1 mês atrás 8

Os cinco erros que levam até investidores conservadores a perderem dinheiro

Na coluna de hoje, com base em relatos de pessoas que me procuram, listo cinco formas muito comuns de como investidores conservadores acabam ficando no prejuízo.

1. Previdência privada

Os planos de previdência complementar do tipo de PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre) permitem um adiamento do Imposto de Renda.

Funciona assim: você declara no IR o valor aplicado, reduzindo sua base tributária.
Em compensação, na hora do resgate, o IR incide sobre o valor total (o capital aplicado mais os juros).

Dessa forma, o investidor começa sua previdência privada com uma desvantagem absurda em relação a outros investimentos.

Por exemplo, digamos que você aplique R$ 10 mil em um PGBL e, ao longo do primeiro ano, ele renda R$ 1.000. Logo, você teria R$ 11 mil. Mas, se for resgatar, deixará 35% desse valor como IR (R$ 3.850), no caso de plano com tributação regressiva. Você perderá R$ 2.850 (28,5%) e ficará com apenas R$ 7.150 (71,5%).

Continua após a publicidade

O IR só se igualará ao de outras aplicações semelhantes após oito anos e só ficará menor após dez anos.

O problema é que nem sempre fica claro para o investidor que, para essa aplicação ser vantajosa, é preciso cumprir diversas condições: declarar o IR na versão completa, com limite de dedução de 12% da receita tributável e aguardar ao menos oito anos para fazer o primeiro resgate.

Na prática, muita gente não sabe, de início, a perda enorme que terá se não atender todas essas condições, e, não raro, acabam resgatando o dinheiro com prejuízo.

2. Tesouro Direto

Apesar de ser o investimento mais seguro do Brasil, o Tesouro Direto só paga o valor previsto quando o aplicador aguarda até a data de vencimento.

Se quiser resgatar antes, pode haver um ganho maior do que o previsto ou um prejuízo. Por exemplo, em 2025, alguns títulos subiram mais de 30%, conforme mostrei em colunas anteriores.

Continua após a publicidade

Mas, em 2024, ocorreu o inverso. O título Tesouro Prefixado 2031 caiu 15,4% no ano passado. Uma aplicação de R$ 10 mil no início do ano teria se transformado em R$ 8.460, uma perda de R$ 1.540, em caso de resgate no final de dezembro.

3. Títulos sem liquidez diária

Títulos privados como CDB, LCA e LCI nem sempre têm liquidez diária, ou seja, muitos deles não permitem que você resgate antes do vencimento. No caso de LCA e LCI, é comum ter alguns meses de carência.

Na prática, é comum que o investidor tente resgatar antes do prazo, seja porque não se planejou bem, seja por não ter compreendido que deveria esperar até uma determinada data.

Com isso, o investidor só terá a opção de vender o título, e muitas vezes não há quem se interesse. O resultado acaba sendo uma venda por um valor inferior ao aplicado.

4. CDB, LCA e LCI acima da garantia

Outro erro em relação a CDB, LCA e LCI é manter um valor acima do garantido pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito).

Continua após a publicidade

Quando uma instituição financeira quebra ou é liquidada, como ocorreu com o Banco Master, o FGC paga aos investidores o valor aplicado mais os juros acumulados até o momento, até o limite de R$ 250 mil por CPF.

Mas esse limite não é por CDB ou por título, e sim por conglomerado financeiro. Por exemplo, se você tiver R$ 200 mil em um CDB e mais R$ 100 mil em uma LCA de um mesmo conglomerado financeiro - e se este falir - o FGC só lhe pagará R$ 250 mil. Os R$ 50 mil restantes você provavelmente perderá.

5. COE

Os COEs (Certificados de Operações Estruturadas) muitas vezes não deixam claro o tamanho do risco que o investidor corre.

Recentemente, investidores chegaram a perder até 93% do capital aplicado em COEs distribuídos pelas corretoras XP e BTG. Em reportagem da Folha, clientes com prejuízo disseram não terem sido informados de que a perda poderia ser tão grande.

Alguma dúvida?

Tem alguma dúvida sobre investimentos? Me siga no Instagram e envie uma mensagem por lá. Sua pergunta poderá ser respondida nesta coluna.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Este material não é um relatório de análise, recomendação de investimento ou oferta de valor mobiliário. Este conteúdo é de responsabilidade do corpo jornalístico do UOL Economia, que possui liberdade editorial. Quaisquer opiniões de especialistas credenciados eventualmente utilizadas como amparo à matéria refletem exclusivamente as opiniões pessoais desses especialistas e foram elaboradas de forma independente do Universo Online S.A.. Este material tem objetivo informativo e não tem a finalidade de assegurar a existência de garantia de resultados futuros ou a isenção de riscos. Os produtos de investimentos mencionados podem não ser adequados para todos os perfis de investidores, sendo importante o preenchimento do questionário de suitability para identificação de produtos adequados ao seu perfil, bem como a consulta de especialistas de confiança antes de qualquer investimento. Rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura e não está isenta de tributação. A rentabilidade de produtos financeiros pode apresentar variações e seu preço pode aumentar ou diminuir, a depender de condições de mercado, podendo resultar em perdas. O Universo Online S.A. se exime de toda e qualquer responsabilidade por eventuais prejuízos que venham a decorrer da utilização deste material.

Leia o artigo inteiro

Do Twitter

Comentários

Aproveite ao máximo as notícias fazendo login
Entrar Registro