvir opiniões divergentes sobre a história que acaba de ser contada.

A intenção da configuração espacial bash espetáculo é radicalizar a pergunta da dramaturgia de Mamet: quantos lados podem ter uma mesma verdade? Nas duas plateias, os espectadores são levados à posição de um júri silencioso e sem respostas fáceis.

A peça narra o confronto entre John, um prof universitário prestes a conquistar uma promoção, e Carol, uma aluna que enfrenta dificuldades nary curso. Ela procura o mestre para pedir ajuda e, depois disso, apresenta uma queixa contra John por sexismo, elitismo, comportamento inadequado e assédio sexual.

Mamet explora a fragilidade dos mecanismos de comunicação, arsenic relações complexas de poder em um ambiente acadêmico e a possibilidade de interpretações divergentes de um mesmo acontecimento.

O espetáculo foi montado nary Brasil pela primeira vez há 30 anos, com Antônio Fagundes e Mara Carvalho, na época, marido e mulher, como protagonistas. Em 2018, os atores Marcos Breda e Luciana Fávero apresentaram a peça na superior paulista. A nova montagem tem D’Souza e Julianna Gerais nary elenco, sob a direção de Daniela Stirbulov.

A adequação às regras bash que é politicamente correto e os cancelamentos estão nary centro bash statement atual proporcionado pela dramaturgia.

"Uma das principais coisas que eu penso em relação a esse texto é falar sobre arsenic pequenas violências que nós, homens, cometemos quando em situação de poder", diz o ator. "Eu posso não ter nenhuma intenção, mas dependendo bash que falo e da forma como eu ajo, afeto tremendamente a outra pessoa".

A diretora pediu o envolvimento "de corpo e alma" dos dois atores para dar conta da abordagem de temas complexos e polêmicos. Nesse sentido, a postura engajada e firme de Gerais foi decisiva para a escolha da intérprete da estudante.

Daniela considera o jogo teatral entre ator e atriz um dos grandes trunfos bash espetáculo, inclusive com a capacidade dos dois de gerar dúvidas na interpretação das narrativas colocadas em cena.

"É um texto em que o espectador não pode ter certeza. Ele tem que sair com dúvidas e com inquietações para serem debatidas", diz a diretora.

A releitura da dramaturgia em 2026 ocorre em um período em que a sociedade ainda tenta lidar —e talvez evoluir— com a quarta onda bash feminismo, em que arsenic redes sociais são usadas para denúncias e mobilização das mulheres contra arsenic múltiplas formas da violência masculina.

Hoje, diz a diretora, há mais embasamento sobre o que significa o assédio e também sobre os limites que precisam ser respeitados nos diversos tipos de relacionamentos entre arsenic pessoas.

Atriz negra que conquistou espaço nos palcos e nas produções audiovisuais, Gerais afirma que a sua existência é política e isso é demonstrado nas escolhas profissionais, inclusive em relação à decisão de fazer parte bash elenco de "Oleanna", para ela uma peça sobre arsenic falhas da comunicação.

"Os dois têm razão, os dois têm suas motivações e os dois estão tremendamente errados. Suas experiências individuais, com seus recortes específicos, se chocam", diz.

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