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Os celulares que bombavam quando o Brasil ganhou a Copa em 2002

Com a Seleção Brasileira em campo na Copa do Mundo de 2026, acompanhar o torneio pelo celular virou parte da experiência do torcedor. Hoje, dá para receber alertas em tempo real, assistir a jogos em alta definição, comentar lances nas redes sociais, mandar mensagens em grupos de WhatsApp e ver vídeos publicados segundos depois. Na última vez em que o Brasil levantou a taça, porém, a relação entre futebol e tecnologia era bem diferente.

Quando Ronaldo marcou duas vezes contra a Alemanha, em 30 de junho de 2002, ninguém abriu o Instagram, publicou story, gravou vídeo em 4K ou enviou figurinha no grupo da família. Na época do penta, celular ainda era sinônimo de ligação, SMS abreviado, teclado físico, tela pequena e bateria capaz de durar vários dias. Nas linhas a seguir, o TechTudo relembra como eram os aparelhos usados em 2002 e quais modelos faziam sucesso antes da era dos smartphones.

 Arte/TechTudo Celulares de 2002 tinham teclado físico, telas pequenas e funções básicas, bem diferentes dos smartphones usados para acompanhar a Copa de 2026 — Foto: Arte/TechTudo

Os celulares que bombavam quando o Brasil ganhou a Copa em 2002

Nesta matéria, o TechTudo relembra como eram os celulares no ano do último título mundial da Seleção Brasileira. Veja os tópicos abordados:

  • Como eram os celulares em 2002
  • Nokia 3310: o icônico “tijolão”
  • Nokia 7650: o primeiro celular Nokia com câmera
  • Siemens A50: simples, compacto e popular
  • Motorola V60: o flip de status antes do V3
  • Sony Ericsson T68i: tela colorida e câmera como acessório
  • Samsung SGH-T100: design flip e toques polifônicos

Como eram os celulares em 2002

Em 2002, celular ainda era, antes de tudo, um telefone. O aparelho servia principalmente para fazer ligações, guardar contatos na agenda e enviar SMS. Não havia loja de aplicativos, redes sociais no bolso, câmera como item obrigatório nem tela grande para assistir a vídeos. A experiência era bem mais simples e limitada, mas já começava a mudar a forma como as pessoas se comunicavam.

A maioria dos modelos tinha teclado numérico físico, tela pequena e monocromática, com iluminação verde, azul ou laranja. Em vez de tocar na tela, o usuário precisava apertar várias vezes a mesma tecla para escrever uma palavra. Para digitar “casa”, por exemplo, era necessário passar pelas letras agrupadas nos botões do teclado. Por isso, escrever mensagens longas exigia paciência e certa prática.

Como os celulares não rodavam aplicativos pesados, não tinham telas grandes e quase não usavam internet, muitos aparelhos passavam vários dias longe da tomada. Bateria removível, carcaça resistente e formatos mais grossos faziam parte do visual da época. Modelos como o Nokia 3310 ficaram conhecidos justamente pela fama de aguentar quedas e continuar funcionando.

 Divulgação/Nokia Nokia 3310 marcou época e ganhou fama de indestrutível na Internet — Foto: Divulgação/Nokia

No campo da comunicação, o SMS era o grande recurso. Como cada mensagem tinha limite de caracteres e podia ser cobrada à parte, muita gente abreviava palavras para economizar espaço e dinheiro. Termos como “vc”, “tb”, “pq” e “blz” eram comuns muito antes dos emojis, figurinhas e áudios do WhatsApp.

A internet móvel até existia, mas estava bem longe da experiência atual. O acesso por WAP permitia abrir páginas simples, consultar informações básicas e usar alguns serviços das operadoras, mas era lento, caro e pouco prático em telas tão pequenas. Para a maioria dos usuários, navegar pelo celular ainda era uma curiosidade, não um hábito.

Antes dos papéis de parede em alta resolução e das capinhas de smartphone, a febre era comprar logos, protetores de tela, capas removíveis e toques polifônicos anunciados em revistas, jornais e programas de TV. O celular podia ser simples, mas já carregava um pouco do estilo do dono. Quem viveu a época talvez lembre do clássico “João, te ligam?”, frase que marcou comerciais de ringtones na televisão.

Nokia 3310: o icônico “tijolão”

O Nokia 3310 não foi lançado exatamente em 2002, mas ainda era um dos celulares mais lembrados e desejados na época do penta. Apresentado em 2000, o modelo virou símbolo de uma geração por reunir o básico que se esperava de um bom celular naquele período: fazer ligações, enviar SMS, durar vários dias longe da tomada e resistir bem ao uso diário. O apelido de “tijolão” veio justamente dessa fama de robustez, reforçada pelo corpo mais grosso e pela construção simples.

