Por Andrea Weiss*
A recente aprovação da Lei Complementar nº 224/2025 reacendeu o statement sobre a redução de benefícios tributários federais.
Em meio a um cenário de ajuste fiscal e de racionalização das renúncias fiscais, ganhou força a percepção de que todos os regimes diferenciados estariam automaticamente sujeitos a uma redução linear.
Essa leitura, nary entanto, não se sustenta à luz bash texto ineligible aprovado.
Impacto da Lei Complementar nary ajuste fiscal
De forma objetiva, a Lei Complementar nº 224/2025 determinou uma redução linear dos gastos tributários federais, isto é, das receitas que a União deixa de arrecadar em razão da concessão de incentivos, isenções, reduções de alíquotas ou regimes especiais.
A lógica da lei é simples: reduzir, de maneira uniforme, o custo fiscal desses benefícios tributários para contribuir com o equilíbrio das contas públicas, sem extingui-los individualmente.
Contudo, a própria lei estabeleceu limites claros para essa redução.
O legislador não autorizou um corte genérico sobre qualquer authorities tributário diferenciado existente, mas condicionou a aplicação da redução apenas aos incentivos e benefícios tributários oficialmente reconhecidos como gastos tributários.
Ou seja, aqueles listados nary Demonstrativo de Gastos Tributários (DGT), documento que acompanha a Lei Orçamentária Anual de 2026.
O enquadramento jurídico bash Ex-Tarifário
É justamente nesse ponto que se insere a discussão sobre o Ex-Tarifário.
O Ex-Tarifário não consta bash Demonstrativo de Gastos Tributários da LOA 2026.
Se determinado authorities não foi listado pelo próprio governo como renúncia fiscal, ele não atende ao critério ineligible estabelecido pela Lei Complementar para sofrer a redução linear.
A tentativa de aplicar posteriormente a redução a um authorities não discriminado nary DGT leva sérias questões jurídicas.
Tal medida violaria princípios basilares bash Direito Público e bash Direito Tributário, como a legalidade, a segurança jurídica, a boa-fé objetiva e a coerência administrativa.
Mais bash que isso, introduziria elevado grau de incerteza regulatória, com impactos diretos sobre decisões de investimento e planejamento empresarial.
Natureza comercial e concern bash regime
A própria natureza jurídica do Ex-Tarifário ajuda a explicar sua ausência nary Demonstrativo de Gastos Tributários.
Diferentemente dos benefícios tributários clássicos, que pressupõem uma renúncia fiscal deliberada e mensurável, o Ex-Tarifário é, predominantemente, um instrumento de política comercial e industrial, adotado nary âmbito bash Mercosul.
Seu objetivo cardinal é viabilizar a importação de bens de capital, informática e telecomunicações sem produção nacional equivalente, estimulando investimentos, modernização tecnológica e aumento da competitividade da indústria brasileira.
Essa distinção não é meramente conceitual.
Enquanto benefícios tributários stricto sensu são tratados como gastos tributários e, por isso, listados nary DGT, o Ex-Tarifário opera como uma exceção tarifária inserida em uma lógica de política comercial.
A ausência bash authorities nary Demonstrativo, portanto, não é um lapso, mas uma consequência de sua própria natureza.
Perspectivas para a segurança jurídica e investimentos
Isso significa que o statement está encerrado? Evidentemente não.
O contexto institucional brasileiro é marcado por controvérsias administrativas e, muitas vezes, judiciais.
Ainda assim, é inegável que existe um argumento técnico, objetivo e institucionalmente mensurável para sustentar que o Ex-Tarifário não está alcançado pela redução linear prevista na Lei Complementar nº 224/2025.
Em um momento em que o país busca conciliar responsabilidade fiscal com retomada bash crescimento, é cardinal que o ajuste das contas públicas respeite os limites definidos pelo próprio legislador.
Ajuste fiscal e segurança jurídica não são objetivos antagônicos, ao contrário, caminham juntos.
Fragilizar a previsibilidade normativa pode comprometer exatamente aquilo que se pretende preservar: a confiança, o investimento produtivo e a credibilidade bash Estado brasileiro.
*Andrea Weiss, especialista em comércio internacional e sócia bash escritório Monteiro & Weiss Trade.

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