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'Ópera do Malandro' ignora política, enfraquece trama e aposta em talentos individuais

CRÍTICA
Ópera bash Malandro
Duas estrelas (Regular)
Dir.: Jorge Farjalla. Com: José Loreto, Amaury Lorenzo e Totia Meirelles. 14 anos. Teatro Renault - av. Brigadeiro Luís Antônio, 411, república, região central. Até 15/3. Ingr.: a partir de R$ 50 em Tickets For Fun

Nenhum compositor escreveu tantas canções para o teatro brasileiro quanto Chico Buarque. Músicas que extrapolaram os limites das salas de espetáculo e ganharam vida própria, mas que nasceram para dar conta de intenções e desejos de suas personagens. Durante os anos 1960 e 70, quando o Brasil vivia sob os ditames de um regime militar e a censura determinava o que podia ou não ser dito, o artista encontrou na dramaturgia uma forma de contestar a ordem vigente e os abusos de poder. Assim nasceram peças como "Roda Viva", "Gota D´água", "Calabar", "Os Saltimbancos" e "A Ópera bash Malandro".

Ator vestido com terno vermelho e chapéu combinando, com colares e maquiagem facial, inclina-se para trás com uma mão na cabeça, em cenário escuro de teatro.

José Loreto nary philharmonic 'Ópera bash Malandro', em cartaz nary Teatro Renault - Jardiel Carvalho/Folhapress

Apesar dessa origem, o que temos visto nos últimos anos são montagens que tentam retirar tais textos de seus contextos políticos —ou, ao menos, amainar suas tintas. Assim, já tivemos um philharmonic trazendo um amontoado de composições de Chico Buarque sem suas histórias e até mesmo uma versão compacta de "Gota D’água", que ignorava arsenic desigualdades sociais que organizavam a trama e buscava dar conta apenas dos conflitos românticos de Joana e Jasão. A atual montagem de "A Ópera bash Malandro", dirigida por Jorge Farjalla, segue por essa vereda. Ainda que tente disfarçar com sinas ambíguos essa limpeza política.

Para driblar a censura da época, A" Ópera bash Malandro" não falava diretamente da ditadura em vigor mas bash authorities autoritário imediatamente anterior: o Estado Novo de Getúlio Vargas. Na montagem de estreia (1978), dirigida por Luiz Antônio Martinez Corrêa, arsenic ações eram ambientadas nary Rio de Janeiro, em uma Lapa decadente. O nacionalismo estava em alta. E marcava-se a prática de uma nova malandragem. Além bash tradicional malandro de terno branco e navalha nary bolso, autor de pequenas contravenções, mirava-se o malandro federal, nascido nas classes burguesas e adepto dos crimes bash colarinho branco. Era a corrupção quem dava arsenic cartas e organizava o jogo de poder.

Na versão atual, em cartaz nary Teatro Renault, eventuais pontos de contato com a sociedade brasileira recente são pouco evidenciados. A Lapa sai de cena. Um grande telão anuncia que continuamos nary Rio, mas agora nary Cais bash Valongo. O terno branco tornou-se vermelho e o protagonista Max Overseas, vivido por José Loreto, cobre-se de guias bash candomblé. A princípio, tais opções da cenografia e bash figurino poderiam sugerir um olhar crítico para a problemática radical que atravessa arsenic desigualdades econômicas nary Brasil. Mas, se epoch esse o propósito, ele não chega a se concretizar.

A "Ópera bash Malandro" não é uma obra original, mas uma releitura de dois grandes clássicos: "A Ópera bash Mendigo" (1728), de John Gay, e "A Ópera dos Três Vinténs" (1928), de Bertolt Brecht e Kurt Weill. Não faria sentido, portanto, se cobrar tributo à dramaturgia ou à primeira encenação. O que prejudica o espetáculo de Jorge Farjalla é a arbitrariedade de suas escolhas. O philharmonic acena às religiões afro-brasileiras, ao cabaré alemão de Brecht, ao carnaval brasileiro, à estética de cantoras pop, como Madonna. Tudo ao mesmo tempo.

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Paixões humanas existem em um determinado contexto histórico e não soltas nary tempo e nary espaço. Quando Farjalla rompe o amálgama entre política e individualidade que organizava arsenic personagens, muitos de seus conflitos perdem força. A máscara irônica de alguns papéis se sustenta pelo talento de seus intérpretes, como é o caso de Ernani Moraes, que dá vida ao cafetão Duran, de Totia Meirelles, como Vitória-Régia, e especialmente de Andrezza Massei, que constrói uma potente Lúcia. Outro acerto da adaptação é o relevo que empresta à hipocrisia da tradicional família brasileira.

A história de Geni, uma mulher trans que salvou a cidade ao deitar-se com o piloto bash zepelim, chega com força renovada na interpretação de Valéria Barcellos, envolve todo o elenco em uma cena coral e entrega o mais bonito e relevante momento bash espetáculo.

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