 Masood Aslami/Pexels Nokia 3310 era um dos celulares mais lembrados e desejados na época do penta — Foto: Masood Aslami/Pexels

A ficha técnica hoje parece modesta, mas era suficiente para o uso da época. O aparelho tinha tela monocromática, teclado numérico, bateria removível, suporte a SMS e jogos como Snake II, Space Impact, Pairs II e Bantumi. Não havia câmera, Bluetooth, Wi-Fi ou loja de aplicativos. A personalização ficava por conta das capinhas coloridas, dos toques monofônicos e das mensagens digitadas no teclado físico, letra por letra.

O sucesso, porém, foi enorme. O Nokia 3310 se tornou um dos celulares mais vendidos da história, com mais de 125 milhões de unidades comercializadas no mundo. No Brasil, o preço variava conforme loja, plano e operadora, mas podia chegar a cerca de R$ 400 no começo dos anos 2000. Era um valor alto para a época, o que ajuda a explicar por que ter um celular ainda era visto como sinal de status para muitos consumidores.

Nokia 7650: o primeiro celular Nokia com câmera

O Nokia 7650 era bem diferente do “tijolão” tradicional. Lançado em 2002, o modelo ficou marcado como o primeiro celular da Nokia com câmera integrada e ajudou a apresentar ao público uma ideia que hoje parece óbvia: usar o telefone também para tirar fotos. A câmera VGA fazia imagens simples, de 640 x 480 pixels, mas já era um recurso avançado para uma época em que a maioria dos celulares sequer tinha tela colorida.

Além da câmera, o aparelho chamava atenção pelo visual slider, com teclado que ficava escondido atrás da tela. O Nokia 7650 também tinha display colorido de 2,1 polegadas, Bluetooth, GPRS, suporte a MMS e sistema Symbian com interface Series 60, combinação que o aproximava dos primeiros smartphones. Ainda assim, a experiência estava muito longe da atual: a memória era limitada, não havia cartão de expansão e compartilhar fotos dependia de recursos como MMS, infravermelho ou Bluetooth.

 Reprodução/mobilenet Nokia 7650 foi o primeiro celular Nokia com câmera — Foto: Reprodução/mobilenet

Na época do penta, porém, o Nokia 7650 representava o futuro dos celulares. Ele não era tão popular quanto modelos mais simples, como o Nokia 3310, mas mostrava para onde o mercado caminharia nos anos seguintes. A partir dali, câmera, tela colorida e recursos multimídia deixariam de ser luxo de poucos aparelhos e passariam a fazer parte da identidade dos celulares modernos.

Siemens A50: simples, compacto e popular

O Siemens A50 era um celular de entrada, mas marcou presença no início dos anos 2000 por entregar o básico em um corpo compacto e leve. Anunciado em 2002, o modelo tinha visual simples, teclado numérico físico e tela monocromática. Ele não chamava atenção por câmera, tela colorida ou recursos avançados, e sim por ser uma opção mais acessível para quem queria ter um celular para ligar, mandar SMS e guardar contatos.

A ficha técnica mostra bem o perfil do aparelho. O A50 tinha tela de 101 x 64 pixels, pesava cerca de 95 gramas e trazia suporte a redes GSM 900/1800. A agenda armazenava 50 contatos, e a bateria de 650 mAh prometia até 250 horas em stand-by e até cinco horas de conversa, segundo bases de especificações da época. Também havia navegador WAP, mas a internet móvel ainda era limitada e pouco usada no dia a dia.

 Divulgação/Siemens Siemens A50, lançado em 2002 — Foto: Divulgação/Siemens

Entre os atrativos, o Siemens A50 trazia jogos como Stack Attack e Balloon Shooter, além de suporte a logos, protetores de tela e toques monofônicos baixáveis. Esses recursos ajudavam a dar alguma personalidade ao aparelho em uma época em que personalizar o celular era trocar capa, baixar ringtone e escolher uma imagem simples para a tela. O modelo, assim como o Nokia "tijolão", resume bem o celular popular de 2002: pequeno, resistente, econômico e feito para comunicação básica.

Motorola V60: o flip de status antes do V3

Antes de o Motorola V3 virar objeto de desejo nos anos 2000, a marca já tinha um celular flip com visual premium. Lançado em 2001, o Motorola V60 chamava atenção pelo formato dobrável, pela antena externa e pelo acabamento metálico, que passava uma imagem mais sofisticada do que a maioria dos “tijolões” da época. Em 2002, ele representava o tipo de aparelho que muita gente associava a status, especialmente em um mercado ainda dominado por modelos simples, com tela monocromática e teclado físico.

 Reprodução/Mobile Phone Museum Motorola V60 chamava atenção pelo formato dobrável, pela antena externa e pelo acabamento metálico — Foto: Reprodução/Mobile Phone Museum

O V60 tinha tela monocromática de 96 x 64 pixels, teclado numérico, suporte a SMS, bateria removível e versões compatíveis com diferentes redes, como GSM, CDMA e TDMA. Não havia câmera, Wi-Fi, Bluetooth ou tela sensível ao toque. O atrativo estava menos nos recursos multimídia e mais no desenho compacto, no mecanismo flip e no acabamento de aparência mais refinada.

O modelo também ajuda a explicar a evolução do design dos celulares antes da era dos smartphones. Enquanto o Nokia 3310 ficou marcado pela resistência e pela simplicidade, o Motorola V60 mostrava que o celular já começava a ser tratado como acessório de estilo. Dois anos depois, essa ideia seria levada ao extremo pelo Motorola V3, lançado em 2004, mas o V60 já apontava esse caminho no começo da década.

Sony Ericsson T68i: tela colorida e câmera como acessório

O Sony Ericsson T68i era um dos celulares mais avançados de 2002 e ajudava a mostrar que o telefone começava a deixar de ser apenas um aparelho para chamadas e SMS. O modelo tinha tela colorida, corpo compacto, Bluetooth, infravermelho, GPRS, WAP e suporte a MMS, recurso que permitia enviar mensagens com fotos e outros conteúdos multimídia. Para a época, era um pacote bastante sofisticado.

Diferente do Nokia 7650, que já vinha com câmera integrada, o T68i usava um acessório encaixável chamado CommuniCam. O módulo era acoplado ao aparelho e permitia capturar imagens em resolução VGA, de 640 x 480 pixels. Depois, as fotos podiam ser salvas ou enviadas por MMS e e-mail, algo que parecia futurista em um período em que a maioria dos celulares nem tinha tela colorida.

 Divulgação/Sony Ericsson Mobile Communications Sony Ericsson T68i era um dos celulares mais avançados de 2002 — Foto: Divulgação/Sony Ericsson Mobile Communications

Ainda assim, T68i era mais um símbolo de transição do que um aparelho popular. Ele antecipava recursos que se tornariam comuns nos anos seguintes, como tela colorida, envio de imagens, conectividade sem fio e integração entre celular e câmera. Em 2002, porém, tudo isso ainda custava caro e ficava restrito a modelos mais completos, enquanto a maior parte dos usuários continuava usando celulares simples para ligar, enviar SMS e personalizar toques.

Samsung SGH-T100: design flip e toques polifônicos

O Samsung SGH-T100 foi um dos celulares mais chamativos de 2002 e ajudou a colocar a marca sul-coreana em evidência antes da era Galaxy. O modelo tinha formato flip, corpo compacto e uma tela colorida que se destacava em um mercado ainda dominado por displays monocromáticos. Em vez de apostar apenas na resistência ou no preço, o aparelho vendia estilo, acabamento e uma experiência visual mais moderna.

 Reprodução/osta.ee Samsung SGH-T100 foi um dos celulares mais chamativos de 2002 e ajudou a colocar a marca sul-coreana em evidência antes da era Galaxy — Foto: Reprodução/osta.ee

A tela era um dos principais atrativos. O SGH-T100 usava display TFT colorido com suporte a 4.096 cores, número expressivo para a época. O aparelho também tinha uma pequena tela externa monocromática, usada para ver chamadas recebidas sem abrir o flip. Não havia câmera, Wi-Fi ou Bluetooth, mas o conjunto já passava a sensação de um celular mais avançado do que os modelos básicos usados para ligações e SMS.

Outro destaque eram os toques polifônicos. Enquanto muitos aparelhos ainda usavam ringtones simples, o Samsung SGH-T100 reproduzia sons com mais camadas, algo que virou febre no começo dos anos 2000. A combinação entre tela colorida, formato dobrável e toques mais elaborados ajudou o modelo a se tornar um sucesso comercial. Segundo a própria Samsung, o T100 foi o primeiro celular da empresa a passar de 10 milhões de unidades vendidas.

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